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2009/11/16

POLÍTICA E MERITOCRACIA



Deambulando pela internet, encontrei este texto:

“Era uma vez um menino, filho de um presidente de uma junta de freguesia em Loures, que andava constantemente a ser expulso de escolas e liceus, e que nunca fez nada na vida.O pai, antigo varredor de ruas, agarrou-se à política, criou o seu séquito na sede local do partido onde 'vivia' de segunda a domingo, chegou a presidente de junta e um belo dia conseguiu negociar apoios com o candidato do seu partido à Câmara Municipal em troca de um lugar de vereador para o seu filho... algo que foi conseguido há muito pouco tempo.Eis um belo - e real - exemplo da política à portuguesa e de como a meritocracia é guardada na gaveta, sobrepondo-se a esta o nepotismo.Acrescente-se que esse jovenzinho, que talvez nem o 12.º ano tenha completado, chega assim a vereador de uma das principais autarquias do país.”

O texto refere-se ao novo Vereador da Câmara Municipal de Loures, eleito nas listas do PS, Ricardo Jorge Monteiro Lima, filho do Presidente de Junta de Freguesia de Moscavide. Desde já deixo claro o seguinte; ainda não conheço o novo Vereador, nem pude sequer avaliar os seus méritos. Se foi bom ou mau aluno tampouco sei, e é claro que um varredor pode aspirar a qualquer cargo electivo. Faço a ressalva, porque não é necessário ser injusto e incorrecto.

Contudo, há aspectos subjacentes a este texto que merecem alguma atenção.
Recentemente, em vários órgãos de comunicação social, surgiram notícias sobre a nomeação de parentes de eleitos do PS para a estrutura municipal, gabinetes, essessorias e secretariados. Isso tudo é verdade, mas também é verdade que tal ocorre, porque no seio das próprias estruturas partidárias essa “familiarização” e “apadrinhamento” já aconteceu. Assim, a distribuição de beneces de modo equitativo entre os vários clãs é um cimento unificador. Ou seja, enquanto houver para todos e a todos se der algo, não existem descontentamentos, pelo menos partidários.
Já em tempos aqui falei disso. Quem conhecer com alguma proximidade a vida da Câmara Municipal de Loures, conhece todos estes aspectos. São muitos, mas mesmo muitos, demasiados, os lugares ocupados para satisfazer esta lógica. A feira de vaidades, a ostentação, a utilização de viaturas, telemóveis, tudo isto é legal.
Não é ilegal que no jogo dos arranjos e dos lugares muitos tenham encontrado no “serviço ao público” o modo de se servirem a si mesmos e aos seus familiares e amigos, tendo acedido a um nível de vida nunca antes perspectivável pelos próprios.

Nesta campanha eleitoral assisti ao empenho e ao fervor com que as suas posições foram defendidas. Um vigor, e aqui permito-me fazer um juízo de valor, que resultava talvez do facto de não se estar somente a defender uma ideia, mas antes uma parte do poder, um estatuto, um nível de vida, um emprego bem pago e nem sempre muito exigente.

A moral da República é a Lei, pelo que não são conhecidas incompatibilidades legais nesses nomeados. É legal que assim seja.

Deste modo todo o juízo deve ser político e reduz-se ao campo da ética. É politicamente condenável esse tipo de aproveitamento do poder conferido pelo voto dos cidadãos. Mas porque o problema é exclusivamente político, devem ser os cidadãos a tomar consciência que suportar este tipo de posturas é empobrecedor da democracia, porque esta deve ser o reconhecimento da palavra honrada, do mérito e da dedicação, do escrutínio de propostas e da elevação das práticas.

