
2008/11/09
2008/10/31
2008/10/10
"ACABE-SE COM AS ELEIÇÕES"


Pelo noticiado em alguns órgãos de comunicação social, soube que a cerimónia de inauguração decorreu com a presença dos eleitos locais, do senhor presidente da Câmara, da senhora ministra, entre outros representantes de diversas instituições.
OK.
Acontece que resolvi questionar os meus representantes na Assembleia de Freguesia, sobre o evento. Se o Centro estava bem equipado, se o edifício era funcional, se os serviços prestados tinham melhorado em relação ao antigo, se na cerimónia de inauguração se tinha abordado a questão do Atendimento Permanente, se alguém tinha dado novidades em relação ao Hospital de Loures.
Pasme-se! Os eleitos da Assembleia de Freguesia não tinham sido convidados, nem sequer informados da inauguração.
Perante a minha incredibilidade, garantiram-me que é o costume, apesar dos constantes protestos por eles apresentados.
Não posso admitir que o meu voto não conte.
É certo que, infelizmente, a força política em que votei não ganhou as eleições. Mas é também certo o meu voto e de mais uns milhares valem tanto como os que obtiveram a maioria, o PS, que pelos vistos não sabe viver em democracia e nem cumpre os princípios básicos da democracia representativa.
Isto leva-me a pensar que se dependesse deles, as eleições acabavam-se.
Perigoso….
2008/10/05
2008/09/23
COMO SERIA A VIAGEM DE MAGALHÃES SEM BARCO???

Fiquei muito entusiasmada e pensei se seria possível nas nossas escolas. Investiguei e percebi que esse projecto era promovido por uma empresa informática e portanto também seria possível cá.
Acontece que o “município” espanhol tinha assumido a responsabilidade de fazer as adaptações físicas nos edifícios que permitiram a experiência.
Hoje iniciou-se, com pompa e circunstância a distribuição/venda do Magalhães pelas escolas do 1º ciclo.
Toda a gente aplaude e eu também.
Só que pelo que conheço das escolas, o acesso à Internet , quando existe, localiza-se num único espaço, sem rede sem fios.
Em Loures, teoricamente, todas as escolas têm acesso à Internet, geralmente nas bibliotecas, quando existem, ou no gabinete dos professores ou, nas escolas pequenas, numa das salas da escola.
Para as escolas, solicitar à Câmara que faça chegar o acesso a outros espaços é um esforço inglório.
Construir redes internas para poder usar-se o equipamento em causa é uma miragem.
Mas, estou espectante!
A seguir à propaganda, será que os municípios farão as adaptações necessárias?
Como seria a viagem de Magalhães sem barco?
2008/09/17
OLHA PRA MIM, SEMPRE À FRENTE!!!

Como não podia deixar de ser, o Presidente da Câmara de Loures correu para poder ficar na fotografia.
Não interessa se leu o contrato, se não o levou a Reunião de Câmara para ser analisado, estudado, aprovado. Se foi uma iniciativa pessoal, à margem do órgão a que preside, visto o assunto não ter sido levado a reunião.
O que importa é que ele esteve na linha da frente, tanto física como em obediência partidária.
E depois lá pensará que agora sim, é realmente dono das escolas todas.
Mesmo que não dê conta do recado (provam as obras de reparação de algumas escolas do 1º ciclo que começaram quando deviam estar concluídas, a falta gritante de Jardins de Infância, as refeições cujos pagamentos do ano passado estão por cobrar, etc….).
Que se cuidem os Agrupamentos de Escolas porque vai sobrar para eles!!!!
2008/08/31
A MORTE NÃO É NADA

Eu somente passei para o outro lado do caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei a ser.
Chamem-me como sempre me chamaram.
Falem comigo como vocês sempre fizeram.
Não utilizem um tom solene ou triste,
continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que o meu nome seja pronunciadocomo sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de vossos pensamentos,
agora que estou apenas fora de vossas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho...
Vocês que aí ficaram,
sigam em frente,
a vida continua linda e bela como sempre foi."
Santo Agostinho
Até sempre, Adão!
2008/07/23
FRIELAS

