
Aparentemente o coelho é símbolo da Páscoa por influência irlandesa e egípcia (o Antigo Egipto). Por um lado os irlandeses levaram a Páscoa para os Estados Unidos da América e por outro, os egípcios viam no coelho um símbolo de renovação da vida e reprodução da mesma. Até aqui nada de estranho, dada a fama dos coelhos para reprodução e a voracidade com que os animais da família dos leporídeos se entregam ao acto. Mais esfomeados que em época de verdadeira fome.
Mas tudo seria normal se a Páscoa fosse apenas coelhos e alegria. Ora, alguém introduziu ovos na história e tudo se adensou num enorme mistério. Como é possível ter coelhos e ovos trazidos por estes animais simpáticos? A resposta parece simples, embora os factos pouco credíveis. Segundo uma lenda muito antiga, uma senhora pintou ovos de galinha e escondeu-os para que os filhos os procurassem, e durante a demanda os filhos viram um coelho em fuga e no lugar onde tinham avistado o animal fugidio encontraram os ovos. Um tremendo mito por resolver. Um coelho que foge e deixa como herança belos ovos de galinha coloridos.
Talvez por isso seja festejado outro acontecimento na mesma altura do ano: a Ressurreição de Cristo. Um homem que diz ser filho de Deus e não o encontrarmos. Cristo não fugiu, foi crucificado, mas como prova nem ovos nem respostas, apenas umas nebulosas sobre a sua história e vida. Os ovos serão os dogmas e mentiras da Igreja para justificar uma invenção do Homem, ou por outro lado, nem ovos nem coelho existiram?
Friedrich Nietzsche afirma que o Homem é tão pessimista que teve de criar a ideia de Deus para ter alguém acima dele. Talvez tenha razão e uma certeza partilho convosco: Nietzsche nunca teve coelhinhos e ovos da Páscoa.

