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2008/09/30

ENQUANTO O DÓLAR SOBE O BANGLADESH





Manuel Pinho, uma espécie de Zaratustra nacional afirmou, que acabou o mundo tal como conhecíamos


"Hoje é o dia que marca o príncipio de uma nova era". Foi assim que o ministro da Economia, Manuel Pinho, reagiu ontem, no encerramento da cerimónia de entrega dos prémios da revista Exame às melhores e maiores empresas nacionais, ao chumbo do "Plano Paulson", o plano de emergência da administração Bush que previa injectar no sistema financeiro norte-americano 700 mil milhões de dólares.” In, Diário Económico

Os Estados Unidos e a Europa aplicam a segunda fase da teoria marxista na sua análise do Capital, depois da privatização dos lucros, correm a privatizar os prejuízos. Os indefectíveis do capitalismo explicam-nos que a morte do paciente é um sinal da sua boa saúde.

O melhor mesmo é irmos ouvindo os REM, ainda que numa variação desafinada…

2008/05/23

SE CALHAR VOAVAM MUITO BAIXINHO!



Afinal parece que os voos da CIA sempre passaram por espaço nacional. O Governo vez agora dizer que terão sido cerca de 56. Segundo notícia do Público, “a passagem por Portugal de voos da CIA com prisioneiros para aquela base norte-americana foi alvo de inquérito no Parlamento Europeu. A organização de direitos humanos britânica Reprieve garantiu que mais de 700 prisioneiros foram ilegalmente transportados para a base "com a ajuda de Portugal" e que pelo menos 94 voos passaram por território português, entre 2002 e 2006.”

O número de voos efectuados começa a ser de menor importância, face à clara conivência do Estado português nesta violação sistemática dos Direitos Humanos por parte da Administração Norte-Americana.
Espera-se que no próximo relatório do Departamento de Estado Norte-americano sobre as violações dos Direitos Humanos, Portugal venha referenciado por esta.

2008/05/08

ZONA FRANCA




Assinalo o meu regresso ao Palácio, publicando um texto que Mário Crespo, Jornalista, escreveu recentemente no JN. O tema continua mais actual do que nunca. O apelo feito ao Governo português por um cidadão detido em Guantanamo, que atesta ter passado por território nacional, vem tornar claro que só mesmo as autoridades nacionais continuam a acreditar na palavra da administração norte-americana.
*
"O documentário sobre o holocausto Shoah, de Claude Lanzmann, dura nove horas e meia. Grande parte da obra consiste em entrevistas conduzidas nas aldeias do Sul da Polónia por onde passava o comboio com prisioneiros para os campos de extermínio nazis, em Birkenau e Auschwitz. Lanzmann detectou duas atitudes genéricas dos aldeões à passagem dos comboios. Ou ignoravam ou, quando olhavam, faziam aquele sinal universal de morte anunciada que é passar rapidamente o indicador direito pelo pescoço, numa pantomina simbólica de um degolamento. Das entrevistas de Lanzmann, conclui-se que os camponeses polacos sabiam qual o destino dos prisioneiros. Mas, não se consegue entender o significado dessa comunicação com os condenados com um gesto prenunciador da morte que vinha aí.

Seria um acto atormentador que se integrava no martírio dos indesejáveis em que a população polaca foi activamente cúmplice? Seria um aviso? Seria uma daquelas crueldades brincalhonas que frequentemente surge com a habituação ao horror? Lanzmann, além de jornalista é um filósofo. Foi colega de Sartre e Beauvoir e, apesar das análises semióticas que fizeram das entrevistas, a ausência de conclusão clara deixa-nos num vazio angustiante quanto aos alcances da crueldade humana.

Por razões de pudor residual ou estratégia, os nazis implantaram as máquinas de morte industrial bem longe do seu território nacional. Esconderam-nas nos limites do império (a Polónia aparece em documentação nazi referida como Ostdeutschland - Alemanha de Leste). Para as dissimular, usaram subterfúgios tão elaborados que hoje é difícil reconstituir com exactidão histórica o intenso tráfego ferroviário entre a Alemanha e Auschwitz-Birkenau, tal foi o encobrimento nas rotas, nos manifestos de carga, nas falsas origens e falsos destinos.Nas ligações entre Guantanamo e as Lajes nós estamos a portar-nos como os camponeses polacos analisados por Lanzmann. Ou fingimos que não vemos ou fazemos gestos inconclusivos. No tratamento daqueles que a América suspeita de terrorismo, a base nos Açores tem sido o equivalente a um apeadeiro na linha entre a Alemanha e Auschwitz, onde o guarda-freio levanta a bandeira verde na noite escura, indicando que o caminho está livre para os indesejáveis acorrentados seguirem até às câmaras de tortura, no enclave americano em Cuba (isto não é metáfora. Os prisioneiros vão mesmo acorrentados e tortura-se em Guantanamo.

