2007/10/11

LOURES DOS PEQUENINOS


Felizmente existe a Loures TV. Este é um sentimento verdadeiro. Já há algum tempo dediquei aqui umas linhas sobre este projecto. Muito do que então disse, mantém grande actualidade. O projecto continua insípido e bastante amador. Contudo, um acompanhamento mais atento dos conteúdos que nos vão sendo oferecidos revela outro aspecto ainda mais inquietante. A Loures TV está a tornar-se um boletim do poder instituído no Município. Começou mal no tratamento da coisa política do concelho quando, à semelhança dos crescidos, instituiu um catecismo regular, no modelo Escolhas de Marcelo, mas neste caso com Militão. De conversa para conversa, acentua-se a utilização deste espaço de comentário político como apenas mais uma oportunidade para propalar perspectivas políticas próprias, bem inseridas no actual combate político em Loures. A recente introdução de um espaço de grande entrevista, o Ponto Por Ponto, que nas suas duas primeiras edições contou com o Vereador Paulo Guedes da Silva e o Presidente da Junta da Freguesia de Loures, João Nunes, estando já anunciado (pelo próprio) a entrevista ao Presidente do Sportivo de Loures, tornou a emenda pior que o soneto.
Além desta distorção, as peças noticiosas apresentadas são clamorosamente panegíricas, acríticas e não raras vezes ridículas. A actualidade política noticiada não é rigorosa, não é isenta, não acautela a pluralidade e perde-se em questões menores. Os grandes temas não são tratados convenientemente e a abordagem ao poder é deslumbrada e subserviente.
Contudo, nem tudo é mau. A Loures TV começa a ocupar um espaço de relevo entre as fontes propiciadoras de humor e boa disposição. Aconselha-se vivamente o visionamento da entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Loures, assim como a de todas as aparições, e são muitas, do Presidente da Câmara. Numa longa peça sobre a inauguração de uma exposição na sede do PSD na Urbanização do Almirante, na qual participou o Presidente da Câmara Municipal de Loures, pode-se assistir a uma memorável dissertação do Vereador João Galhardas sobre a criação artística (imperdível) e pode-se escutar o Presidente da Câmara a justificar a sua presença nessa iniciativa partidária com o facto de ser presidente até daqueles que votaram no PSD e que não mistura política com a gestão da Câmara.Num concelho onde o exercício da actividade política está cada vez mais marcado pelo surrealismo, a Loures TV era o palco que faltava para fechar a quadratura do círculo. Adaptando o título de um livro de Jerome Carcoppino sobre o apogeu do império romano, temos aqui uma imagem fiel da Vida Política Quotidiana em Loures no Apogeu da sua Insignificância. Uma feira de vaidades vãs que se consubstancia numa prática hedonista do exercício do poder, onde este surge como fim em si mesmo e meio de promoção pessoal e de grupo e não como forma de serviço público à colectividade.

2007/10/08

À PORTA DO PALÁCIO

Há quase uma semana, na última reunião de Câmara, nem só as dissertações sobre o poder destruidor da natureza foram dignas de registo. À porta do Palácio, várias dezenas de trabalhadores da Câmara Municipal protestaram contra a decisão da administração municipal de suspender o transporte de trabalhadores. Esta prática tinha mais de 30 anos e, não só beneficiava o município no que concerne à produtividade e desempenho dos serviços, como constituía um direito muito relevante para trabalhadores cujos salários nem sempre chegam aos 500 euros.
Na foto, o Presidente da Câmara recebe as razões do protesto das mãos de um dirigente sindical do STAL. Dentro do Palácio o Presidente da Câmara Municipal disse que estava tudo bem, não havendo razões para o protesto. Disse-o, seguro das suas razões.
Bem que o podia ter feito olhos nos olhos aos trabalhadores lesados que se concentraram à porta do Palácio.

QUEM QUER EXPERIMENTAR?


O ministro justificou o atraso de dois anos e meio da obra do Terreiro do Paço com questões de segurança e a necessidade de reformular todo o projecto.
«O anterior túnel teve de ser abandonado para que fosse construído um novo, mudou-se o local da estação. Na prática foi todo um novo projecto», sublinhou.


No próximo dia 22 de Dezembro serão inauguradas as estações do metropolitano do Terreiro do Paço e de Santa Apolónia, provavelmente também o será o troço de linha que as une! Esta obra é um verdadeiro hino à gestão da coisa pública feita pelo bloco central PS/PSD. Atravessou vários governos, ministros e até presidentes da república. Quem quer ser o primeiro a experimentá-la?

