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2008/09/27

AS CADEIRAS DO PODER




O Vice-Presidente da Secção de Loures do PSD não tem a confiança técnica e política do Vereador João Galhardas, vereador eleito pelas listas do PSD, e rapaz de fretes à maioria socialista em Loures. Assim, o Vereador do PSD entende razoável o afastamento do seu companheiro de partido da Administração dos SMAS, onde havia chegado, exactamente do mesmo modo como o Vereador Galhardas chegou à assunção de responsabilidades executivas em Loures, através de um acordo de gestão feito com o PS.

A substituição de Armando Curado far-se-á mediante a entrada de António Teixeira, também militante do PSD, e conhecido por ser da confiança da maioria socialista, a quem fez razoáveis jeitinhos no anterior mandato, no qual foi Vereador eleito nas listas do PSD.

Resta saber o que acha o PSD, ou os PSD`s, desta dança de cadeiras em que participam militantes seus, mas que me parece que acontece por decisão e conveniência do PS.

O PS, desde que chegou ao poder em Loures, sabe que tudo na vida tem um preço, até as pessoas que se dão a esse papel. No PSD, o PS encontrou vários transaccionáveis, dispondo hoje de uma carteira simpática de activos laranjas, que entre a lealdade a convicções e o conforto do encosto ao poder, não têm grandes dificuldades de decisão.

No meio da confusão instalada, o Vereador João Galhardas, exemplo de verticalidade, já foi avisando que “as acções desenvolvidas justificam-se pelo facto de o meu compromisso com o eleitorado ser inabalável”. Para os menos dados a interpretar o politiquês, no actual contexto, esta afirmação significa, que o Vereador João Galhardas se está positivamente nas tintas para aquilo que o seu partido venha a decidir em relação ao entendimento com o PS em Loures, porque no que lhe diz respeito ele está a entender-se muito bem com a malta e está bastante satisfeito com o seu lugarzinho de Vereador. Aliás, sente-se irremovível da cadeira do poder...

2008/07/30

SALÁRIOS DOS GESTORES PÚBLICOS BAIXA 1%!




Secretário de Estado do Tesouro e Finanças desmente notícia
Governo nega que salários dos gestores públicos tenham aumentado

29.07.2008 - 15h02 PÚBLICO



Os salários dos gestores públicos parece que não aumentaram, terão até reduzido o valor global em 1%! Continuam apesar disso a ser dos mais elevados da UE. Não sei se isto não será um escândalo?
Mas mais escabroso é o facto de a maioria destes lugares estarem ocupados por diligentes militantes do PS, PSD e CDS-PP, os mesmos partidos que mais zurzem no sector público do estado. Afinal são os que mais ganham com a sua existência! Dividem os lugares entre si. Pagam-se muito bem. Quando estão no "activo político" dizem mal que se fartam da existência de empresas públicas, de como são um entrave ao desenvolvimento, etc, etc... Mas quando acabam as suas comissões políticas vão a correr gozar o El Dourado de um qualquer Conselho de Administração.

2008/06/10

NACIONAL CANÇONETISMO



O PSD, agora “revigorado” com nova liderança, resolveu dar uma achega ao problema dos protestos dos camionistas. Assim, revelando grande capacidade política, apelou a que o Governo mostrasse sensibilidade perante os protestos e apresentasse uma solução para o problema. Questionado sobre a solução, o deputado do PSD, Jorge Costa, respondeu que "a solução é o Governo que tem de encontrar". "Não nos compete a nós dizer qual é a solução em concreto".
A questão não é a competência do Governo para encontrar uma solução. A questão é que a música que o Governo toca e igual à que o PSD tocou, estaria a tocar, se fosse Governo, e que tocará, se voltar a sê-lo.
Nunca antes a expressão “Vira o disco e toca o mesmo” se aplicou na política portuguesa com tanta oportunidade.

2008/06/07

MERCADO DE TRANSFERÊNCIAS




João Galhardas, que tem estado emprestado à equipa rosa desde o meio da época, pode estar a ver caducar o seu contrato com a equipa de origem. Os laranjas, em profunda limpeza de balneário, equacionam não renovar com o desportista por mais uma época, o que o coloca no mercado de aquisições.

O mister dos rosas equaciona a possibilidade, só lhe faltando concluir se a sua equipa precisa mesmo de mais um apanha bolas.

Contactado pelo Diário Pé de Chumbo o atleta mostrou a sua disponibilidade para continuar a jogar seja porque equipa for, afirmando em discurso directo, - O João joga com qualquer camisola. O João só precisa de carro, motorista, massagistas e outro pessoal, que faz sempre falta para que o João não esteja só, e o mesmo ordenadito, porque o João já está habituado e agora era mau momento para mudar a situação do João.

A FÉ DE PACHECO


Imagem retirada daqui.

A eleição de Ferreira Leite alcançou já um efeito assinalável. Consegui colocar Pacheco Pereira a dizer bem de um líder do seu Partido. Teve contudo um efeito nefasto, avivou a veia de crente do mesmo Pacheco, que agora até já acredita em milagres!
E ainda...
A FÉ DE PACHECO, via PONTOS SOLTOS.
Pacheco Pereira, desde a vitória de Manual Ferreira Leite, preconiza a vitória do PSD nas legislativas de 2009, e leva as suas palavras a tal ponto que quase se consegue notar nelas um laivo de religiosidade e fé, que praticamente elevam a nava líder do partido ao estatuto de Messias. Um novo dogma-fé foi encontrado.Só falta saber até onde irá a fé deste homem, ficando na dúvida se ele irá ingressar mais tarde as fileiras de pessoas que acabaram por ser desiludidas pela religião.