2009/11/08

LEI DEMASIADO RIGIDA IMPEDE A NOMEAÇÃO DE NETO DO PRESIDENTE DA CÂMARA


Esta semana, foi notícia em vários órgãos de comunicação a crítica dos partidos da oposição em Loures às nomeações de familiares do Presidente da Câmara para lugares nos gabinetes da administração municipal.
Não sendo uma prática nova, são dois os tipos de nomeação; num caso a recondução de familiares já nomeados anteriormente, noutros novas nomeações que resultam do natural crescimento de todas a famílias. Os filhos crescem, namoram e casam, e aparecem os primeiros netos. Deste modo surgem novos candidatos a nomeação.
Neste mandato, o Presidente nomeou a sua filha Adjunta no seu Gabinete, que já é chefiado pelo seu cunhado. A família já se encontra quase toda reunida. Quase, porque a rigidez da legislação laboral impede que os seus dois netinhos sejam nomeados.
O Presidente não deixará de considerar este espartilho legal algo inaceitável.
O seu neto, que apesar de não ter idade sequer para frequentar o 1º ciclo do básico, tão activamente participou na campanha do avô, em almoços, jantares, visitas a associações e actividades municipais, elevado ao estatuto de “Neto Municipal”, não pode ser sequer assessor do seu avô!
Algo que até dava muito jeito à mãe, que o passava a ter ali mesmo à mão para qualquer muda de fralda.

2008/10/15

É O QUE DÁ TENTAR FAZER PROPAGANDA COM A NECESSIDADE DOS OUTROS!


O Presidente da Câmara de Loures tentou tirar proveito das ajudas que eram devidas aos lesados das cheias de Fevereiro passado. Mandou organizar uma sessão para beijinhos, palmadinhas nas costas e salvas de palmas, mas as pessoas perceberam que estavam a ser figurantes no circo que a Câmara montara e acabaram por estragar o momento ao Presidente.
Afinal, os moradores estavam descontentes tanto com a insuficiência das ajudas, como o seu atraso de meses e profundamente preocupados com a falta de prevenção de novas cheias. Os mal-agradecidos não se querem ver novamente no papel de “auxiliados”.

Clique na imagem e veja o vídeo.



2008/10/14

"NÃO É COM UMA ESMOLA QUE NOS CALAM"





Imagens do estado actual da Ribeira do Prior Velho e do aterro ilegal.

Críticas na entrega de apoios

00h30m
LUÍS GARCIA

A atribuição do fundo de apoio às vítimas das cheias de Fevereiro, em Loures, decorreu no meio de muitas críticas. Os moradores e empresários criticaram a falta de medidas para prevenir episódios semelhantes.

Ao todo, a Câmara de Loures distribuiu 500 mil euros por algumas das famílias e empresas que perderam quase tudo nas cheias que assolaram o concelho. O presidente Carlos Teixeira garante que esta foi a primeira vez que uma autarquia prestou este tipo de apoio à população.

Carlos Teixeira justificou a demora na atribuição da verba com a lentidão da entrega dos processos por parte da população afectada e com a necessidade de alterar alguns regulamentos municipais de modo a "fazer tudo dentro da lei". Segundo o autarca socialista, "é muito triste" que o município não tenha recebido "nenhuma verba de apoio" por parte do Governo, apesar de, pelas contas da Câmara, o prejuízo tenha ascendido aos 20 milhões de euros.

Quem não se ficou pelos ajustes foi a população afectada. Aproveitando a presença do executivo municipal, os populares criticaram a falta de medidas para prevenir novas cheias. "Não pensem que nos calam com esta esmolazinha", dizia uma das vítimas das cheias. "Ainda esta noite choveu e eu não preguei olho, sempre a controlar o rio, a ver se não transbordava para a minha casa", queixava-se outra.

Maria Antónia Mendes e Manuel Marques fizeram questão de mostrar aos responsáveis da Câmara a habitação onde residem, em Ponte de Frielas. As condições da casa são tão más que o Tribunal de Menores ordenou que os filhos do casal, com 13 e 17 anos, fossem retirados à guarda dos pais.

A marca de onde andou a água, acima de um metro e meio, ainda é visível na parede. O cheiro intenso denuncia a humidade que também é visível na cor das paredes e do chão. Duas ratoeiras armadas fazem parte do pobre mobiliário do quarto onde o casal dorme.

Maria Antónia Mendes e Manuel Marques, ambos na casa dos 30 anos e desempregados, moram há 12 anos naquela habitação precária, pagando uma renda de 125 euros, apesar de saberem que a zona não é apta para habitação. Mesmo ao lado da casa, a um nível mais elevado do que a própria habitação, corre a Ribeira da Póvoa. Sempre que transborda, a casa fica debaixo de água.
A comitiva municipal deixou um conselho ao casal: que pegassem nos 4.830 euros que receberam de indemnização e procurassem uma habitação com condições. Antónia Mendes não fica convencida. "O dinheiro não nos tem chegado nem para comer", diz, "Se mudarmos de casa, como vai ser quando esta ajuda se acabar?".