2007/10/05

VIVA A REPÚBLICA



senha e contra-senha utilizada pelos revolucionários em 1910: Mandou-me procurar ?
Passe cidadão !
FALTA CONCRETIZAR A REPÚBLICA

"Comemora-se a 5 de Outubro próximo mais um aniversário da implantação da República Portuguesa, mais concretamente o nonagésimo sétimo. No entanto, apesar de se tratar de uma data já enraizada na nossa sociedade, muitas pessoas continuam a passar ao lado do real significado deste dia, teimando em circunscrever esta alteração profunda da nossa sociedade a uma mera mudança de agentes políticos.
Mas na verdade foi mais do que isso. Foi, indubitavelmente, muito mais. A República traz consigo um conjunto de valores seculares da maior importância, que foram decisivos para a alteração a nível mundial dos padrões sociais, que permitiram a passagem de uma sociedade tradicional, refém de cultos e classes, para uma sociedade moderna e progressista, onde o homem comum desempenha o papel principal.
Esta mudança afectou inclusive as próprias monarquias hoje existentes, nomeadamente as ocidentais, que se foram, de alguma forma, republicanizando, absorvendo o ideário republicano nas suas constituições, transferindo o poder dos monarcas para os parlamentos democraticamente eleitos, limitando-lhes o papel a algo quase simbólico nos dias de hoje.
É claro que em muitos casos, nomeadamente em países em vias de desenvolvimento, o uso vão da palavra República serviu também para fazer exactamente o contrário, isto é, colocar ditadores à frente dos destinos de alguns países via “vontade popular”, governando como autênticos monarcas, de forma autocrática, subvertendo os elementares princípios republicanos.
É assim evidente que confrontar nos dias de hoje república e monarquia no plano das diferenças entre os Estados é inconsequente. As verdadeiras diferenças estão nos princípios de governação e na sua interiorização pelos cidadãos, independentemente do modelo assumido. De facto em Portugal temos um excelente exemplo disso mesmo, com a ditadura de Salazar, na qual o país oficialmente se assumia como República, mas na prática abandonava quase na íntegra os valores que presidiram à sua implantação, como por exemplo a laicidade e a legitimidade democrática do Estado.
E se Abril de 74 veio recuperar muitos desses princípios adormecidos pela longa ditadura, a verdade é que de algum modo ainda falta concretizar a República na sua totalidade, nomeadamente no que toca à subordinação do interesse individual ao colectivo.
Compreendo que tal desígnio pareça complicado, sobretudo atendendo à cada vez maior competitividade existente num mundo globalizado, onde as pessoas instintivamente pensam cada vez mais em si em detrimento da colectividade.
No entanto, se fizermos uma análise atenta, facilmente constatamos que as sociedades que apresentam os melhores índices de desenvolvimento humano são precisamente as que demonstram maiores níveis de participação colectiva, onde o cidadão anónimo é parte integrante da tomada de decisão, onde o interesse colectivo é, de forma livre, colocado invariavelmente à frente do interesse individual.
E isto demonstra-nos inequivocamente a actualidade do pensamento republicano e a nossa necessidade, enquanto país, de concretizarmos a implantação que se iniciou há 97 anos, celebrando a Liberdade, como direito fundamental do homem, a Igualdade como Lei, perante a qual todos somos iguais, a Laicidade do Estado como garante único da liberdade de culto, respeitadora das crenças de cada um e inimiga da intolerância, a Democracia como instrumento de participação plena dos cidadãos na vida comunitária, o Interesse Colectivo como única forma de garantirmos a prosperidade das gerações actuais e futuras.
Os ideais republicanos ensinam-nos a pensar além de nós próprios, a ter uma atitude mais interveniente, mais altruísta, em prol da sociedade de hoje e de amanhã. Vamos aplicar esses ensinamentos. A República portuguesa está aí, à espera de ser concretizada, por cada um de nós, para todos nós. "

Texto de Artur Boaventura da Silva, publicado ontem no Correio do Minho.

2007/10/03

O TSUNAMI E SACAVÉM




Serve este texto para explicar ao Vereador António Pereira porque é que, apesar da boa vontade que reina neste Palácio e do exemplar desempenho do senhor vereador, só se lhe pode atribuir vitaliciamente o 2º lugar. Terá de convir que é impossível ombrear com o Presidente da Câmara Municipal neste campeonato. A propósito da proposta de criação de uma comissão de inquérito para analisar as causas das cheias na parte baixa da cidade de Sacavém, o Presidente da Câmara Municipal ultrapassou-se a si mesmo. Por entre várias perguntas acerca da pertinência da proposta apresentada pela CDU, sobre o que queria a oposição discutir era o ciclo da água entre outros desvarios, após enumerar todos os locais à volta do globo onde ocorreram cheias, Alemanha, Holanda, Espanha, Birmânia (ainda não memorizei o nome inventado pela Junta Terrorista que governa aquele território), na casa de banho da vizinha do 3º esquerdo, rematou, perguntando se por acaso foi constituída uma comissão de inquérito às causas do tsunami que atingiu o sudoeste asiático? Claro que não!? Então porque razão se há-de constituir uma comissão para analisar as causas das cheias na cidade de Sacavém. Como vê senhor Vereador António Pereira, você está muito longe deste desempenho. Isto são muitos anos de estudo aprofundado das matérias relevantes para a qualidade de vida das pessoas. Mas vá tentando. Quem sabe se um dia a cadeira presidencial não será sua ou pelo menos o pódio do disparate?
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O AL GORE PORTUGUÊS