2008/05/23

TONS DE LARANJA


Imagem Via Henricartoon


Há algum tempo, publiquei aqui no Palácio um texto sobre o abaixo-assinado apoiando a candidatura de Alberto João Jardim a Presidente do PSD. Nesse texto referi o apoio dado à candidatura por um militante do PSD de Loures. Como esse militante foi aqui referido pessoalmente, publica-se hoje o seu texto de opinião sobre o PSD e sobre a contenda eleitoral interna do seu partido. O original pode também ser lido na publicação original, mais interessante porque está ilustrada, no blogue pessoal de Pedro Nunes.
#

O partido dos laranjinhas fez anos. Tantos quantos a democracia (possível) desta terra, que ajudou a fundar.
Motivo para trocar palmadinhas nas costas e acender velas.
De aniversário.
Mas também de velório.
Após o falecimento, por doença degenerativa, de uma Direcção incapacitada há muito para o exercício prático de funções.
Alumia-se-lhe o cadáver ainda quente...
[...O que não deixa de encerrar algum absurdo: com um ano apenas de mandato, Luís Filipe Menezes e sua equipa conseguiram entrada merecida na galeria dos benfazejos do partido, por dois actos memoráveis.
Primeiro, ter apeado Marques Mendes do pavoroso sonho de vir a ser Primeiro-Ministro.Segundo, ter saído pelo próprio pé antes de correr o risco de o sonhar também.]
Mas mais velinhas se acendem.
Agora de súplica e devoção.
Arrancou a corrida à liderança do PSD. E exige-se que um partido com tanta gente faça sobressair os seus melhores.
Como militante, votarei. Como sempre. Com a maior consciência da responsabilidade que o meu voto pode ter. - Sou dos que acreditam que o que desta eleição resultar tanto pode ajudar ao erguer desta Nação como ao seu enterro definitivo.
E neste contexto de desfile de candidaturas e candidatos, urge fazer uma reflexão definitiva sobre os candidatos que parece arredada do palco político.
- A reflexão de um social-democrata a que não só a oportunidade como a consciência e a coerência me obrigam.

Candidato Neto da Silva.
Ex-Secretário de Estado de Cavaco Silva.
Não conheço. Não sei quem é. E não voto em quem não conheço. Nem eu nem os outros portugueses. E se nele nunca votariam, por maioria de razão pouco sequer interessa o que o senhor tenha a dizer no presente contexto.
[É cruel, a verdade política.]

Candidato Patinha Antão.
Doutorado em Economia, Professor Universitário, Secretário de Estado-Adjunto, Vice-Director de Direcção-Geral, Chefe de Gabinete, Director de Gabinete, Deputado.
Uma das poucas figuras que pelo partido fala de Finanças como quem sabe do que fala e frequentemente tábua de salvação de um indigente Grupo Parlamentar laranja neste (...) domínio.

Já andou por muito lado, conseguiu mobilizar caramelos para recolher assinaturas por ele - que chegaram a vir a minha casa - mas os votantes não o encaram como um candidato "a sério" nesta eleição.
"E se nele nunca votariam"..., idem aspas.

Candidata Manuela Ferreira Leite.
Economista, Directora de Departamento, Directora-Geral, Presidente de Conselho de Administração, Técnica Consultora, Chefe de Gabinete, Professora Universitária, Deputada, Secretária de Estado, Ministra por duas vezes, Membro do Conselho de Estado e Comendadora.
A sua entrada na corrida à Presidência do partido elevou a fasquia para todos os candidatos.Mulher de longo currículo, muitas artes e imagem publicada de severidade e rigor, com uma longa e fiel corte de dependentes em cascata, é uma concorrente a ter em conta.
Pena é não ter assumido ainda a sua quota-parte de culpa no panorama em que hoje Portugal vive.
Não se é (?) impunemente membro de sucessivos Governos, aparecendo um belo dia como salvadora do País que se ajudou a moldar.
[E é assustadora a proximidade que se percebe entre a sua visão socio-política e a do "Governo" actual.]
Mais: Manuela Ferreira Leite contribuiu activamente para o descrédito em que a política hoje se encontra.
Engrossou a casta da clientela iluminada que assume indiferenciadamente qualquer mandato que esteja à mão, não deixou nem marca nem saudade nos Ministérios que dirigiu - Educação ou Finanças -, não disse "presente!" no momento da vida do seu partido em que era obrigada a fazê-lo (quando Durão Barroso saiu) e limitou-se a integrar o coro grego de agoiro de Direcções, em que muitos dos seus cortesãos se movimentam.
Agora, é mero rosto daquilo que a falange mendista consiga reacender após a derrota que lá vai e do seu objectivo de reconquistar o partido, encerrando um sonho mau em que tem vivido.