2008/09/27

AS CADEIRAS DO PODER




O Vice-Presidente da Secção de Loures do PSD não tem a confiança técnica e política do Vereador João Galhardas, vereador eleito pelas listas do PSD, e rapaz de fretes à maioria socialista em Loures. Assim, o Vereador do PSD entende razoável o afastamento do seu companheiro de partido da Administração dos SMAS, onde havia chegado, exactamente do mesmo modo como o Vereador Galhardas chegou à assunção de responsabilidades executivas em Loures, através de um acordo de gestão feito com o PS.

A substituição de Armando Curado far-se-á mediante a entrada de António Teixeira, também militante do PSD, e conhecido por ser da confiança da maioria socialista, a quem fez razoáveis jeitinhos no anterior mandato, no qual foi Vereador eleito nas listas do PSD.

Resta saber o que acha o PSD, ou os PSD`s, desta dança de cadeiras em que participam militantes seus, mas que me parece que acontece por decisão e conveniência do PS.

O PS, desde que chegou ao poder em Loures, sabe que tudo na vida tem um preço, até as pessoas que se dão a esse papel. No PSD, o PS encontrou vários transaccionáveis, dispondo hoje de uma carteira simpática de activos laranjas, que entre a lealdade a convicções e o conforto do encosto ao poder, não têm grandes dificuldades de decisão.

No meio da confusão instalada, o Vereador João Galhardas, exemplo de verticalidade, já foi avisando que “as acções desenvolvidas justificam-se pelo facto de o meu compromisso com o eleitorado ser inabalável”. Para os menos dados a interpretar o politiquês, no actual contexto, esta afirmação significa, que o Vereador João Galhardas se está positivamente nas tintas para aquilo que o seu partido venha a decidir em relação ao entendimento com o PS em Loures, porque no que lhe diz respeito ele está a entender-se muito bem com a malta e está bastante satisfeito com o seu lugarzinho de Vereador. Aliás, sente-se irremovível da cadeira do poder...

2008/09/18

OLÉ



Há uns meses o país sobressaltava com a escalada dos preços dos combustíveis. Na altura, o Governo e as gasolineiras desdobram-se em explicações sobre o aumento do preço do petróleo nos mercados nacionais e de como seria inaceitável que essa evolução não tivesse impacto nos preços cobrados aos consumidores.
A culpa seria assim do mercado e das suas sagradas regras. Nada a fazer a não ser aguentar. Em nome da "verdade" e da "transparência" o governo do PS havia liberalizado o mercado dos combustíveis e, como todos percebemos, a verdade pode ser uma coisa dura!
Há semanas que o preço do petróleo nos mercados internacionais desce, mas em Portugal essa descida não se está a verificar nos produtos refinados, porque será isso?
O senhor da BP veio explicar: parece que o dolar se valorizou face ao euro e que, além disso, estaremos ainda a consumir petróleo comprado nos preços mais altos!! Mas não pagámos logo os aumentos, mesmo quando consumimos petróleo comprado mais barato e com o euro em alta??
Bem vistas as coisas parece que as explicações variam de acordo com as conveniências.
Bem pode o Ministro "desejar" a baixa dos preços, que não fará esquecer quem nos colocou nos cornos deste touro.

2008/07/30

SALÁRIOS DOS GESTORES PÚBLICOS BAIXA 1%!




Secretário de Estado do Tesouro e Finanças desmente notícia
Governo nega que salários dos gestores públicos tenham aumentado

29.07.2008 - 15h02 PÚBLICO



Os salários dos gestores públicos parece que não aumentaram, terão até reduzido o valor global em 1%! Continuam apesar disso a ser dos mais elevados da UE. Não sei se isto não será um escândalo?
Mas mais escabroso é o facto de a maioria destes lugares estarem ocupados por diligentes militantes do PS, PSD e CDS-PP, os mesmos partidos que mais zurzem no sector público do estado. Afinal são os que mais ganham com a sua existência! Dividem os lugares entre si. Pagam-se muito bem. Quando estão no "activo político" dizem mal que se fartam da existência de empresas públicas, de como são um entrave ao desenvolvimento, etc, etc... Mas quando acabam as suas comissões políticas vão a correr gozar o El Dourado de um qualquer Conselho de Administração.