Conheço bem Frielas.
Em tempos passava por lá todos os dias.
Noutros tempos assisti, em Frielas, a reuniões interessantes. Relembro uma, em especial, em que um frieleiro defendia que em Frielas tudo era fácil e que as mudanças ocorreriam de certeza absoluta.
Agora passo lá menos vezes, mas continua tudo na mesma. Aldeiazita, rodeada de armazéns, cuja definição de progresso se resume ao IKEA.
Ontem, apesar das férias que tenho vindo a passar no Palácio do Saldanha, ali para os lados de Sesimbra, precisei de vir a Loures. E passei por Frielas, mais propriamente pela Ponte de Frielas.
O acampamento que esteve em frente à Câmara tinha-se deslocado para a rotunda que fica por baixo do viaduto.
Estava um calor de morrer e lá estavam muitas crianças a acompanhar os pais num protesto que não analisarei. Aquela gente, com aquelas crianças, anda nisto há vários dias.
Hoje, ao ligar a televisão, oiço o Presidente da Junta de Frielas dizendo que já se foram embora, que deixaram tudo sujo, que teve que fazer limpezas extra. Que “já se sabe, aquela gente por onde passa destrói tudo”.
Mas qual gente? Os ciganos?
Mas agora todos os ciganos são bichos?
Bastou o chefe ter aberto a boca aos sete ventos para os subalternos o imitarem. Na sua magnífica capacidade de análise o Senhor Presidente da Câmara resolveu resumir todos os problemas aos ciganos. Só por serem ciganos. Por serem ciganos é que não pagam a renda, não pagam a água, não querem trabalhar… Não colocando as questões na criminalidade e na exigência de que os criminosos sejam presos e na exigência da presença permanente das forças de segurança. Generalizou e resumiu. Porque para além dos casos de polícia que por ali proliferam, há outros e nesses outros há responsabilidades do Câmara. Pela ausência de intervenção. Pela ignorância do que se lá passa.
Numa entrevista à RTP2, RR e Público, o Presidente do CE do Agrupamento de Escolas da Apelação apresentou o trabalho que tem desenvolvido com os diversos grupos do bairro. A certa altura desabafou que as acções têm vindo a ser desenvolvidas de forma coordenada e conjunta e que ás vezes até faz alguma confusão à Câmara qual a autoria das mesmas.
Então a CML não sabe? Não deveria saber, participar? Ou talvez até coordenar?
São só os Ciganos os culpados? Todos???
Então e os outros?
Então e nós embarcamos nisto?
Agora são os ciganos, a seguir os romenos, depois os pretos. O pior é se chega aos socialistas. Também estragam tudo por onde passam. Não pagam aos fornecedores a tempo e horas e desprezam os que não são socialistas.
A Quinta da Fonte é um poço de problemas. Haja seriedade na procura das várias soluções.
2008/07/13
APELAÇÃO