Candidato Pedro Santana Lopes.
Advogado, Professor Universitário e Regente, Presidente de Conselho Fiscal, Presidente de Conselho de Administração, Assessor de Gabinete, Adjunto de Ministro, Presidente de duas Câmaras Municipais, duas vezes Secretário de Estado, Deputado, Deputado ao Parlamento Europeu, Primeiro-Ministro, Presidente de Clube Desportivo, Comendador numa data de países.
Santana Lopes concorre fundamentalmente por si próprio. Não pelo seu partido.
Não entendendo que o epíteto de imortal da política mais faz dele um chato que um resistente, Santana pretende corrigir a História.
Uma História que não percebeu que avança, que muda e que se fecha.
Fui (e sou) dos poucos que ouvi afirmar alto que a trapaça institucional a que Santana foi sujeito pelo ex-Presidente Jorge Sampaio não passou disso mesmo. Uma canalhice de contornos partidários.
O Presidente da República concretizou um Golpe de Estado constitucional, interrompendo o mandato dum Governo quatro meses depois de ter optado pessoalmente por dar-lhe posse.
Sob pretexto levianamente aludido de (sic) "uma série de episódios", a que acrescentou (sic) "dispenso-me de os mencionar um a um pois são do conhecimento do País", cobrando a um Governo de quatro meses a "obra consistente e estruturante na resolução dos problemas" não realizada.
...Mas isso é História Antiga. Passada. Encerrada.
Se Santana se considera hoje uma vítima sedenta dos seus tempos de Governo, não tem senão que engolir o sapo, procurar Sampaio a uma esquina escura ou esperar por uma encarnação em que concretize o seu desígnio de governante de sucesso.Tudo mais, é puro delírio.
Mesmo que tenha consigo um resto de santanistas não encaixados no partido desde o seu desaire e uma falange de menezistas que prefere as apostas altas, não é a espécie de oposição ao "Governo" PS que desenvolveu em articulação com Filipe Menezes que o torna nem opção séria para o partido nem para o País.

Candidato Pedro Passos Coelho.
Economista, Professor Universitário, Gestor, Deputado, Autarca.
Com ele estão todos os outros menezistas. Isto é, todos os que ajudaram a eleger Luís Filipe Menezes Presidente contra Marques Mendes - mesmo que mais por missão que por convicção, como eu.
O seu currículo é curto. O que o ajuda, ou nem tanto.
Num País parolo como o nosso é possível que se olhe para Passos Coelho como um candidato politicamente menos capaz, por não ter estado tão amesendado como os seus concorrentes em cargos e lugares no Estado.
Mas a sua distância do Estado e do aparelho do Partido permitem-lhe uma independência de discurso em relação à degradação actual da Nação e ao pedido de confiança para agir que as demais figuras elegíveis não alcançam.(Apesar de, com alguns apoios, estar tão mal acompanhado como os demais...)
Um homem novo; um discurso com um novo tom; eventualmente uma nova mentalidade... A única possibilidade em aberto do fraco leque de escolhas.
É ele que receberá o meu voto.
João Jardim. O candidato que nunca o foi.

Seria seu o meu voto. Fosse a sua candidatura mais que um espectro.Por isso apoiei o seu avanço em altura própria. Quando o que parecia estar em causa era uma questão de apoios...
E a explicação da minha posição não precisa de muitas mais palavras do que as que escrevi na resposta ao Palácio do Marquês, que fez uma graça com a minha manifestação pública:
"É essa a medida do meu patriotismo: não me interessar se João Jardim tinha possibilidades contra Sócrates ou sequer à frente do PSD. Apenas a certeza de que a podridão geral em que este País chafurda precisa de um, dois, dez João Jardim, que abanem este charco e nos façam abrir os olhos de uma vez. Tudo que lá não chegue, é jogar para o empate, é brincar com coisas sérias, é dar de comer à vergonha de não fazer nada contra este estado de coisas. Mas o JJ já não concorre. E o País respira tranquilidade e paz."
Jardim, ao contrário de Santana, não concorre por si.
Faz política por si.
Disse-o em tempos e repito-o à exaustão:
«Como percebo o que disse João Jardim sobre a necessidade absoluta de uma frente de "combate ao Governo Sócrates", abarcando "todas as forças politicas, sem excepção" desde que firmes neste propósito. [...] Da mesma forma que percebo o que dizia Jardim sobre as últimas Presidenciais: "os candidatos que se perfilam para Belém não defendem o interesse de Portugal". [...] Em suma, é verdade que o País "está a ser conduzido por gente louca" e que "se Portugal não se livrar deste Primeiro-Ministro e deste Ministro das Finanças vai atravessar momentos dramáticos". Até porque "a asneira tem rosto e não é depois do mal feito que o país deve acordar"."Não dá para dissociar homens de políticos, pelo que o embrulho ficará sempre mal atado.Mas até lá, João Jardim será referência de um homem de coragem num mar de cobardes, um homem de acção e obra entre incapazes, um homem frontal e temerário no meio de convencionados.»
Quem tivesse visto certa entrevista na RTP com a Judite de Sousa, teria esclarecido que "O Alberto João" é um genial cromo retórico com que Jardim distrai as atenções de papalvos enquanto governa sem que o aborreçam.
«Rigoroso, coerente, ponderado, incisivo, sobrando-lhe tempo de sobra para os recados às instituições, aos governantes e aos portugueses", quando quer.Mas perante a lôbrega pergunta: "E não teme os prejuízos políticos que daí possam vir?" e a resposta lapidar "Eu não tenho que pensar em mim.", pouco ficou para dizer.
Claro que o dr João Jardim continuará amanhã a ser visto (ou queira-se fazer parecer) como um louco. No Portugal do politicamente correcto [denunciar como ele o faz] é impensável. Só explicável por uma profunda perturbação mental.
Mas no fundo, nesta terra, quem são os alienados, quem são os carcereiros, quem está irremediavelmente fechado, onde e porquê?
Quantos homens destes seriam necessários para subverter a ordem instalada no hospício?»«Um político com defeitos públicos desfraldados e provocantes. Ao contrário de outros, com defeitozinhos privados e mesquinhos.
Um homem frontal. Ao contrário da casta dominante de castrados que nos governa.Um governante de ideais, projectos e riscos. Ao contrário dos tíbios de verbo fácil que pululam e infestam uma política paralisada pelo politicamente correcto.»
Mas a oportunidade perdeu-se e a fria realidade convoca-nos.