PARAGEM ACONSELHADA NAS CURVAS E NAS ROTUNDAS!




"Após uma década a "investigar" os caminhos para o futuro de Sacavém - tantos anos quantos aqueles em que governa na junta de freguesia - o PS da Câmara e da Junta, parecem ter finalmente descoberto o "alfa e o ómega" do "fomento do desenvolvimento" (seja lá isto o que for), as bases do progresso e "de uma maior qualidade de vida dos sacavenenses".

Não me surpreenderia que a Academia Sueca viesse a atribuir os Nóbeis da ciência e da economia, e quiça da medicina (descoberta do caminho viário para o Centro de Saúde) em conjunto e ex-acquo aos Srs. Presidentes da Câmara de Loures e da Junta de Sacavém. Tal é o pulo e avanço que a humanidade dá com esta "descoberta" sem igual sobre as alavancas do desenvolvimento.
De acordo com informações ainda reservadas a que tivemos acesso, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, terá já enviado para Sacavém, Mr. Cheick Sidi Diarra, Alto Representante da ONU para África, de modo a obter informações detalhadas sobre o extraordinário "rodinhas" com o propósito de o vir a implementar generalizadamente, assegurando, desse modo, no período do seu mandato como Secretário-Geral, um desenvolvimento sem precedentes no continente africano.O que são as coisas da vida!?...
Os arruamentos de Sacavém há anos que andam em guerra com viaturas, com peões, autocarros e quejandos. Uma verdadeira e permanente cowboyada. As sinuosas listas azul vivo só nos sugeriam um recrudescimento do ataque dos índios, coisa para breve e preparada com afã guerreiro.Afinal, é uma coisa muito mais à frente, muitíssimo evoluída: Informa-nos a diligente Junta de Freguesia que "a linha azul assinalada no pavimento das ruas significa entrar e sair em qualquer ponto do percurso".
É outro aspecto da maior valia no fomento do desenvolvimento. Já agora, este extraordinário principio também se aplica nas curvas e tudo ?!... O bendito "rodinhas" cumpre regras de trânsito diferentes das demais viaturas ?!...
Até Mr. Cheick Sidi Diarra, vai ficar surpreendido. Só não sei como é que ele vai arranjar tinta que "pegue" lá naqueles poeirentos caminhos africanos. Decerto, em Sacavém, contar-lhe-ão todos os segredos do desenvolvimento... até o truque da tinta.
Oxalá alguém faça um balanço desta "rodinhação" daqui a uns mesitos. É que não parece nada, mas somos todos nós que vamos pagar estas aventuras desenvolvimentistas dos Srs. Presidentes. E tudo isto para encobrir a sua incapacidade de assegurar serviços de saúde onde mais são precisos.Tudo sobre "rodinhas" hein ?!... "


2008/07/27

QUANDO O MEU AVÔ NÃO ME COMPROU UM CHUPA, PERCEBI QUE ELE NUNCA SERIA UM BOM PRESIDENTE DE CÂMARA


Não consegui, como era meu objectivo, visitar no passado sábado o Palácio do Correio-Mor. Assim, perdi a possibilidade de voltar a um dos mais belos locais do concelho de Loures. O Palácio do Correio-Mor, em Loures, consegue sempre transportar-nos para outro tempo. É uma pérola encravada num vale pronunciado e resguardado por encostas verdejantes. Dificilmente quem passe em Loures intui a existência daquela relíquia.


Mas perdi outra coisa. Perdi a possibilidade de ouvir um dos mais impressionantes discursos do Presidente da Câmara Municipal de Loures, felizmente as novas tecnologias conseguem encurtar o tempo e o espaço. Por momento da atribuição da Condecorações Municipais, onde o centro devem ser aqueles que o colectivo dos Vereadores decidiu distinguir, Carlos Teixeira não resistiu ao discurso egocentrado. Assim, teceu uma peça de autoelogios num tom, ora intimista, ora panegírico. Numa cerimónia dedicada aos outros, não resistiu ao eu. Mas a tónica forçada na autoconfiança e na certeza do apoio público, deixa transparecer a crescente insegurança e cansaço do Presidente da Câmara.