Os tempos estão muito mudados. Em todos os aspectos da vida presente se pode utilizar esta expressão. O Presidente da Câmara Municipal de Loures percebeu, no contexto das cheias que afectaram a zona baixa da cidade de Sacavém, o alcance climático desta expressão. O Presidente partilhou com todos esta sua tomada de consciência, dizendo: “Em 30 de Setembro de 2006 estava eu, num dia bonito, no casamento da minha filha. Um ano depois, em 30 de Setembro de 2007 estava em Sacavém numa cheia!” Os tempos estão muito mudados... Temos activista.
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Nota: Os meus ouvidos, estes que a terra já comeu, já não são o que eram, porque isto das faculdades, para além de ser velho, estar-se morto, não facilita. Contudo, ouvi bem ouvido, aliás como sempre, tudo o que se disse no meu Palácio. Assim, posso assegurar, que excluindo a Birmânia, tudo neste texto é fiel e parafraseado. É que foi mesmo assim. Por muito assombroso que pareça!

O PALÁCIO SOBE AO PLENÁRIO DA CÂMARA MUNICIPAL




DEIXEM FALAR O PEREIRA!

O Vereador António Pereira, na reunião de hoje da Câmara Municipal de Loures que se realizou cá no Palácio, manifestou a sua irritação pelo facto de no barómetro aqui do Palácio, ter passado a partilhar o 2º lugar do pódio Das Tiradas Mais Palermas com o Vereador que está a substituir o Vereador Frasquilho.
Aludindo aos fantasmas que circulam clandestinamente pelo Palácio, prometeu uma missa de desagravo. Não percebeu contudo ser ele próprio uma das maiores fontes de assombro deste Palácio. Não sendo insensível às suas razões, declaro aqui que, por muitas mais declarações sem nexo, incompreensíveis, alucinadas, fantasiosas, insultuosas ou simplesmente patetas, que venham a ser proferidas nestas salas, atribui-se a título vitalício (de modo a que o visado perceba, para sempre) o 2ª lugar neste pódio ao Vereador António Pereira. Nunca mais tema ele que outro qualquer principiante lhe faça sombra. Nunca o permitiremos e claro que ele também não. Que a voz nunca lhe doa!

2007/10/01

SACUDIR A ÁGUA DO CAPOTE




“Há mais ou menos 60 anos, a baixa de Sacavém encheu-se de água e uma pessoa morreu, recorda um moradora da Praça da República, enquanto olha para as operações de limpeza que uma máquina da Câmara Municipal de Loures desenvolve no meio da lama mal-cheirosa. "Hoje, tenho impressão que isto até foi um bocado pior, mas, felizmente ninguém morreu", acrescenta optimista sem, no entanto, deixar de lamentar o cenário caótico que marcou o último dia de Setembro de 2007.”

"A chuva começou a cair muito forte, mas mesmo que quiséssemos vir aqui salvar alguma coisa, não conseguiríamos fazer nada. As águas sobem muito rapidamente. E desta vez foi de mais, chegaram ao fundo do stand", diz Luís, enquanto empurra a água suja para fora loja, propriedade do pai. J. Carapinha, com negócio estabelecido desde 1982 deita uma vez mais contas à vida. "Esta já não é a primeira vez que temos inundações. Só no ano passado foram seis. Mas igual nunca aconteceu", sublinha, garantindo que desta vez vai arranjar forma de ser ressarcido dos elevados prejuízos.”
”O empresário assegura que os danos provocados pela enxurrada nos veículos - dois estacionados na rua e quatro no interior da loja- alguns destes de gama alta, representam um prejuízo que andará à volta dos 25 mil euros. "Para mais e não para menos...", afiança, enquanto mostra o interior do habitáculo de uma carrinha Mercedes. Cheio de lama até meio dos assentos. "Isto é sempre a mesma coisa, cada vez que chove com um bocado de maior intensidade temos problemas. Além dos carros estragados, tenho ainda que contar com danos no escritório, nomeadamente, computadores e outro tipo de material. Tem que se dar uma solução! E não me venham dizer que é a maré cheia que tem a culpa. Cada vez que há inundações vêm logo com esse argumento", afirma, indignado.”
”Cá fora na rua, as vozes estão alteradas. "Isto é uma vergonha. Nas campanhas prometem obras para resolver isto e depois nada fazem. Nem as sarjetas limpam. Quero ver quem é que me vai pagar o arranjo dos automóveis. É que, sem eles, não posso trabalhar", diz Luís Costa. Mora na Praça da República e em poucos minutos viu da janela o seu carro "com água e lama até ao tejadilho", enquanto outros eram arrastados pelas águas, parecendo carrinhos de brincar.”



TAMBÉM HÁ MUITO TEMPO NÃO SE ASSISTIA A TÃO GRANDE IRRESPONSABILIDADE



”Carlos Teixeira, presidente da Câmara Municipal de Loures esteve no local com elementos da Protecção Civil Municipal. Era ao autarca que os munícipes insistentemente dirigiam as críticas. "A Câmara não tem culpa que tenha chovido muito, em pouco tempo e que, ainda por cima, esse momento tenha coincidido com a preia-mar no rio Trancão", sublinhou o autarca. "Tudo o que cabe ao município fazer estamos a cumprir. Realojámos uma família de cinco pessoas que ficou com a casa inundada. Quanto aos carros e às lojas, as pessoas têm que ter seguros que cobrem estes acidentes", acrescentou o autarca.””Teixeira disse ainda que grande parte do caudal da enxurrada, a montante, era proveniente da ribeira do Prior Velho, cuja limpeza cabe ao Instituto Nacional da Água. "Os detritos arrastados da ribeira - canas, troncos e areia - vieram obstruir os colectores", esclareceu, explicando a razão de muitas das tampas dos esgotos terem saltado.”