Via Pedro Nunes no Mundo

2008/05/07

FOTO BRILHANTE




Esta fotografia, publicada hoje no Público on-line, vale todas as palavras do texto que ilustra. Será possível que o PSD entregará as chaves da São Caetano a Santana? Será possível que estejamos a assistir ao colapso do maior partido da direita? Será possível, que a escolha recairá sobre a pior das hipóteses?
“Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu.” Santana Lopes personifica este adágio popular na plenitude. Após o desastre de Lisboa e a passagem meteórica pelo Governo da República, apresentar-se ao país de carinha lavada e beicinho definido é obra!

2008/05/04

PONHAM OS BARÕES NO PREGO


O Público de hoje, 4 de Maio de 2008, noticía a dificuldade do PSD em conseguir pagar a multa aplicada pelo financiamento ilegal da SOMAGUE. Ribau Esteves pede ao tribunal constitucional o fraccionamento da multa em suaves prestações. No PSD está tudo muito difícil, até as finanças. Parece que as medidas de contenção e rigor orçamental, que no governo advogaram e aplicaram ao país, não foram seguidas na sua própria casa. O défice estimado andará pela casa dos 13,5 milhões de euros.
Entretanto, em plena campanha eleitoral para o governo da depauperada casa, os Barões que todos disputaram, à laia de quem conta espingardas, são agora enjeitados. Todos os candidatos os têm nas suas fileiras, mas nenhum os quer!
Se humildemente puder ajudar, sugiro que os coloquem no prego, procurem um crediário ou uma casa de antiguidades e os convertam nos euros necessários para pagarem a tal multinha, que foi muito bem aplicada.

2008/05/03

NA CASA DO VIZINHO XI

Crise da fome ou o ovo da serpente?

"Vi, há muitos anos, creio que em finais dos anos 70, o fabuloso filme de Ingmar Bergman com o título “O Ovo da Serpente”. Nesse filme mostram-se os sinais do mal que ia incubando no mundo fútil e distraído que antecedeu a 2ª Guerra Mundial. À saída, perguntávamos uns aos outros, incrédulos, “como foi possível que não se tivesse visto a tempo?”Lembrei-me desse filme a propósito da já impressivamente baptizada como a Crise da Fome, que explodiu nos jornais como uma bomba.
De repente, sabemos que os alimentos básicos como o arroz, o milho e o trigo começam a faltar no mercado e os preços sobem em flecha, nalguns casos cerca de 40%. E como é que se acendeu o rastilho? Foi por análises atentas, acompanhamento dos mercados, estatísticas, mudanças de décimas e milésimas nas balanças comerciais ou nos mil e um relatórios sobre tudo e mais alguma coisa com que nos informam diariamente? Não. Foi porque começou a haver revoltas das populações com fome. Em vários países deste pequeno e global mundo, grupos de cidadãos ameaçam governos e, nos que já nem têm forças para tanto, as pessoas morrem por falta do pouco que tinham, os alimentos básicos. O Presidente da FAO terá falado do assunto há cerca de um ano, parece que não lhe ligaram muito, é facto que as eleições nos EUA ocupam milhões de noticias, comenta-se cada ruga da senhora Clinton ou a gravidez da nova ministra espanhola, os horrores de um louco austríaco indignam o mundo e pergunta-se “como foi possível?”Ouvimos todas estas notícias e é inevitável pensar como tudo isto é transmitido de uma forma fútil, a maioria do que se mostra, analisa e evidencia é episódico, o tempo que perdemos a ouvir isto tudo é puro desperdício, mas o que é importante, o que envenena insidiosamente o mundo em que vivemos, é escondido até que a desgraça se abata sobre as nossas cabeças.
Pense-se na crise do subprime, que, ao menos na aparência, apanhou toda a gente de surpresa e continua a minar sem se saber ao certo o quê, e agora a falta de cereais, um drama mundial de consequência imprevisíveis, atinge-nos com a força de um explosivo escondido. Ouvi hoje que a especulação bolsista terá uma grande responsabilidade nisso. Li ontem que a procura de alternativas aos combustíveis fósseis levou ao cultivo desenfreado de agrocarburantes, que as urbanizações cresceram em terrenos de cultivo, que a produção de arroz e trigo deixou de ser rentável para os agricultores…
Por todas estas razões ou ainda por outras, o facto é que não consigo entender esta distracção global. Numa época em que o ambiente ocupa o top das agendas, em que as mudanças climáticas nos ameaçam com as consequências a séculos ou milénios de distância, fazem correr milhões e milhões, em que se investigam os solos, as nuvens e as partículas, nesta maravilhosa época em que tudo se sabe e quase tudo se prevê, ninguém reparou na crise da fome? Começou ontem, nos jornais, ou a quem é que interessou que não se falasse disso? Soube-se hoje que vão agora ser disponibilizados uns larguíssimos milhões de dólares para remediar os efeitos imediatos, enquanto se preparam pacotes de “medidas” para o futuro. Mas as serpentes,ainda estarão no ovo?"
Texto de Suzana Toscano, publicado no Quarta República.

2008/05/02

TAMBÉM EU VOTARIA CONTRA


Recentemente a Direita chumbou, na Assembleia Municipal de Lisboa a atribuição do nome de Rogério Ribeiro a uma das Ruas da Cidade. Não seria um nome oportuno! Era o nome de um homem de paz, de um dos mais notáveis artistas plásticos contemporâneos.
Hoje contudo, apresentou e aprovou, na Assembleia da República, o voto de pesar pelo desaparecimento do Cónego Melo, uma personagem sinistramente beata, que até entre os sectores progressistas da Igreja causava calafrios. Com a sua morte, o país não ficou mais pobre, nada de bom no nosso passado recente lhe é devido.
Lamenta-se a morte, claro. A morte de alguém não deve ser motivo de regozijo de ninguém, mas as honras públicas devem estar reservadas àqueles que a colectividade quer mostrar como exemplo. Por isso, não se justifica o voto do PS na Assembleia da República. Não é verdade que a aprovação deste voto de pesar não aqueça nem arrefeça. Quanto ao visado, frio está e frio permaneça, porque fria e cruel era a sua visão do mundo.