O discurso revela ainda, se comparado com outras peças oratórias produzidas ao longo destes últimos sete anos, um esgotamento da mensagem política e a ocupação do momento oratório pela vacuidade das referências de circunstância. Passou há muito o momento das promessas fáceis dos primeiros anos e dos discursos plenos de referências aos problemas herdados. Mas a evolução não passou para um discurso de presta-contas das promessas feitas, porque na sua maioria não foram cumpridas. Mas também não se reconverteu num discurso de futuro sobre os novos desafios, porque a Câmara Municipal estagnou no lodo do seu autocontentamento.

A referência à crítica política, que se vai avolumando em Loures, reduziu-se a uma nota inflamada em torno da vozes críticas em relação à utilização abusiva que o Presidente da Câmara faz da sua vida pessoal como meio de promoção política! Não deixa de ser curiosa esta postura. Neste momento, as únicas novidades significativas que o Presidente vai dando, são os progressos pueris do seu neto! Os “Políticos também têm família (...)” não me parece uma revelação digna de registo, mas o contexto e o revelador tornam-na merecedora de comentário.


Nunca aqui duvidámos que os políticos também têm família, aliás, em Loures, descobrimos pouco depois das eleições de 2001 que os eleitos do PS tinham família. Foram vários os ascendentes e descendentes dos recém eleitos a encontrar empregos e colocações na estrutura administrativa da Câmara Municipal. Em relação à vida privada e pessoal dos titulares de lugares públicos no Município de Loures, foram estas a únicas referências que alguma vez vi escritas.

O direito à reserva da vida privada, é um direito de todos os cidadãos, incluindo daqueles que desempenham cargos públicos. Salvo um ou outro episódio canalha, a exploração da vida privada não têm sido um método comum de luta e combate políticos em Portugal, nem no Município de Loures. E muito bem. Este facto é um sinal de urbanidade e maturidade democrática. Mas se a reserva da vida privada de terceiros é sinal de urbanidade, a recusa da utilização da vida privada como meio de promoção política também o é!

Pouco releva para a qualidade de um Presidente de Câmara conhecer a natureza e qualidade das suas relações pessoais e privadas. A sua exposição ostensiva é desnecessária e até de mau gosto em alguns momentos. Que interessa aos associados de uma Associação de Reformados, que esperam pela construção de um centro de dia, saber que no dia anterior o Presidente de Câmara jantou com os seus pais? Que interesse tem para uma Associação de Pais, que espera a construções de um novo jardim-de-infância, que o neto do Presidente de Câmara lhe sujou a gravata com papa? Que interesse têm referir no meio de uma intervenção pública o contexto em que a filha ficou menstruada? Pura falta do sentido do ridículo, para ser suave. Esta exposição tem um objectivo político claro, daí que a coloque âmbito da crítica política, a criação de um falso sentimento de proximidade às pessoas.

Se um dia o Presidente de Câmara se divorciasse da sua esposa, cortasse relações com os seus filhos e se se casasse em Barcelona com um gasolineiro, tornar-se-ia pior autarca por isso? Claro que não, continuaria a ser tão mau quanto é hoje.


A mim pouco me importa se o meu Presidente de Câmara e os Vereadores são casados, divorciados, solteiros, unidos de facto, se são fiéis ou infiéis, se têm filhos, sobrinhos ou enteados, se têm pais ou padrinhos, nem se as suas relações com estes parentes todos é boa, má ou assim-assim. Todos esses aspectos são da reservada esfera da sua vida privada, aí se devem manter e ser, por todos, intransigentemente defendida, incluindo pelos próprios. Até porque a utilização da vida privada no contexto do debate político é uma caixa de pandora, que importa nunca venha a ser aberta, para sanidade e elevação do debate político.

2008/07/24

E O FUTURO PÁ?!


Vi com toda a atenção a entrevista dada pelo Presidente da Câmara Municipal de Loures, Carlos Teixeira, ontem à noite à SIC Notícias. Não foram grandes as novidades. O Presidente da Câmara aproveitou para repetir o conjunto de declarações que foi proferindo nos últimos dias sobre a situação na Quinta da Fonte, explorando um pouco mais os sentimentos de rejeição face á comunidade cigana que se foram desenvolvendo no decorrer do processo. Não se pode deixar de assinalar que a entrevista de ontem foi o culminar de uma viragem de posição do Presidente da Câmara face a este assunto. Comentei aqui as declarações iniciais de Carlos Teixeira, onde ele se referia à comunidade cigana como as vítimas deste problema! Felizmente alguém conseguiu alterar-lhe o guião, porque se antevia o disparate. Ontem, a bitola era outra.