Há já alguns anos que várias pessoas, habitantes da Apelação, eleitos em diversos órgãos municipais, têm vindo a alertar para a necessidade de uma intervenção séria no domínio da prevenção de situações como a que assistimos. Em alguns casos com propostas concretas que, não partindo dos eleitos do partido do poder, PS, são imediatamente rejeitadas.
Fingir que nada se passa, que todos estamos felizes, que em Loures não há pedintes, que os assaltos que aqui ocorrem não são feitos por habitantes do concelho, que as crianças de Loures não passam fome, que as escolas funcionam bem, não basta para que de facto assim seja.
Infelizmente tem sido este o discurso do Senhor Presidente da Câmara em todas as situações que revelam a necessidade de se actuar de forma diferente. Para ele dizer que está tudo bem, basta para que tudo esteja bem.
No início do seu mandato, quando o ouvia, achava que o seu discurso era fruto de alguma falta de informação associada a muita falta de humildade e educação – quiçá para esconder a sua insegurança. Hoje sei que é mesmo estupidez, ignorância e falta de sentido democrático.
Não posso deixar de associar as últimas notícias às que há cerca de um, dois meses, surgiram nos média sobre a visita do Senhor Presidente da República à Quinta da Fonte e à escola que a serve.
Realçava-se o bom trabalho feito pela escola em parceria com as instituições do bairro. Fiquei contente. Até porque sei do enorme esforço feito pelos professores e restante pessoal da EBI da Apelação. Mas desconfiada: em nenhum momento vi o Presidente do Conselho Executivo a falar sobre os progressos obtidos.
Conheci o referido professor há alguns anos, aquando duma reportagem passada na RTP, sobre a violência nas escolas e que mostrava imagens obtidas por câmaras colocadas nas salas de aula. Percebi tratar-se de uma pessoa séria, com vontade de alterar o estado das coisas e que dificilmente embarcaria em fogachos ou em actividades para “inglês ver”. Talvez por isso não apareceu no fogo de vista. Fez bem, mais uma vez.
Será que, apesar dos pesares, o Senhor Presidente da CML, ao invés de se rodear de técnicos da Rede Social que, qual pescadinha de rabo na boca, trabalham para que a referida rede se reúna, se reúna, se reúna, não perceberá que é urgente, urgentíssimo traçar um plano de intervenção para estes bairros, contando com a gente boa que estes possuem, com os técnicos das instituições locais e talvez colocar ao serviço desse plano as técnicas contratadas para a Rede Social.
Projecte-se um futuro para aqueles jovens.
Prendam-se os bandidos.
Para evitar mais tiros.
A despropósito:
Têm sido colocados alguns comentários sobre a minha identidade. Não, não sou a senhora Vereadora Anabela Feliciano.
Sou mais velha… um bocadinho.
Sou mais alta … um bocadinho.
Sou mais forte … um bocadinho.
E penso que mais faladora (apesar de não a conhecer para além da sua intervenção pública).
2008/07/01
PÁSSAROS