Em suma, a Direita mostra a sua raça e o PS a sua desorientação!

2008/04/29

O(S) MILITANTE(S)




46) Nome: Pedro M.de Almeida Nunes Militante: 59184 Localidade: Loures

Este senhor, militante do PSD, subscreveu o manifesto de apoio à candidatura de Alberto João Jardim à presidência do PSD. O Palácio aprecia gente corajosa e audaz. O senhor quer mesmo que Alberto João Jardim concorra contra José Sócrates nas próximas eleições legislativas? Nem nos nossos pensamentos mais maldosos conseguimos desejar tanto mal ao PSD!
Actualização;
Há mais um!
259) Nome: Orlando Sancho de Lemos Militante: 7893 Localidade: Bucelas

2008/04/19

SOMBRAS CHINESAS



"Pi Ying, é um espectáculo de sombras. As figuras, os cenários e os acessórios do espectáculo são feitos de couro de burro ou boi. Para fazer o espectáculo, usam-se um tecido de seda branco como pano em frente, e lâmpadas atrás do pano; os apresentadores manipulam as figuras, os cenários e os acessórios atrás do pano, falando e cantando, acompanhados com música. São as sombras no pano que contam a história. Esta forma de entretenimento surgiu na Dinastia Song do Norte (960 - 1127)."





"Há dias um blog veiculava em termos oficiosos (sob anonimato) a opinião oficial da CDU (redigida por alguns dos seus autarcas) sobre a intervenção do Partido Social Democrata, relacionada com as últimas cheias em Loures, o que lhes causaria algum incómodo.
Alegadamente, as minhas posições críticas em relação à inoperância da maioria socialista confundiriam os eleitores, em virtude de alguns representantes do PSD na Assembleia Municipal defenderem de forma mais “acalorada e veemente” o executivo municipal. Logo, estaríamos na presença de um “embuste”.
Esta ideia é reveladora de um profundo desnorte nos criativos tácticos da CDU. Não entenderam que tal como uma árvore não se confunde com a floresta, também as intervenções infelizes de dois ou três elementos não corporizam a mensagem política do PSD, não são representativas dos seus órgãos políticos e não apagam a virtude das propostas apresentadas no executivo municipal. Logo, o argumento não colhe, mesmo sabendo eu e os eleitores que é a contagem decrescente para as eleições autárquicas que motiva esta mal ensaiada tentativa de estabelecer a confusão. Confusão que no limite até lhes poderia ser útil. Não foi a CDU que promoveu uma campanha, em jeito de balanço, sobre “os seis anos de má memória” da gestão socialista? E que na prática são quatro, pois os dois primeiros foram-no em gestão partilhada PS/CDU?
Por outro lado, também é caricato que a CDU tente agora, tardiamente, cavalgar a onda de descontentamento das vítimas das cheias apresentando propostas similares às que eu propus em tempo útil e que, entretanto, rejeitaram ou não viabilizaram. Em Outubro de 2007 votaram contra a possibilidade de reduzir o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) na área afectada pela penúltima cheia, em Sacavém. E em Fevereiro de 2008 optaram pela abstenção na proposta que preconizava a criação urgente de um grupo de trabalho para avaliação do plano de emergência municipal e do impacto das cheias e o estabelecimento de cooperação institucional com o Ministro do Ambiente e o Instituto da Água (INAG), alegando que tal decorria de aproveitamento político…Como no teatro de sombras nem tudo o que parece é!"


Texto do Vereador Paulo Guedes da Silva, retirado daqui.


Recentemente publiquei no Palácio um texto sobre as posições políticas do PSD. O mote fora uma entrevista dada pelo Vereador Paulo Guedes da Silva à RTP 1. Grosso modo, o texto referia a diferença entre as posições políticas defendidas pelo Vereador em questão e a postura do Partido que integra.
Cabe-me antes de mais voltar a referir, aquilo que à saciedade já referi neste blogue, as ideias, todas, incluindo as políticas, não são exclusivas dos partidos ou dos seus militantes, qualquer cidadão pode ter a veleidade de opinar politicamente, sendo que essas opiniões podem coincidir ou não com a opinião deste ou daquele partido. O Palácio é uma aventura, partilhada neste momento por vários colaboradores, todos eles com diferentes posturas e convicções políticas. As opiniões aqui expressas vinculam única e exclusivamente os seus autores. O Palácio não tem a pretensão de se assumir como veículo oficioso do que quer que seja, ou de quem quer que seja. Deste ponto de vista é um exercício individual de liberdade.

Posto isto, voltemos ao texto em apreço. Diz o Sr. Vereador que “as intervenções infelizes de dois ou três elementos não corporizam a mensagem política do PSD, não são representativas dos seus órgãos políticos e não apagam a virtude das propostas apresentadas no executivo municipal.”. Seria verdadeira esta afirmação, se a infelicidade dessas intervenções não tivesse a força aritmética e funcional de se impor como a posição política de facto maioritária do PSD nos órgãos municipais. Essas infelizes intervenções garantem neste momento uma confortável maioria ao PS na Câmara Municipal e ainda servem de guarda avançada na Assembleia Municipal. A confusão instalada, ao ponto de propostas apresentadas na Assembleia Municipal em nome do PSD, escritas em papel timbrado, serem enjeitadas, pior que rejeitadas por eleitos, também do PSD, é responsabilidade desse partido.

