
Felizmente existe a Loures TV. Este é um sentimento verdadeiro. Já há algum tempo dediquei aqui umas linhas sobre este projecto. Muito do que então disse, mantém grande actualidade. O projecto continua insípido e bastante amador. Contudo, um acompanhamento mais atento dos conteúdos que nos vão sendo oferecidos revela outro aspecto ainda mais inquietante. A Loures TV está a tornar-se um boletim do poder instituído no Município. Começou mal no tratamento da coisa política do concelho quando, à semelhança dos crescidos, instituiu um catecismo regular, no modelo Escolhas de Marcelo, mas neste caso com Militão. De conversa para conversa, acentua-se a utilização deste espaço de comentário político como apenas mais uma oportunidade para propalar perspectivas políticas próprias, bem inseridas no actual combate político em Loures. A recente introdução de um espaço de grande entrevista, o Ponto Por Ponto, que nas suas duas primeiras edições contou com o Vereador Paulo Guedes da Silva e o Presidente da Junta da Freguesia de Loures, João Nunes, estando já anunciado (pelo próprio) a entrevista ao Presidente do Sportivo de Loures, tornou a emenda pior que o soneto.
Além desta distorção, as peças noticiosas apresentadas são clamorosamente panegíricas, acríticas e não raras vezes ridículas. A actualidade política noticiada não é rigorosa, não é isenta, não acautela a pluralidade e perde-se em questões menores. Os grandes temas não são tratados convenientemente e a abordagem ao poder é deslumbrada e subserviente.
Contudo, nem tudo é mau. A Loures TV começa a ocupar um espaço de relevo entre as fontes propiciadoras de humor e boa disposição. Aconselha-se vivamente o visionamento da entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Loures, assim como a de todas as aparições, e são muitas, do Presidente da Câmara. Numa longa peça sobre a inauguração de uma exposição na sede do PSD na Urbanização do Almirante, na qual participou o Presidente da Câmara Municipal de Loures, pode-se assistir a uma memorável dissertação do Vereador João Galhardas sobre a criação artística (imperdível) e pode-se escutar o Presidente da Câmara a justificar a sua presença nessa iniciativa partidária com o facto de ser presidente até daqueles que votaram no PSD e que não mistura política com a gestão da Câmara.Num concelho onde o exercício da actividade política está cada vez mais marcado pelo surrealismo, a Loures TV era o palco que faltava para fechar a quadratura do círculo. Adaptando o título de um livro de Jerome Carcoppino sobre o apogeu do império romano, temos aqui uma imagem fiel da Vida Política Quotidiana em Loures no Apogeu da sua Insignificância. Uma feira de vaidades vãs que se consubstancia numa prática hedonista do exercício do poder, onde este surge como fim em si mesmo e meio de promoção pessoal e de grupo e não como forma de serviço público à colectividade.
Além desta distorção, as peças noticiosas apresentadas são clamorosamente panegíricas, acríticas e não raras vezes ridículas. A actualidade política noticiada não é rigorosa, não é isenta, não acautela a pluralidade e perde-se em questões menores. Os grandes temas não são tratados convenientemente e a abordagem ao poder é deslumbrada e subserviente.
Contudo, nem tudo é mau. A Loures TV começa a ocupar um espaço de relevo entre as fontes propiciadoras de humor e boa disposição. Aconselha-se vivamente o visionamento da entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Loures, assim como a de todas as aparições, e são muitas, do Presidente da Câmara. Numa longa peça sobre a inauguração de uma exposição na sede do PSD na Urbanização do Almirante, na qual participou o Presidente da Câmara Municipal de Loures, pode-se assistir a uma memorável dissertação do Vereador João Galhardas sobre a criação artística (imperdível) e pode-se escutar o Presidente da Câmara a justificar a sua presença nessa iniciativa partidária com o facto de ser presidente até daqueles que votaram no PSD e que não mistura política com a gestão da Câmara.Num concelho onde o exercício da actividade política está cada vez mais marcado pelo surrealismo, a Loures TV era o palco que faltava para fechar a quadratura do círculo. Adaptando o título de um livro de Jerome Carcoppino sobre o apogeu do império romano, temos aqui uma imagem fiel da Vida Política Quotidiana em Loures no Apogeu da sua Insignificância. Uma feira de vaidades vãs que se consubstancia numa prática hedonista do exercício do poder, onde este surge como fim em si mesmo e meio de promoção pessoal e de grupo e não como forma de serviço público à colectividade.






