É bem verdade que ninguém, nem sequer os autarcas, conseguem prever o imprevisto ou controlar a fúria dos elementos, porém, a situação que se viveu ontem em Sacavém era mais do que previsível, tendo até recentemente existido vários alertas para a eventualidade de se verificar uma situação destas na baixa de Sacavém.
O Presidente da Câmara Municipal de Loures apareceu nas televisões enjeitando responsabilidades e referindo-se a si próprio na terceira pessoa “O Presidente da Câmara não tem responsabilidade”, disse.
O Presidente da Câmara tem responsabilidade pela falta de investimento na modernização das estruturas de saneamento, esta é a sua primeira grande responsabilidade. Isto não é a Holanda, caramba! Será bem mais fácil resolver o problema.
Mas as responsabilidades do Presidente da Câmara não ser ficam por aqui. No seu belo estilo futebolístico, onde ora chuta para canto, ora se atira para o chão, não fazendo nenhuma jogada de jeito, apontou baterias ao Instituto Nacional da Água (INAG), atribuindo-lhe a responsabilidade pela falta de limpeza do troço a montante da ribeira do Prior Velho. É curiosa esta referência, pelo que merece alguns comentários. O INAG tem responsabilidades na regularização e limpeza das linhas de águas, assim como tem sobre elas jurisdição no que respeita a intervenções que se realizem na sua envolvente e que com elas possam influir. Cabe perguntar como andam as relações da Câmara com este Instituto? Que tipo de diálogo existe? Que diligências fez a Câmara junto desta entidade afim de ver prevenidas estas situações?
Respondo eu. Nenhumas. Porque digo isto? Por duas razões fundamentais; primeiro, caso elas existissem o jogador da bola teria referido as suas diligências junto dessa entidade, segundo, um recente episódio da gestão municipal, junto precisamente, à ribeira do Prior Velho, pôs a nu essa falta de diálogo. A Câmara Municipal de Loures, autorizou a deposição de milhares de metros cúbicos de terra junto à referida ribeira sem previamente ter consultado o INAG ou a CCDR. Autorizou esta operação a um privado, junto de uma das mais problemáticas linhas de água, como se pode constatar, sem preventivamente ter solicitado parecer preventivo à entidade a quem agora pede responsabilidades. Neste momento, milhares de metros cúbicos de terras soltas, não compactadas, esperam o Inverno para começarem a escorrer para o leito da ribeira. Disto tem o Presidente da Câmara Municipal de Loures, Eng.º Carlos Teixeira, completa e absoluta responsabilidade.
Apesar de ter sido questionada a Câmara Municipal, no início dessa obra, sobre a necessidade de tal parecer, levou mais de um mês a dirigir um ofício da CCDR, momento em que o referido aterro já estava concluído. Assim, ficou a Câmara Municipal de Loures sem saber que o tal INAG tinha um projecto de regularização da ribeira do Prior Velho, cujo o concurso estava a ser preparado pela SIMTEJO, e que está agora inviabilizado pelo aterro que extemporaneamente a Câmara Municipal de Loures autorizou.


Nada disto pesou na consciência do Presidente da Câmara Municipal, quando ontem viu a aflição dos que viram perdidos os seus haveres?
Claro que não. Importante era fazer boa figura durante o telejornal.
Já não se pode pedir ao Presidente da Câmara Municipal de Loures que tenha grandes rasgos no exercício das suas funções, mas a falta de respeito pelas pessoas é imperdoável.
O texto citado é da Agência Lusa

2007/09/28

O REI VAI NU



No passado dia 25 de Setembro, o Palácio onde vivo, foi palco de mais uma Assembleia Municipal.
Continua para mim, que não sou de cá, a ser um espectáculo surpreendente, digno de uma película de Fellini, não fosse o caso dele já não se encontrar entre os vivos.