Pouco me importa quem neste momento é a facção dissidente, sei quem é facção determinante. E essa é a que tem força e representação suficiente para suportar o PS e rejeitar as propostas do Vereador Paulo Guedes da Silva. Não o devia incomodar tanto a falta de apoio da CDU às suas propostas, quando nem o seu próprio partido as apoiou, seja na Câmara Municipal de Loures, seja na Assembleia Municipal. Esse facto é que era merecedor de umas palavras suas.

Por fim, o problema dos acordos políticos merece uma referência específica. No mandato passado, a CDU estabeleceu um acordo de gestão com o PS. Esse acordo durou cerca de 2 anos, sendo unilateralmente rompido pelo PS mediante a retirada dos pelouros distribuídos a vereadores da CDU. O acordo estabelecido era claro e público. Nesse acordo a CDU estabelecia condições claras; a manutenção do Protocolo de Descentralização de Competências, a manutenção da natureza pública dos serviços, a estabilização do quadro de pessoal, liberdade para o desenvolvimento de políticas próprias nas áreas que lhe estavam adstritas e a consulta prévia na elaboração dos planos de actividades e restantes documentos de gestão. O PS obteria a estabilidade política para desenvolver as suas políticas e a CDU ganhava um peso de aferição e influência políticas. Um acordo estabelecido com estes contornos permite não só a real partilha de responsabilidades políticas, como permite a aferição das responsabilidades de gestão.

Lembrar-se-á bem do desfecho desta história. Quase a meio do mandato, o PS estava farto deste “espartilho” e queria ficar mais “à vontade”. Rompeu o acordo. Pensei na altura que daí em diante governaria à vista, tentando dobrar o Bojador. Nada disso! Obteve o benefício de uma “dissidência” do PSD. O Vereador António Teixeira, eleito pelo PSD, assumiu o papel de moleta do PS até ao fim do mandato. Fê-lo do modo como estas coisas podem ser feitas, ora faltava, ora chegava mais tarde, ora saía mais cedo, ora se abstinha, seja como for, lá foi garantindo a maioria deliberativa nas reuniões do executivo ao PS.
Neste mandato, o PSD celebrou um acordo de gestão com o PS. Pelos vistos nem todo o PSD, um bocado do PSD, mas que se arroga de ser todo o PSD. Sabe alguém hoje que acordo é esse? Quais são as suas premissas políticas?
Daqui resulta o embuste político referido. Não me referia à qualidade da intervenção do Vereador ou das suas propostas, cuja minha opinião é clara, mas sim ao facto dessa intervenção não ser neste momento, por muito que custe ao Vereador, a do PSD. Como no teatro de sombras chinesas, nem sempre o que se quer fazer parecer, é aquilo que realmente existe!

2008/04/15

GERIR O EMBUSTE


Ontem ao fim da tarde, a RTP realizou um directo a partir da baixa de Sacavém sobre as cheias que afectaram a cidade no passado dia 18 de Fevereiro. Além da entrevista aos lesados, tiveram lugar mais três pequenas entrevistas, uma ao Vereador João Pedro Domingues, em nome da maioria que governa a Câmara, uma ao Vereador Paulo Guedes da Silva, em representação do PSD, e uma ao Vereador José Manuel Abrantes, em representação da CDU. Tudo certo, foi dada voz ao poder e à oposição. Tudo clarinho ou quase.

Não me perderei em considerações sobre as razões das quezílias internas no PSD local. É um assunto, como dizem os políticos educados, interno no qual não me imiscuirei. Contudo se as dinâmicas internas pouco me interessam, não fico indiferente à prestação política desse partido.
Quem tenha visto a reportagem de ontem ficará com a sensação que em Loures o PSD é oposição e não poder, e que sobre o assunto visado, as cheias, tem tido uma intervenção em registo oposicionista às práticas da maioria socialista. Puro embuste.

Na Câmara Municipal de Loures, o PSD assegura a maioria absoluta ao PS, onde possui responsabilidades executivas, caucionando-lhe a actividade e acção políticas.

O PSD é poder em Loures, logo é politicamente corresponsável pelos actos de gestão.

Na Assembleia Municipal, quando a maioria socialista foi alvo de críticas à sua acção face ao problema das cheias, a defesa mais acalorada e veemente veio da bancada social-democrata.

Em 2009, o PSD surgirá nos boletins de voto apenas com uma sigla. Perante a sigla os eleitores terão o seu momento de avaliação de acção política e de proposta. O que terão de avaliar é o comportamento político efectivo do PSD e não as suas dissidências. Do ponto de vista prático o PSD chegará às eleições, não com um capital de oposição, mas de poder. Por isso devem ser julgados. As boas intervenções e intenções isoladas, não alteram o apoio prático dado pelo PSD ao PS durante este mandato. A face de oposição é um embuste, porque é negado pela acção política concreta.

2008/04/03

OU ISSO, OU FOI MESMO AVISTADA UMA VACA DO ESPAÇO




Luís Filipe Menezes visitou esta manhã a Quinta do Mocho. Acalentado pela recepção dos locais, que recebem sempre bem, entusiasmou-se e começou a divagar sobre as metas políticas do PSD para o Concelho de Loures. Ganhar em 2009! Não é reforçar, não é tornar-se a segunda força política em Loures, é mesmo ganhar. Mas não é só Loures. É Loures, Odivelas, Amadora e creio que Olivença.
Durante a visita criticou a política do betão desenfreado deste Governo, coragem de quem foi financiado pela Somague e condenado por isso. Falou numa coisa que é a «Cidade solidária!», mas que espremido deve ser um daqueles conceitos ocos que só servem para dar alguma consistência ao reportório do artista.
Não sei qual foi o PSD de Loures a acompanhar a visita, e fico também sem saber qual dos dois é que vai ganhar as eleições.
Em boa verdade, creio que estas declarações resultam da manhã inesperadamente quente.