"Meninas e meninos: Às vezes, para explicar o comportamento dos homens, os escritores contam estórias. Pois hoje eu vou contar uma estória.
“Houve uma briga na floresta acerca da dieta a ser adotada por todos os bichos. De um lado estavam as vacas, as ovelhas, os patos, as galinhas, as girafas, os macacos, os bichos-preguiça, que diziam que a melhor dieta era a vegetariana, capim, folhas, flores, frutos. Alegavam que as coisas que cresciam da terra eram ricas em vitaminas e faziam bem à saúde. Do outro lado estavam as piranhas, as hienas, os gambás, os lobos, as onças que, ao contrário, afirmavam que o melhor mesmo era uma dieta de carne, porque a carne é rica em proteínas, que são fontes de energia. ‘Quem come carne é mais forte’, diziam. A briga fez tamanha confusão que os bichos resolveram decidir o assunto por meio da coisa mais democrática possível. “Vamos fazer uma eleição!” Todos concordaram. “Pela eleição vamos escolher os bichos que vão decidir a questão, por meio de leis”. Todos concordaram de novo. E assim aconteceu. Formaram-se dois partidos. Os vegetarianos deram ao seu partido o nome de “Partido das Bananas”, porque as bananas, sem dúvida alguma, são as frutas que melhor representam a alma dos vegetarianos. Todo vegetariano gosta de banana. Além disso, há bananas em abundância na floresta. Ninguém ficará com fome. Os outros bichos se reuniram e pensaram que o nome do seu partido deveria ser “Partido do Churrasco”. Pois essa era a verdade: eles gostavam de comer carne. E o seu símbolo deveria ser uma lingüiça. “Partido da Lingüiça”: só de falar o nome a boca se enchia d’água...
Mas os carnívoros eram espertos. Sabiam que a verdade nem sempre deve ser dita. Perceberam que nenhum membro do Partido das Bananas iria votar num candidato do Partido da Lingüiça. Por uma razão simples: os bichos vegetarianos seriam aqueles que seriam transformados em churrasco. Os bifes das vacas, as lingüiças dos porcos, os peitos dos francos, os perus assados, as coxas dos avestruzes... Todas as pesquisas do IBOPE indicavam que os vegetarianos ganhariam as eleições, por serem em número muito maior que os carnívoros. Assim, astutamente, reuniram-se para saber o que fazer. Um camaleão chamado Duda, carnívoro, apreciador de rinhas de galo, o sangue sempre o excitava, pediu a palavra: “Companheiros”, ele disse, “guerras são ganhas enganando-se o inimigo. Essa é uma lição que aprendemos dos humanos. Os soldados se camuflam para chegar perto de suas presas. Vestem-se de forma a parecer árvores e folhagens. Quando os inimigos se dão conta é tarde demais. É assim que eu faço. Mudo de cor. Fico parecendo um galho de árvore. O inseto só me percebe quanto minha língua visguenta o lambe. Queria sugerir, então, que usassem a minha tática. Se nos proclamarmos carnívoros os vegetarianos não votarão em nós. Vamos nos fantasiar de vegetarianos!” Todos aplaudiram a brilhante reflexão do camaleão Duda e resolveram dar ao seu partido um nome bem ao gosto dos vegetarianos: “Partido dos Abacaxis”. Todo mundo gosta de abacaxis, tão doces, tão perfumados, tão brasileiros. E assim foi. Iniciou-se, então, a campanha do Partido das Bananas contra o Partido dos Abacaxis. Os vegetarianos faziam comícios em que bananas eram distribuídas por todos. As galinhas, os patos e os perus não perdoavam nem mesmo as cascas... Os carnívoros promoviam grande churrascos só que, ao invés de picanhas sobre as brasas, eram abacaxis sobre as brasas. Faziam churrasco de tudo quanto é vegetal. Além dos abacaxis, bananas, pinhões, batatas, mandioca, cebolas, tomates, pimentões. Assim, os dois partidos tinham o mesmo programa: dieta vegetariana para todos.
Os membros do Partido das Bananas sentiram, de longe, o cheiro bom dos churrascos dos Partido dos Abacaxis. E começaram a se aproximar. Perceberam que os membros do Partido dos abacaxis não eram tão maus quanto se dizia. Chegaram mais perto. Provaram. Gostaram. “É, churrasco de banana é mais gostoso que banana crua”, disseram. E até os macacos aderiram.
Aí veio a eleição. É preciso não esquecer que eleições têm por objetivo escolher aqueles que terão o poder de fazer as leis. Eleitos democraticamente, decidiriam democraticamente a dieta de todos os bichos. As decisões dos representantes seriam leis para todos. Ao dar aos seus representantes o poder para decidir, os bichos estavam, com esse ato, abrindo mão do seu direito de decidir. Depois de feitas as leis, só lhes restava obedecer.
Empossado o congresso, os representantes elegeram o seu presidente. O bicho que recebeu mais votos foi a Hiena, famosa por seu senso de humor: estava sempre dando risadas. Na sua posse ela fez um lindo discurso sobre as excelências da dieta vegetariana. E para terminar deu uma aula de filosofia. “Como disse o filósofo alemão Ludwig Feuerbach, nós somos o que comemos. Vacas e veados comem capim; portanto são capim. Macacos comem banana; portanto são bananas. Galinhas e patos comem milho; portanto são milho. Pássaros comem alpiste; portanto são alpiste. Assim, onças que comem vacas e veados estão, na verdade, comendo capim. Uma cobra que come um macaco está, na realidade, comendo bananas. Um gambá que come galinhas está, na realidade, comendo milho. E um gato que come passarinhos está, na realidade, comendo alpiste. Assim sendo, e em cumprimento às promessas que fizemos no período eleitoral, proclamo a lei de que todos os animais terão de ser vegetarianos, cada um do seu jeito. Viva a República Vegetariana!”
O discurso da Hiena foi saudado com uma grande salva de palmas, seguido por um festival gastronômico em que hienas, onças, lobos, cães vadios, cobras, gambás e gatos churrasqueavam vacas, veados, macacos, galinhas e passarinhos. “Pois Feuerbach não disse que somos o que comemos? A lei é clara: todos os animais são vegetais transformados...
Aí os membros do Partido das Bananas perceberam que haviam caído numa armadilha. Leis são armadilhas. Uma vez feitas não podem ser desrespeitadas, a menos que sejam revogadas por aqueles que as fizeram, os representantes eleitos.
Mas quem teria poder para revogar essa lei? Olhando para os gordos animais do Congresso era claro que nenhum deles estava disposto a trocar costeletas, lombos e lingüiças por alface, couve e cenoura... Concluíram, então, que com aquele congresso de carnívoros a reforma política jamais seria realizada. Aprenderam então a mais dura lição da política: quem faz as leis são aqueles que têm poder. O ganso grasnou então um ditado que havia lido num livro inglês: “might makes right”, o poder faz o Direito.
Foi então que um leitão rechonchudo chamado Alfred Hitchcock pediu a palavra. Ele já havia experimentado a dor da perda de sua mãe, comida por uma onça que falava enquanto comia: “Que deliciosa é essa porca! Ela é milho, é abóbora, é mandioca, é batata! Como é boa a dieta vegetariana!” Pois bem. O dito leitão ponderou: “Eu não posso enfrentar a onça. As galinhas não podem enfrentar os gambás. Os cordeiros não podem enfrentar os lobos! Mas os pássaros! Milhares de pássaros em seus vôos rasantes e bicos pontudos! Que poderão fazer as onças, os gambás e os lobos contra o ataque de milhares e pássaros? Vamos chamar os pássaros! Eles são vegetarianos! São nossos aliados!”” E assim aconteceu. Vieram então, em bandos que tapavam o sol, milhares de andorinhas, pássaros pretos, sabiás, pardais, tico-ticos, periquitos... Invadiram o edifício do Congresso. Foi um pandemônio. O espaço escureceu. O barulho dos pios e dos gritos dos pássaros era ensurdecedor. Milhares de bicos bicando sem parar em mergulhos certeiros. Além disso, por onde iam soltavam seus excrementos moles e fedidos que escorriam pelas caras dos excelentíssimos. Os representes gritavam histéricos: “Isso é conspiração! Estão tentando desestabilizar o governo!” Mas os pássaros nem ligaram. Continuaram a fazer o que estavam fazendo. Os gambás, onças, lobos, cães vadios e hienas fugiram e nunca mais voltaram, com medo de que os pássaros lhes furassem os olhos...”
Agora, meninos e meninas: ajudem-me a chamar os pássaros..."
Rubem Alves
2008/06/13
A TRISTEZA E OS PALHAÇOS
2008/05/29
2008/05/25
ABENÇOADO T2