Mas mais interessante do que ouvir a súmula das respostas que foi dando sobre este assunto, importava que fossem dadas pistas para a solução do problema. Não a solução do problema das famílias que ainda teimam em exigir uma habitação em local alternativo, mas as soluções que previnam a repetição de situações como as que temos vivido. Sobre este aspecto não avançou uma única ideia. Optou por falar em exigência, e muito bem, pena que só a tenha descoberto agora. Aliás, continua a ser para mim uma incógnita como pode uma família acumular uma dívida de 17 000 euros em água, e como pode dize-lo o Presidente da Câmara sem se sentir envergonhado com tal situação! As situações de incumprimento não são de agora, mas até há pouco tempo elas não preocupavam sobremaneira a Câmara Municipal.
Na entrevista aproveitou ainda para alfinetar a oposição, não se escusando à referência a Demétrio Alves. Este facto também não deixa de ser estranho. O bairro existe à cerca de 10 anos, Carlos Teixeira governa o município à 7 anos, os problemas de segurança e de desarticulação social do bairro intensificaram-se nos últimos 5 anos, mas da responsabilidade não lhe toca nada!
O que é necessário perceber são os planos que tem para o futuro. Na reunião de Câmara realizada ontem, a maioria socialista voltou a recusar a proposta de instalação de um Posto das Forças de Segurança no Bairro, do que se percebe que a implementação de um sistema de policiamento de proximidade, que monitorize as actividades ilícitas que lá ocorrem, que se integre na comunidade, conhecendo-a, que dissuada e previna pela sua presença, não é um caminho que a Câmara queira fazer. Em vez disso, continuar-se-á a assistir a uma presença episódica de grandes contingentes repressivos, que de vez em quando militarizam o bairro. Como estratégia de segurança, sem dúvida que a primeira opção me parece a mais adequada. Carlos Teixeira não acha e chumbou uma proposta da CDU, que ia nesse sentido.

Em todas as reflexões e reacções que se foram conhecendo, seja do Governo Civil, seja do Governo, seja da própria Câmara Municipal, parece unânime que o futuro passa pelo bairro. Passa pela sua recuperação social e física, mas passa também pelo esforço de envolvimento dos habitantes nesse processo. Como pretende a Câmara fazê-lo? Pretenderá mesmo fazê-lo, ou apenas o afirmou, porque fica bem afirmá-lo? Nessa mesma reunião de Câmara, Carlos Teixeira e a sua maioria, chumbaram a possibilidade da constituição de uma Comissão de Administração do Bairro, onde participassem os moradores, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia da Apelação. O objectivo desta proposta é óbvio, envolver os habitantes e os seus representantes, responsabilizá-los, torná-los parceiros nos ganhos futuros e com isso tê-los como os primeiros defensores desses ganhos. Mas a Câmara não quer ir por aí. Então irá por onde?

O discurso dos malandros que não pagam renda, não pagam água, não pagam impostos, nem mais coisa nenhuma tem um prazo de validade, e qualquer dia não sobreviverá à pergunta sobre quem é que os deveria fazer pagar e não o fez, mas sobretudo não resolve nenhum dos problemas de fundo que urge resolver.

2008/07/22

O SALDANHA ESTÁ BEM POSICIONADO!


Estátua do Saldanha em Lisboa, porque não encontrei nenhuma do nosso de Loures.


Deambulando pela Internet, fui visitar o inactivo Buloures, e reparei numa consulta de opinião, ainda activa, sobre quem deveria ser o parceiro de acordo político do PS para a governação do município. Apresentação dos resultados lá recolhidos até hoje.

Com quem deve o PS entrar em acordo pós-eleitoral para assegurar a governação da Câmara Municipal?

CDU 5% - 3 votos
PSD 24% - 15 votos
BE 5% - 3 votos
Com o Saldanha 32% - 20 votos
Com o resto da Família dos Vereadores 35% - 22 votos

Apesar da amostra não ser grande espingarda, há conclusões, bastante abusivas, que se podem extrair desta consulta.