2008/03/15

MENEZES TIRA FOTO OFICIAL PARA A CAMPANHA DAS LEGISLATIVAS


Imagem retirada de Arrastão
Um pouco mais para trás... só mais um pouco. Está quase! Sorria.

2008/02/20

PARA A COMPREENSÃO DO FENÓMENO DAS CHEIAS

A ocupação imponderada do território é um dos factores que mais tem contribuído para o agravamento de fenómenos como aqueles a que recentemente assistimos. As fragilidades do território desaconselham a ocupação de zonas baixas, leitos de ribeiras, mas também a impermeabilização excessiva de solos, facto este tão ponderoso seja numa zona baixa, seja numa vertente.
Loures possui alguns dos piores exemplos nesta matéria. Algumas das imagens das recentes cheias de 18 de Fevereiro, são da várzea, nomeadamente da zona do infantado, onde a expansão continua, subtraindo terrenos alagáveis e outrora agrícolas.
Neste contexto, publicamos duas reflexões sobre a Urbanização do Infantado, que nos foram remetidas por mail. Elas vêm datadas pelo autor.


Loures Shopping, Infantado, Loures

"Urbanização da Quinta do Infantado"

"Grandes negociatas permitem um dos maiores crimes urbanísticos e um atentado ao ambiente e à vida das populações de Loures."


"A urbanização da Quinta do Infantado foi tentada durante o regime fascista, pouco antes do 25 de Abril de 1974.

Para servir esses interesses a Junta Autónoma das Estradas previa a construção da Radial da Malveira (actual A8), que passaria às portas dos terrenos do Infantado e assim viabilizaria a urbanização com o aumento do valor dos terrenos que passariam a ser servidos por uma auto estrada para Lisboa. (A 5 minutos de Lisboa como se dizia nas campanhas publicitárias).

Após o 25 de Abril de 1974, as várias entidades responsáveis, governamentais e camarárias, verificaram a monstruosidade deste projecto e os graves problemas que iria acarretar para toda a região.
Tratava-se de criar mais um grande aglomerado (10 000 fogos e 35 000 habitantes) mais um dormitório na periferia, como já tinha acontecido com os que conhecemos às portas de Lisboa.

Infantado, cheias de 18 de Fevereiro 2008

Os problemas de trânsito iriam ser diariamente agravadas, os impactos nas infra-estruturas e equipamentos já insuficientes iriam prejudicar ainda mais a já precária qualidade de vida de Loures.

Terrenos agrícolas de alto valor eram inutilizados, zonas de cheia ocupadas, quer pela urbanização quer pela via rápida e seus acessos.

Apesar de ser prometida a construção da via rápida, esta deixaria de ser rápida, na entrada em Lisboa (Calçada de Carriche) já totalmente saturada.

Depois de analisados estes problemas, todas as entidades consultadas após o 25 de Abril foram unânimes em considerar tal projecto megalómano e de graves consequências para o concelho de Loures. Note-se que nessa altura estava já em curso na zona mais uma grande urbanização, a Cidade Nova, de igual dimensão.

O Concelho de Loures tinha em poucos anos triplicado de população (100000 habitantes em 1960 para cerca de 280 000 habitantes em 1975).


Infantado, cheias de 18 de Fevereiro 2008


Tais factos levaram a alterar os pareceres para o percurso da via rápida que deveria deixar de passar na Várzea de Loures e passar a meia encosta, servindo as populações já instaladas (e não os interesses especulativos das novas urbanizações) e causando menos problemas ambientais, sem inutilizar terrenos de alto valor agrícola e evitando a passagem em leito de cheias.

Em 1977 a Câmara de Loures, recentemente eleita, (maioria PS) tomou posição no sentido de alterar o traçado da via rápida para a Malveira. Este facto motivou desde logo grandes pressões do urbanizador (Sr. Arnaldo Dias) sobre os eleitos da Câmara o que levou a que algum tempo depois o Presidente da Câmara (Eng.º Riço Calado) viesse a alterar a sua posição e impusesse um parecer para a JAE retomar o traçado da via rápida pela várzea de Loures.

Estava então aberto o caminho para o grande negócio da urbanização da Quinta do Infantado.
A Radial da Malveira (A8) passando à porta dos terrenos da Quinta do Infantado garantia a sua viabilidade e a valorização especulativa dos terrenos.
Infantado, cheias de 18 de Fevereiro 2008
De imediato começaram a dar entrada na Câmara os projectos, que foram aprovados próximo das eleições de 16 de Dezembro de 1979.

A então APU (CDU) fez do exemplo da Quinta do Infantado a base da sua campanha contra as negociatas da especulação imobiliária, e contra a conivência do então presidente Eng.º Riço Calado.

A população do concelho vítima de situações idênticas em Odivelas, na Póvoa St.º Adrião, no Olival Basto, em St.º António dos Cavaleiros, em Sacavém, como em muitos outros locais, confirmou o repúdio por estas negociatas e derrotou o PS e o Engº Riço Calado.

Logo que souberam o resultado das eleições, entre o dia 17 de Dezembro de 1979 e o dia 28 de Dezembro os urbanizadores conseguiram o que nunca tinha sido visto. Foram obtidos os pareceres, feitas as informações, negociadas as condições do alvará e em reunião de Câmara expressamente convocada para o efeito, e, já com as eleições perdidas, aprovaram o alvará da urbanização.

Este expediente não resultou uma vez que se esqueceram de aprovar as actas e as deliberações não foram consideradas válidas quando a nova administração tomou posse em 2 de Janeiro de 1980.