Pouco a frequenta, os vizinhos nunca o viram.
Mas o certo é que comprou um T2 bonzinho, com duas casas de banho, cozinha equipada, com uma boa marquise, dois quartos com 15 e 12m2 e uma boa sala com vista, enfim a vista não é lá grande coisa pois o apartamento está virado ao cemitério.
Caprichos de artista!
No último fim de semana, aquando da sua deslocação a Lisboa para promoção do filme recém estreado, resolveu vir pernoitar na sua casa. Alugou um carrito, um Fiat Punto azul, de 2001, em muito bom estado, foi à Galp pôr 10 € de gasolina, entregou uma senha desconto dumas compras que tinha feito no Continente e fez-se ao caminho.
E aqui começa a verdadeira notícia.
O homem anda desde ontem circulando entre rotundas. Ele é a rotunda da Dyrup, ele é a rotunda da Clínica, volta para cima e faz a rotunda do ferro velho, volta para baixo, nova voltinha, nova rotunda… E não consegue atinar com a “segunda à esquerda de quem vem de cima” que tinha imprimido do Googlle Earth.
Cansado de tanta controlar as rotundas, parou o carro e pensou:
- Nã, isto aqui há coisa! Só podem ser os cor-de-rosa alaranjados que me impedem de chegar ao meu destino.
Mas porquê?? Será que a Caveira Prateada que guardo no roupeiro do quarto pequeno e que permitia a esta gente livrar-se do Homem do Bigode e comandita, foi descoberta pelos assessores?
Mas é claro!!! Só pode.
Sendo assim, isto é caso para o Indiana Jones. Só ele pode impedir que o Homem do Bigode, comandita e assessores encontrem a Caveira Prateada.
Vai daí, pega no telemóvel, liga para o 0087600321008, número secreto do Indy e contrata-o para esta nova cruzada.
E agora sim, a notícia realmente importante:
Indiana Jones em busca da Caveira de Prata
Abençoado T2 !!!
2008/05/14
QUEM PODE, PODE!
2008/04/23
SEMENTES