Um deputado interpela o presidente da CML, sobre um problema de um curso de água que está a ser aterrado, apresentando-lhe factos a necessitar de esclarecimento sobre a actuação da CML. Diz ser esta a quarta reunião em que apresenta o tema.
O presidente acusa os elementos da bancada do tal deputado, de usarem palas e depois diz umas coisas que ninguém entende, que vale mais ser lebre que burro, ou que as lebres chegam primeiro que os burros… E que vai fazer um referendo!?:..
Um rapazito tolo, com uma grande gravata, gesticula, elogia o presidente, diz que está farto daquela conversa, que não é preciso perguntar as coisas tantas vezes, que ele é tão bom, fala tão bem.
O vereador mais novo do mundo está estarrecido, não é que o da gravata fala tão bem, nem gagueja nem nada. De boca aberta, inveja aquela ilustre prestação.
Enquanto isto, uma balzaquiana recentemente chegada das dietas do celeiro, exibe os resultados através de uma saia castanha saltitante que absorve os olhares.
Um presidente de junta dado a construções, brinca com um barquinho de papel que docemente coloca na cabecinha oca da companheira de bancada. Por trás um homem invisível pavoneia o seu fato encarnado da Gant, comprado na contrafacção, e sente-se tão elegante que nem consegue seguir o circo.
Na outra bancada um deputado grande, de cabeleira farta e sedosa, empunha um cachimbo recém-adquirido e lança olhares à saia castanha, enquanto conta os votos que acabou de comprar. Abre a boca e fala de uma festa de há quase trinta anos que os comunistas fizeram em Loures e dos prédios que existem agora no mesmo local, insinuando fantasmas, os mesmos que lhe têm ensombrado a vida.
O presidente fala outra vez, ninguém o percebe, quase todos concordam e dizem que o fato é lindo.

Mas a mim pareceu-me que o rei vai nu.

JÁ ESTÁ EM SEGUNDO LUGAR, EXEQUO COM O VEREADOR ANTÓNIO PEREIRA




O recém-chegado à equipa maravilha que agora governa o município de Loures, disputa já o lugar cimeiro no Ranking da Tirada Mais Palerma. Esta competição, altamente renhida, é liderada com grande conforto pelo Presidente da Câmara Municipal de Loures, que tem ganho vantagem ao seu concorrente mais directo, o Vereador António Pereira, que tem perdido pontos pelo facto de já quase não o deixarem dizer ai. Contudo, o Vereador do PSD que está a substituir o Vereador Frasquilho, mostra ter qualidades suficientes para fazer empalidecer o líder da tabela. Sobre a questão da oposição dos autarcas comunistas e da população de Santa Iria à construção de um supermercado LIDL no local onde esperavam ver construído um Centro de Saúde, o senhor lembrou-se de desabafar a sua incompreensão pelo facto de eles não quererem este supermercado, acrescentando, logo este que é destinado às classes mais baixas!

SENDO ASSIM, VAMOS A VOTOS!




Em 16 de Maio, no texto “Foi Você que pediu um LIDL” dava contra da surpreendente decisão da Câmara Municipal de Loures de permitir a construção de um supermercado da cadeia LIDL em terrenos para os quais estava destinada a construção do novo Centro de Saúde de Santa Iria de Azóia.
Já nesse momento se levantaram as vozes dos autarcas dessa freguesia contra essa decisão. De pouco parecia servir esse esforço. Porém, não só os autarcas não encaravam esta solução como algo aceitável, como também os habitantes da freguesia não se conformaram com a perspectiva de verem os terrenos centrais disponíveis servirem para instalar um supermercado em vez do centro de saúde. Assim, mãos à obra, e conseguiram reunir mais de 4000 assinaturas, que foram enviadas à Câmara Municipal, manifestando o seu desagrado. Estas mais de 4000 assinaturas representam cerca de 40% dos eleitores da Freguesia de Santa Iria de Azóia.
Confrontado com esta posição de força, o Presidente da Câmara Municipal, disse na última reunião da Assembleia Municipal, que não percebia o descontentamento das pessoas, porque o local onde ele quer ver instalado o LIDL é mau!
Pois bem, o local é tão mau, tão mau, tão fora de tudo que nem se percebe como quer este supermercado lá instalar-se!
Mas não haja problema, porque o Presidente da Câmara, em vez de recuar na sua posição, prometeu um Referendo.
Soube já o teor da pergunta e ele deixa-me receoso em relação ao resultado.
Concorda com a construção do novo centro de saúde, em local central e com boas acessibilidades e transportes?
Suspeito que vá ser taco-taco, pelo que inicio já a campanha pelo SIM.

2007/09/25

"...E HOJE FIZ UM AMIGO..."




Houve um assalto a um banco na Mealhada.
Uma jovem relata o que viu, realçando o facto de o assaltante, na fuga, ter deixado cair algumas notas que ela prontamente cobriu com o corpo, apanhou-as e entregou-as “…ao senhor do Banco, claro!...”.

Iniciou-se hoje o julgamento do proprietário de uma mercearia que, alegadamente, será o responsável pela explosão de umas bilhas de gás que comercializava, originando um incêndio, a morte de dois idosos e a perda de habitação dos moradores do prédio.
Uma das habitantes do referido prédio, entrevistada pela televisão, diz não ter apresentado queixa contra o merceeiro porque “eram amigos e o que perdeu foi tão pouco…”.

No PSD o circo instalou-se de vez, para grande alegria do PS, que lá segue o seu caminho para ocupar todo o espaço dos amigos.
Eles desconfiam uns dos outros, eles pagam as quotas uns dos outros, outros dizem que as quotas não servem para nada, eles ameaçam-se. Enfim…


Porque é que esta nossa gente que, apesar de tudo, ainda consegue preservar alguns dos valores que nos tornam humanos, tem de carregar com este fardo?!

O PRESENTE QUE CANTA


Imagem retirada daqui.