O urbanizador não aceitou esta contrariedade e iniciou de imediato as obras de urbanização. O facto de a nova administração da Câmara CDU não ter a maioria absoluta impediu que fossem tomadas posições definitivas e o assunto foi sendo arrastado até que a maioria PS + PPD + CDS impôs a queda da Câmara em 1981. O urbanizador tentou entretanto aumentar o número de fogos de 10.000 para cerca de 11.500. No intervalo das eleições foi nomeada uma Comissão Administrativa para a CM Loures, com maioria PS, que logo tratou de aprovar os processos de urbanizações que estiveram retidos. As eleições intercalares de 1981 foram novamente dominadas por campanhas da CDU contra a especulação imobiliária e as negociatas que deram origem a novas urbanizações (Casal do Monte, Quinta do Conventinho, Quinta do Almirante e Quinta do Infantado, etc.).

Parque Verde junto ao Loures Shopping, Infantado, 18 de Fevereiro de 2008
Novamente o PS foi derrotado e a CDU alcançou uma maioria mais confortável aumentando o número de votos.

Mais uma vez a urbanização da Quinta do Infantado foi posta em causa. Contudo como entretanto tinha sido reaprovada e várias construções estavam já em estado avançado, a Câmara impôs que fosse completamente reformulado o projecto e o alvará da urbanização.

As condições foram reduzir o número de fogos para um máximo de cerca de 6000, não ocupar zonas abaixo da cota 10 (terrenos inundáveis) não ocupar terrenos agrícolas e ceder espaços para equipamento na base de cerca de 80 m2/fogo.

Em 1983 o Concelho de Loures foi gravemente atingido por cheias que se tornaram particularmente graves devido aos aterros feitos para a construção da Via Rápida. Infelizmente confirmou-se o erro de fazer passar a Via Rápida por dentro da Várzea, mas o serviço à especulação imobiliária fora mais forte.

O urbanizador arrastou a reformulação da urbanização até 1987, altura em que finalmente aceitou as condições impostas pela Câmara. Note-se que na altura a CDU tinha acabado por conquistar a maioria absoluta.

Estamos na final de 2002, e após 22 anos, o PS voltou a ganhar as eleições para a CM Loures. A memória das populações é fraca e foi esquecido o que foi feito (e o que não foi) no tempo do Presidente Eng. Riço Calado. O PS desta vez com a condescendência da CDU voltou a aprovar aquilo que até hoje tinha sido considerado como um dos maiores crimes urbanísticos do concelho de Loures e da região de Lisboa.

As notícias nos jornais e as declarações dos responsáveis a manifestar apreensão não conseguem esconder as cedências que fizeram contra os interesses das populações. "

Loures, 30 de Dezembro de 2002
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"As pressões do urbanizador para retomar o antigo projecto aprovado pelo PS/Riço Calado em 1979, não pararam. O que realmente é grave é que essas pressões tenham resultado e os “responsáveis” da Autarquia, tenham cedido e feito a vontade ao urbanizador prejudicando gravemente as populações. Foram aceites alterações que elevaram a área urbanizável de 63 para 127,86 ha, o número de fogos de 2700 para 6.615, e a área de construção de 380.000 para 946.000m2. Terrenos da Reserva Agrícola (RAN) e Reserva Ecológica (REN), foram desafectados para mais construção e para a grande superfície comercial. Aumentaram os índices de construção e de ocupação a ponto de na área acima da cota 10 já não haver possibilidade de cumprir as necessidades de espaços para equipamentos e cedências para zonas verdes.

Recentemente fomos confrontados com o novo alvará correspondente ao novo estudo de urbanização. Para além destes aumentos, foi alargada a área de intervenção ocupando áreas defendidas, áreas inundáveis, e chegando ao cúmulo de prever Zonas Verdes dentro de rotundas viárias, em zona inundável e equipamentos ocupando integralmente o interior dos quarteirões de prédios. A Escola Secundária ocupa parte do terreno defendido e inundável. Ainda iremos assistir aos pais das crianças irem buscar os filhos à Escola de barco.

Várzea de Loures junto ao Infantado, 18 de Fevereiro de 2008
As monstruosidades e crimes urbanísticos virão ainda a aumentar uma vez que, o alvará prevê novas ocupações, explicitando: “ As parcelas de RAN a ceder ao município poderão ser afectas a qualquer uso de interesse municipal ou equipamentos colectivos, mediante as autorizações necessárias das entidades com competência na matéria...”, A utilização de terreno agrícola e inundável para equipamentos, mesmo com autorização das entidades, numa grande área onde o que menos falta é o terreno para construção é inaceitável. Para tentar justificar o injustificável, ou seja a utilização do terreno agrícola cedido, o Alvará diz ainda que essas áreas “ poderão ser fruídas no seu uso legal quer pelo município directamente quer por título precário concedido a terceiros nomeadamente em regime de hortas urbanas...”. Isto é, no mínimo, criminoso e caricato.

Há muito que se sabe, e hoje é impossível continuar a esconder, que o aumento desenfreado da construção, na Área Metropolitana, acarretou grandes prejuízos para os habitantes desta região. Os estudos do PROT-AML, no seguimento de muitos outros, contêm dados insuspeitos. Aumento dos problemas de trânsito, défice de infra-estruturas e serviços públicos, favorecimento das condições para o aumento da insegurança, criminalidade, marginalidade, redução da qualidade de vida e ambiental.

Loures e agora também Odivelas, vão pagar caro este crescimento não sustentado. Dia a dia continuaremos a ver agravados os problemas ambientais, hídricos, das cheias, de trânsito em especial nos acessos a Loures e na Calçada de Carriche."

Loures, 20 de Janeiro de 2003