A primeira é óbvia; a forte presença da família na Administração Municipal consegue o lobbying suficiente para liderar a consulta.
O Vereador Galhardas conseguiu convencer, pelo menos 15 pessoas nos últimos três anos, que é vantajosa a sua presença no Executivo Municipal.
A CDU e o BE só fazem coligações com a esquerda.
O mais enigmático é o bom resultado alcançado pelo Saldanha, mas conhecido pelo banhista do Rio de Loures. Porém, alguma dose de especulação teórica, mas não muita, permite concluir, que todos os votos no Saldanha são votos repetidos do Assessor António Canhão, que pensou que a referência ao Saldanha era metafórica, e que no fundo se referiam a ele.
Esta interpretação dos dados, permite ainda uma outra extrapolação. Em Loures, os mal-entendidos podem levar ao poder as personagens mais inusitadas.


O estudo resulta de uma parceria entre a Universidade Sénior, uns tipos que estavam na mesa do canto nos Periquitos e a Câmara Municipal de Loures / Aprovisionamentos (que ficou de enviar uns clips, mas parece que não há e estão à espera que alguém os mande comprar).

2008/07/19

QUE COMECEM AS FESTAS



Iniciaram-se ontem as Festas em Loures. Como vem sendo hábito, assinala-se como momento alto o desfile da corte pela tenda do Caracol Saloio. À hora conveniente, tenda cheia, logo cenário montado, a corte, Presidente, assessores, adjuntos, secretárias, alguns Presidentes de Junta, consortes e outros penduras, entram pela porta principal e iniciam o périplo pelas barraquinhas. Eles ufanos de peito cheio, elas em equilíbrio instável no alto dos seus saltos lá vão distribuindo saudações pela populaça e palmadinhas nas costas, muitas palmadinhas nas costas.
A corte avança. É bom que os vejam bem. São eles os magnânimos a quem o povo deve gratidão. A gratidão do voto futuro, bem se vê. Só há corte se houver poder, e o poder fica-lhes tão bem!
A tenda está quente e as passadas aceleram.
A mesa para a corte está posta e reservada. Uma amostra da especialidade de cada um dos restaurantes, gentil a agradecidamente oferecida, outro remédio não lhes resta, forma o banquete que aguarda fumegante a corte que se acerca da sua mesa. Ao contrário da populaça que lhe serve de cenário, comerão e beberão até a saciedade sem que um cêntimo de cruzado lhes saia da bolsa. Privilégios da nobreza. Na mesa mesmo em frente dois jovens súbditos fazem um pedido estranho ao empregado, uma bebida e um copo vazio por favor. Escutando e percebendo a circunstância, o empregado olha de soslaio para a mesa da corte, farta em sorrisos, autosatisfação e bebidas frescas, e diz ao jovem, trago duas e pagas só uma. Em frente da corte, actos subtis, revelam a censura e a tomada de consciência. Mas a corte continua indiferente.

Que continuem as Festas.

2008/07/18

FESTAS EM LOURES


Foto de espectáculo nas Festas em 2001

"Em tempos que já lá vão, por esta altura Loures fervilhava de actividade cultural. As Festas do Concelho, longe de serem um evento isolado no ano, eram o reflexo da política cultural no Município. As Festas eram realmente do Concelho, pelo envolvimento de todas a estruturas municipais, desde a sua concepção, construção e funcionamento, passando pela participação das colectividades e associações locais. Para quem as viveu, Julho é um mês de saudade e nostalgia.Ao longo dos últimos anos, sempre ensaiando novos modelos, porque o que encontraram lhes causava urticária, o PS chegou a 2007 com uma coisa tipo Festas desconexas, sem fio condutor, assentes como sempre em dois ou três concertos e mais qualquer coisa pelo meio para dar alguma consistência. Talvez não saibam fazer melhor, mas Loures continua a merecer melhor."
Este texto foi publicado em Julho do ano passado, mas a análise continua tão actual como então. Apesar disso ele é omisso. Não diz que as Festas do Concelho eram um momento de afirmação do Concelho, um momento de orgulho para os seus habitantes que muitas vezes faziam delas a sua sala de visitas, convidando amigos a juntar-se às Festas. Mas era também um momento de orgulho para os trabalhadores do Município, que tinham nas Festas um corolário de um ano de trabalho. Também por isso elas eram especiais.