Tenho tentado, do lado de cá, ir espreitando por cima da serra para ver o que se passa lá onde não se vê a partir da janela do meu Palácio dos Marqueses da Praia em Loures.
Uma ou outra deambulação da minha afilhada, tem-me permitido ir conhecendo o que se por lá se vai passando, mas agora existe uma forma mais fácil de saber como se vai por Sacavém.
O recém criado Magazine de actualidade da Cidade de Sacavém – SACAVÉM ACTUAL, que parece tê-lo sido em espírito Kim Il Sunguiano, tem curtos e esclarecedores textos e longos vivas aos Presidentes.
Daqui, de facto nunca tinha reparado, que em Sacavém existe neve branca todo o ano no cume das altas montanhas, que os prados têm a permanente doçura da primavera e que o presente cantas suaves melodias.
Vergo-me, reconhecendo com humildade a injustiça das críticas que teci várias vezes àquilo que me parecia o caos instalado na cidade de Sacavém. Afinal as ruas não estão sujas, as obras não têm sido mal planeadas, pior executadas e com atrasos monumentais, o espaço público não está degradado e repleto de painéis publicitários, alguns deles autênticos montes de sucata, não existem lixeiras um pouco por todo o lado onde um terreno vago espera um novo mamarracho, o estacionamento e a circulação automóvel não são caóticas, os peões, em especial os de mobilidade reduzida, não vivem numa cidade impraticável, nem nada disto incomoda e retira qualidade de vida às pessoas. No plano cultural a cidade não é um marasmo, pelo que a oferta de qualidade e consequente é mais que muita.
Por tudo isto, o blogue Sacavém Actual, entrará, sem mais delongas, para a lista dos Outros Palácios a visitar regularmente.
Que o sol do eterno amanhecer continue a inspirar o seu autor.

2007/09/20

O CAÇADOR SIMÃO




Tudo o que se foi escrevendo sobre Aquilino Ribeiro, a sua escrita, mas sobretudo a sua acção política, nomeadamente a sua alegada ligação à Carbonária, trouxe-me à memória um poema, escrito no início de 1890, de Guerra Junqueiro. Depois do recente Ultimato Inglês ter desviado Guerra Junqueiro para as barricadas republicanas, escreveu sobre o jovem D. Carlos "O Caçador Simão" onde parodiava de forma violenta o afastamento do Rei em relação às grandes questões do reino e da governação, referindo a sua absorvente actividade de caçador. Simão era um dos apelidos de D. Carlos. Escrito 18 anos antes do regicídio do Terreiro do Paço, o poema condensa de modo violento e incrivelmente premonitório o reinado de D. Carlos e o seu trágico desfecho.
Até ao 1 de Fevereiro de 1908 a Monarquia Portuguesa deu corpo ao poema de Guerra Junqeiro, altura em que Alfredo Costa e Buiça decidiram escrever a última estrofe.

Jaz el-rei entrevado e moribundo
Na fortaleza lôbrega e silente…
Corta a mudez sinistra o mar profundo …
Chora a rainha desgrenhadamente …
.
Papagaio real, diz-me quem passa?
É o príncipe Simão que vai à caça.
.
Os sinos dobram pelo rei finado …
Morte tremenda, pavoroso horror!...
Sai das almas atónitas um brado,
Um brado imenso d’amargura e dor …
.
Papagaio real, diz-me, quem passa?
É el-rei D. Simão que vai à caça.
.
Cospe o estrangeiro afrontas assassinas
Sobre o rosto da pátria a agonizar …
Rugem nos corações fúrias leoninas,
Erguem-se as mãos crispadas para o ar!...
.
Papagaio real, diz-me quem passa?
É el-rei D. Simão que vai à caça.
.
A Pátria é morta! A Liberdade é morta!
Noite negra sem astros, sem faróis!
Ri o estrangeiro odioso à nossa porta,
Guarda a Infâmia os sepulcros dos Heróis!
.
Papagaio real, diz-me, quem passa?
É el-rei D. Simão que vai à caça.
.
Tiros ao longe numa luta acesa!
Rola indomitamente a multidão …
Tocam clarins de guerra a Marselheza …
Desaba um trono em súbita explosão!...
.
Papagaio real, diz-me, quem passa?
É alguém, é alguém que foi à caça
Do caçador Simão!...


Guerra Junqueiro

SÓ NOS FAZEM PASSAR VERGONHAS!