Vivo num país de mar.
De alecrim.
De sementes.
E às vezes esqueço-me. Do mar, do alecrim, das sementes. Parece-me que as sementes não nascem. Que o alecrim perdeu o cheiro. E que o mar é só água.
Não me apetece ler, não me apetece escrever.
Mas depois acontecem pequenas coisas, pequenos gestos, pequenas brisas, que me fazem reagir. Sentir que afinal o mar é uma larga estrada, que o alecrim, junto com o cheiro dos cravos, faz explodir as sementes que teimam em romper a terra.
Foi o que me aconteceu hoje.
Fui visitar uma amiga a uma escola. Grande, de muita gente. E no bar da sala dos professores, estava a Elsinha. Minha conhecida desde há alguns anos. Serviu-me um café, acompanhado de um abraço apertado. Com dificuldade cortou o croissant e disse "OH M.. está tudo bom?" Estava optimo.
Porque me fez lembrar que estamos em Abril e que foi um mês como este que permitiu que a escola dos outros fosse também a dela.
A Elsinha tem Trissomia XXI e está a aprender a ser grande.
2008/04/17
2008/04/10
2008/03/22
CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO


Esta ausência de reuniões dever-se-á ao facto da Educação não ser um tema de interesse nos dias que correm e talvez porque em Loures está tudo a correr bem.
Ou será porque o Presidente da Câmara Municipal de Loures, eng. Carlos Teixeira, não pesca nada do assunto?
E será que na Assembleia Municipal não haverá ninguém que pergunte ao Presidente da Câmara Municipal de Loures, eng. Carlos Teixeira, porque não cumpre a lei ao não convocar o Conselho Municipal de Educação, pelo menos uma vez por período escolar? ( Já falharam 3).
2008/03/21
OS FILHOS


pintura de Zilda Zanella
Nem a amêndoa de Deus escondida entre livros,
Nem a dúvida, serpente cartesiana sem tréguas,
Nem o colmilho frenético do lobo, irmão lobo!,
Nem o sorriso enfático do símio, avô símio!,
Nem as clareiras abertas pela morte em meus bosques,
Nem as pedras bem vivas de antigas catedrais,
Nada abateu meu rumo com igual brisa. Nada
verteu em meu sangue fervente tanta púrpura. Nada
libertou de limites minha matéria finita,
tornou em fibra de antena minha crédula indolência,
me cercou de temores da imprevista entorse
do azar destrutivo, das complexas máquinas.
Nada me convenceu eu ser substância perdurável,
Clamor de rio que corre para lá da morte.
Nada me deu esta fórmula de amar sem outro anseio
Senão amar.
Somente os filhos.
Miguel Otero Silva, Venezuela, 1908-1986