2008/07/17

AFINAL HÁ MAIS!




Então não querem lá ver que os autores do estudo sobre a pobreza infantil continuam a afirmar que o realizaram em parceria com a Câmara Municipal e até apresentaram provas desse relacionamento. Maria João Malho, que responde e apresenta documentos comprovativos da preparação do trabalho de campo em colaboração com a Câmara de Loures, fax’s e e-mail’s trocados com o secretariado do Vereador Ricardo Leão. Pode tudo ser visto na Loures TV. Se eventualmente tudo aquilo é mentira, entraremos no campo da falsificação de documentos. Mas o mais certo é ainda não termos saído do campo da mentira política.

2008/07/14

MAKE LOVE, NOT WAR




Recebo-as (as chaves) - Carlos teixeira

Depois das declarações exaltadas, na sequência dos incidentes violentos que tiveram lugar na Quinta da Fonte, que podem ser escutadas no link acima, o Presidente da Câmara inflecte o discurso, mas mantém o delírio.

De concreto, percebe-se que afinal a Câmara Municipal estará a encontrar um solução de realojamento das famílias da comunidade cigana.

A Câmara Municipal de Loures vai contactar a Segurança Social para encontrar uma solução temporária de realojamento para as famílias ciganas do bairro da Quinta da Fonte.” In, Público.

Mas como a tendência para o disparate é intrínseca, Carlos Teixeira afirma ao Expresso que “Há uma minoria que actua ao cair da noite”, dizendo ainda “tenho a indicação que naturalmente será a outra comunidade “africana” a atacar, porque é a outra comunidade, a cigana, que está a ser atacada”. Será da minha sensibilidade, ou o mediador tomou partido?

Espera-se agora que a comunidade africana se concentre em frente à Câmara Municipal, pedindo explicações, como o fizeram hoje os habitantes de etnia cigana, para que sobre este problema o Presidente da Câmara, Carlos Teixeira, volte a dizer outra coisa completamente diferente.

2008/07/10

O PRESIDENTE DA CÂMARA NÃO ACREDITA NA EXISTÊNCIA DE PEDINTES, MAS QUE OS HÁ, HÁ!




Na reunião da Assembleia Municipal de Loures, que se realizou ontem cá no Palácio, o Presidente Carlos Teixeira afirmou que não havia pedintes em Loures. A afirmação foi feita no contexto do debate sobre o estudo sobre a pobreza infantil no concelho. Deste modo, tentou o Presidente desvalorizar os sinais de alerta sobre o empobrecimento generalizado da população de Loures, como do resto do país, percebendo-se que Carlos Teixeira só reconhecerá o problema quando estivermos todos a pedir nos passeios da cidade.

Mas a afirmação revela ainda outra coisa. Revela que o Presidente tem andado demasiado distraído, porque no seio do seu executivo já existem vários pedintes.

A situação mais grave é a do Vereador João Galhardas, que tem pedido a todos os santinhos e ao Deus que lhe valha, para que o deixem continuar a ser vereador, que a Distrital do PSD continue a gostar dele, que o Teixeira se lembre dele na formação das próximas listas do PS, nem que para isso tenha de arranjar uma peruca loura e entrar pela quota das mulheres. Voltar a uma vida de contagem de trocos numa qualquer dependência bancária é que não.

Os Vereadores, João Pedro Domingues e Borges Neves pedem em desespero, que o Presidente da Câmara fale o menos possível sobre o que quer que seja. As reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal estão a tornar-se mais perigosas que uma ida ao consultório do professor Bambo. Nesta última, a sodomização é uma possibilidade, nas primeiras, tem sido uma constante.

O Vereador Ricardo Leão pede que lhe ofereçam todos os livros do Peter Pan, para perceber como se pode manter para sempre jovem, porque esta foi a única vantagem competitiva que lhe garantiu um lugar nas listas do PS e no Executivo Municipal, mas o tempo tem estado a resolvê-la e outras qualidades não se revelaram.

O Vereador António Pereira também pede, pede muito e esforça-se a pedir, mas sem sucesso, porque nunca se percebeu nada do que ele pede.