SEMANA EUROPEIA DA MOBILIDADE, FEIRA MEDIEVAL DE SACAVÉM E PINTURA DA PASSADEIRAS


Numa visita à pagina do projecto “SEMANA EUROPEIA DA MOBILIDADE” esbarrei com o resumo do projecto de Loures, enviado pelo Departamento do Ambiente.
O resumo que não dispensa uma leitura atenta, destaca-se desde logo pelo facto de para nenhuma das localidades candidatadas, o Departamento do Ambiente ter conseguido apresentar um projecto que passasse na larga malha de critérios que o programa tem.
Assim, seja para a European Mobility Week, seja para o "In town, without my car!” a Câmara Municipal não conseguiu elaborar um projecto de participação minimamente cuidado. Se se voltar à página onde se podem consultar os resumos das restantes cidades e municípios portugueses, podemos constatar que o grau de exigência dos projectos é diminuta. O grande objectivo do projecto é a sensibilização e a educação ambiental. Nem isto Loures conseguiu fazer. De entre o grande esforço a que o município se dispôs para ser aceite nesta acção europeia destacam-se as seguintes acções: pintura de passadeiras, arranjo de passeios, avaliação da necessidade de transportes colectivos(?) e a “Realização de Feira Medieval no âmbito pedestre e de demonstração da mobilidade sem utilização do veículo automóvel”.
Há coisas fantásticas não há? Realização de Feira Medieval no âmbito pedestre e de demonstração da mobilidade sem utilização do veículo automóvel”?! Quererá isto dizer que se utiliza a Feira Medieval como demonstração da mobilidade sem a utilização de veículos automóveis porque na altura só existiam carros puxados por bestas e não guiados por elas, ou será que para chegar à Feira Medieval que se realiza no Parque Tejo é necessário ir a pé, porque o trânsito estará cortado algures antes de lá se chegar? Mas esta iniciativa não nos foi apresentada como forma de assinalar o Dia Mundial do Turismo?

Percebe-se melhor a recusa do Vereador Paulo Guedes da Silva em comentar o desempenho do Vereador do PSD que tem o Pelouro do Ambiente, dizendo que até hoje não existia nada digno de registo ou comentátiro. Até a mim me envergonha!

2007/09/19

APRENDIZAGEM





Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade

ARREAR A GIGA

Não é uma expressão muito elegante, mas para tornar a prosa mais acessível a todos os mortais utilizo-a. Mas não é só pela acessibilidade da expressão que a mesma se utiliza aqui, mas por que ela nos permite descer facilmente ao nível a que anda a acção política em Loures.
A Loures TV, a CNN de Loures, tem um novo espaço/programa, uma espécie de Grande Entrevista. Neste primeiro programa convidaram o Vereador Guedes da Silva, aquele do PSD, que ficou fora do acordo celebrado com o Vereador que está a substituir o Vereador Frasquilho. È um documento a não perder.
No seu estilo contido e sóbrio, o Vereador Guedes da Silva explica ao pormenor o seu ponto de vista sobre a actual coligação entre o PSD e o PS em Loures, acabando por dar, ainda que não perceba, todos os argumentos para que os eleitores de Loures, nas próximas eleições, passem como cão por vinha vindimada ao chegarem ao quadradinho no boletim de voto identifica o PSD.
Ao denunciar aquilo a que chama “Carnaval prolongado” nas negociações entre o PS em Loures e uma parte do PSD, sôfrega pelo poder, ao explicar os meandros da decisão, mais não diz que não seja que no PSD, o poder delegado democraticamente através do voto pode ser facilmente subvertido por estratégias pessoais de poder, que pouco ou nada têm que ver com projecto ou perspectivas políticas.Tem Paulo Guedes da Silva razão quando critica estes métodos, mas eles no PSD em Loures não são conjunturais, fazem parte desde há muito do seu código genético.

CONCURSO




Contaram-me que decorre em Sacavém um concurso que se desenvolve em duas fases:

1ª fase
Periodicidade – semanal
Prémios – estadia para toda a família do vencedor, num hotel de três estrelas, no concelho da Amadora.

2ª fase
Periodicidade – todo o período das obras
Prémios – apartamento tipo T3, longe, muito longe de Sacavém.

Seguem alguns exemplos das perguntas do concurso.

1ª fase
Por onde se circula, hoje, na Rua Estado da Índia?
a) Pelos buracos da esquerda.
b) Pelo precipício do centro.
c) Pela brita da direita

Qual o melhor local para estacionar o carro?
a) Na Portela.
b) No Prior Velho.
c) Na Bobadela.

Como vão as crianças da Quinta do Património para a escola dos Bombeiros?
a) De helicóptero.
b) Acampam no pátio da escola.
c) Arriscam-se diariamente a atravessar o perímetro das obras.

Como se deslocam os idosos e pessoas portadoras de deficiência?
a) Ficam em casa a ver a Fátima Lopes.
b) Chamam a ambulância.
C) Pedem aos trabalhadores da obra que os levem ao colo.

2ª fase
Esta é uma fase mais abrangente, pelo que se aceitam respostas livres.

Qual a data do final das obras?
Semelhanças entre o estado actual das obras e o projecto apresentado?
Qual a data do início das obras na Praça da República?
Existe projecto para utilização de botes, lanchas, barcos, para a travessia da Estado da Índia, nos dias de chuva?
Quantas e qual a forma definitiva das rotundas?
Quantos quilos de pó se acumularam em cada habitação?
Quantas vezes foram vistos os técnicos da CML a inspeccionar as obras?

Quantas pessoas se lembrarão da falta de respeito dos eleitos do PS para com a população, nas próximas eleições autárquicas?

Eu, apesar de estar há pouco tempo no concelho, em acomodações gentilmente cedidas pelo meu ilustre padrinho, Marquês da Praia, não posso deixar de concorrer. Até porque os prémios são tentadores.