Quanto ao número de mortos, não se sabe. Ainda). Por ser um pacto militar, a sociedade civil em Portugal desconhece muito do acordo das Lajes. Isso dá ao Governo imensa latitude de evasivas nas explicações que lhe são pedidas. A 30 de Janeiro de 2008, o primeiro-ministro dizia no Parlamento poder garantir que nunca tinha sido nem consultado nem autorizara o trânsito em território nacional de prisioneiros para Guantánamo, insistindo que "esses dois actos" (consulta e autorização) nunca tinham existido. Portanto, nada aqui diz que não tenha existido o transporte sem consulta e sem autorização. Há outros indícios da ambiguidade oficial. A ONG Landmine Monitor, sobre o trânsito de cargas militares proibidas por aviões americanos nas Lajes, diz que as respostas que recebeu de três diplomatas portugueses do MNE e da Defesa inquiridos, João Pimentel, Vilar de Jesus e Fernando Brito, descrevem a expectativa do Governo português de que os americanos cumpram com o acordo, declarando voluntariamente os manifestos das cargas que transportam, mas admitiram que não há nenhum mecanismo formal de inspecção portuguesa das aeronaves americanas que transitam pela Terceira (Landmine Monitor Report 2004). Logo, tudo pode passar pelas Lajes. De material de guerra proibido, a gente raptada e acorrentada. Se não for declarado, ninguém fiscaliza. Acredita-se.

A verdade oficial que vem desde o actual primeiro-ministro aos diplomatas é que os americanos não solicitaram autorizações nem foram concedidas autorizações. Mas há outros elementos. Prisioneiros que transitaram pelas Lajes têm feito depoimentos denunciando as escalas nos Açores. O "60 Minutos", da CBS, fez várias reportagens atestando este tráfico maldito que oficialmente Portugal diz desconhecer. Kurt Volker é o negociador americano da nova versão do acordo das Lajes. Questionado pelo "Expresso", recusou-se a comentar o transporte ilegal de prisioneiros. Uma recusa de comentário é nos Estados Unidos um acto mediaticamente muito significativo.

A 21 de Fevereiro deste ano, o Governo de Bush reconheceu e pediu desculpas públicas ao Reino Unido por ter usado a base britânica em Diego Garcia para o trânsito de prisioneiros de guerra, depois de Londres dizer que considerava "muito grave" esse tráfego não-autorizado. Com a passividade, Lisboa e os americanos ainda se podem refugiar num "no comment" porque a atitude de sucessivos governos portugueses fez da base das Lajes uma Zona Franca dos direitos humanos."

Mário Crespo escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras

2008/02/22

DA JUGOSLÁVIA À JUGOSLÁVIA




Para quem não gosta de ir na corrente e tomar por bom tudo o que lhe metem no prato, deixo aqui duas referências sobre a actual situação nos Balcãs.

A primeira é o Underground de Emir Kusturica. "Em Abril de 1941, Marko e o seu amigo Blacky trabalham no mercado negro, organizando ao mesmo tempo a resistência contra os nazis. Em 43, Marko esconde Blacky numa cave. Este é procurado pelos alemães. Em 44 é a paz, mas Marko convence Blacky de que o país continua em guerra. Em 61, Blacky descobre a traição do seu amigo. Em 91, Ivan sabe da impostura do seu irmão Marko e do novo drama que destrói a sua terra natal. «Underground»: era uma vez um país..."

A segunda é o livro de Carlos Santos Pereira sobre a desagregação da Jugoslávia e o papel das potências ocidentais naquele território.

Este post é sobretudo uma manifestação de solidarieade com o povo Sérvio e um reconhecimento da sua capacidade de resistência.

2007/09/04

SALTAR AO EIXO



Os Estados Unidos ponderam, segundo rumores não confirmados (todas as notícias nos jornais de hoje utilizam esta expressão ou outra semelhante), retirar a Coreia do Norte da lista de países constituintes do Eixo-do-Mal. Esta designação foi criada pela administração Norte-americana e incluía o Iraque, o Irão e a Coreia do Norte. Neste momento, a evolução das negociações destinadas ao abandono, por parte da Coreia do Norte, do seu programa nuclear parece indicar a alteração desta categoria.No momento em que for "oficial" a saída da Coreia do Norte deste trio, já não levantará críticas de ninguém a participação do Partido do Trabalho da Coreia na próxima edição da Festa do Avante. Se entretanto a Coreia do Norte abrir os seus mercados às multinacionais americanas, mesmo que continue com o mesmo regime político, poderá mesmo ascender à categoria de Aliado, tal como acontece com muitas “democracias” árabes e do sudoeste asiático.

2007/09/03

PARECE QUE TEM SIDO TUDO UMA GRANDE ALDRABICE


Imagem retirada daqui.
W. Bush faz uma visita surpresa ao Iraque. Como diria o povo, vai de fininho! Da mentira das armas de destruição em massa, do apoio aos terroristas, ao peru de plástico, o povo iraquiano tem sido figurante sangrento numa tragédia que tem responsáveis.

2007/08/24

NAGASAKI


Imagem retirada daqui.
“Um rapaz transportando para a morgue ou o crematório o corpo de um seu jovem irmão, algumas semanas após o bombardeamento” de Nagasaki.

2007/07/27

"LUNÁTICOS POR ISRAEL"


“O que é que acontece quando se junta a poderosa direita cristã com o lobby israelita nos EUA? O resultado pode ser visto nesta videoreportagem que o Huffington Post fez no encontro anual dos Christians United for Israel. A sua agenda? Um ataque unilateral ao Irão e a expansão territorial de Israel. O seu discurso? Jesus regressará a Jerusalém depois da batalha do Armagedão e limpará a terra da presença do diabo. No final, todos os "infiéis" terão que se converter ao cristianismo ou sofrer eternamente no inferno.”



Ler e ver o resto no Zero de Conduta