"MAIS NÃO PUDE."*

*Aquilino Ribeiro


Imagem retirada daqui.


A senhora Ministra da Educação anunciou publicamente o aumento do número de alunos no 3º ciclo e no secundário, fruto de uma maior oferta dos cursos de educação/formação, nas nossas escolas.
Fazendo uma breve abordagem às escolas do nosso concelho e falando com elementos de um grupo de trabalho que desenvolveu a sua acção nessa área, há já dois anos, constatei que de facto, neste momento, é quase moda que as escolas tenham ofertas de cursos de educação/formação para os alunos cujo currículo normal se revelou de difícil assimilação, havendo mesmo no 2º ciclo, já um número significativo de cursos.
Acontece que grande parte dos cursos disponíveis, juntam na mesma turma, alunos difíceis, com comportamentos conflituosos e com um grande historial de más notas.
A vertente prática desses cursos permitirá uma atitude dos alunos mais adequada à vida de uma escola. Por isso, se questionarmos os docentes que aí trabalham, estes mostram-se mais tranquilos, pois o clima é ligeiramente mais calmo, sobretudo para os docentes que não trabalham nessas turmas. Por outro lado, tendo os “alunos problema” sido afastados das turmas ditas normais, há um ambiente propiciador das aprendizagens para os já “bons alunos”.
Então se é assim, óptimo!
Mas debrucemo-nos sobre qual o tipo de oferta que os ditos cursos apresentam. Estará de acordo com as motivações dos alunos? Estará de acordo com as ofertas de trabalho futuras? Permite aos alunos traçar o seu projecto de vida compatibilizando a formação com a sua viabilidade futura? Ter-se-á planeado que “tipo de trabalhadores necessitamos” para que o país, ou seja, todos nós, possa caminhar no sentido do desenvolvimento e da inovação? É garantida a formação académica básica, considerando a participação cívica que se deverá exigir a um futuro adulto?
Pelo que me foi dado ver, a maioria dos cursos foi organizada de acordo com a disponibilidade dos recursos humanos da escola, considerando as capacidades físicas e de equipamento que, como se sabe, são muito baixas. E assim há cursos de jardinagem, de auxiliar de acção educativa, de técnico de reprografia, de cabeleireiros, de informática, de empregados de comércio…

Hoje foram transladados para o Panteão Nacional, os restos mortais de Aquilino Ribeiro. No elogio fúnebre foi duramente criticada a total ausência da obra literária do escritor nos currículos nacionais das nossas escolas.

Para que precisarão os alunos dos cursos de educação/formação, cada vez em maior número, conhecer a vida e obra de Aquilino Ribeiro?

Deixa-os jardinar em paz. As rosas são tão bonitas…

JÁ FOI DADA A DELIBERADA


Já foi alvo de deliberação O ASSUNTO MAIS IMPORTANTE QUE SERÁ TRATADO NA PRÓXIMA REUNIÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES I Após longo e desgastante debate, a proposta foi aprovada por unanimidade. Todos os Vereadores, da maioria, da oposição e dos assim-assim, votaram-na favoravelmente. Bonito exemplo este, quando o assunto é determinante, o interesse partidário sempre se subalterniza ao bem colectivo.


Ponto n.º 14 – Proposta n.º 486, aprovação da aceitação de doação de quatro chapéus de sol, da empresa Teresa Guilherme, SA

COISAS DO DIA A DIA, O FASCISMO É UMA MINHOCA…


Imagem retirada daqui.


Ontem, não sei se por causa de um jantar mal digerido após uma ida forçada a um restaurante chinês (esta critica gastronómica nada tem de sintonia com as recentes posições da Maria José Nogueira Pinto, talvez o resto do texto tenha.), se pelo facto de ter adormecido cedo, enquanto via uma reportagem sobre Aquilino Ribeiro na Casa Grande de Romarigães, passei uma noite sobressaltada, que oscilou entre o sonho desassossegante e espertina.
Pela manhã, na previsão de um dia difícil em virtude de uma noite agitada, lembrei-me de um dos sonhos. A vacuidade da recordação apenas permite fixar a imagem de uma casa em escombros e fumegante, após o que me parece ter sido um violento incêndio.
Que terá isto com o restaurante chinês, a comida agri-doce e o Aquilino Ribeiro. Talvez nada, mas neste texto tudo.
A transladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional tem gerado fortes críticas de alguns sectores da sociedade portuguesa. Umas fundamentados na especulativa participação de Aquilino na conjura conducente ao regicídio, participação que me parece improvável, e outras na desvalorização do seu legado literário. Aquilino era um Republicano Laico, um republicano verdadeiro, seguramente conspirativo e revolucionário, e um dos nomes mais marcantes da literatura nacional.
O que os críticos não lhe perdoam é o facto de Aquilino não ter sucumbido às tentações totalitárias e ter sido um irritante anti-salazarista. Esse é o problema, ainda há quem se irrite com anti-salazaristas!
A casa em cinzas, que me arrancou ao sono, é o estado em que hoje se encontram os ideais republicanos de Aquilino.