
2008/03/22
2008/03/14
TODA A VERDADE SOBRE O OVO DA PÁSCOA


Apesar da erudição das explicações anteriores, a verdade é mais simples e natural.
Há muito, muito tempo, numa quinta perdida nos confins da Provença, teve lugar um amor incompreendido e negado à saciedade durante séculos. Essa paixão, que a Igreja se esforçou por ocultar, com mais determinação do que a que foi usada para desvalorizar Maria Madalena, envolvia uma poedeira e um coelho branco, que desafiando os limites da natureza e da moral vigente assumiram a sua relação, para escândalo e desconforto moral da tacanhez reinante.
Em fuga, chegaram a Barcelona onde viveram o resto dos seus dias.
As provas desta paixão, os ovos, foram sendo sistematicamente escondidos, sobretudo das crianças, as mais impressionáveis, que continuaram sendo educadas no espartilho de uma moral redutora e desumana. A fábula construída para justificar a existência dos ovos, sempre que uma criança os encontrava, ombreia em delírio com a cegonha proveniente de França e com a polinização pela abelhinha.
A verdadeira história não poderia ser mais simples, tem a simplicidade de qualquer paixão, seja ela entre quem seja, e o drama da intolerância. A verdade que se tentou ocultar durante tanto tempo é que todas as paixões podem ser, lato senso, fecundas.
Mas os tempos estão a mudar. Em Espanha a união entre poedeiras e coelhinhos brancos já é legal.
CAPRICHOS DIVINOS


Festa assimilada e adaptada pelo cristianismo aos seus rituais, como tantas outras.
A Páscoa corresponde a várias festividades que ocorriam com maior predominância nos países do Norte da Europa, mas registadas também nas zonas mediterrânicas. Coincidiam estas celebrações com o equinócio da Primavera e comemoravam o fim do longo Inverno, sobretudo no norte e festejavam a fertilidade dos campos e também dos homens.
Era a festa da renovação, da vida, do renascer…
Os judeus aproveitaram a ocasião para associarem a esta data a libertação dos escravos do Egipto, passando a considerar a Páscoa como a festa da libertação ou da passagem.
Os cristãos da nossa era acrescentaram à data, a morte de Cristo, a sua ressurreição e a subida aos Céus, aproveitando os princípios festejados e acrescentando-lhe alguma mística.
Quanto aos ovos, aos coelhos e outras simbologias várias (por exemplo, no Alentejo fazem-se bolos em forma de lagartos), a grande maioria representa o nascimento, o renascer. Até a gastronomia da festa está directa ou de uma forma enviusada relacionada.
Celebra-se a vida.
A vida que nesta época do ano consegue parecer-nos mais bela porque, de facto, tudo está mais bonito.
Se Jesus Cristo resolveu subir ao céu ao terceiro dia conforme as escrituras, numa altura destas, não revela lá muito bom gosto, mas….
Vá lá a gente entender os deuses.
Caprichos divinos.
Nós por cá vamo-nos contentando com o cabrito, os folares, as amêndoas, retemperando as forças para continuar na luta por um mundo mais harmonioso e onde se comemore todos os dias a Vida.
Se o Sócrates, a Ministra da Educação, e restante comandita quiserem subir aos céus, eu apoio e ajudo a afastar a pedra.
2008/03/13
OS OVOS DO EMBUSTE

Aparentemente o coelho é símbolo da Páscoa por influência irlandesa e egípcia (o Antigo Egipto). Por um lado os irlandeses levaram a Páscoa para os Estados Unidos da América e por outro, os egípcios viam no coelho um símbolo de renovação da vida e reprodução da mesma. Até aqui nada de estranho, dada a fama dos coelhos para reprodução e a voracidade com que os animais da família dos leporídeos se entregam ao acto. Mais esfomeados que em época de verdadeira fome.
Mas tudo seria normal se a Páscoa fosse apenas coelhos e alegria. Ora, alguém introduziu ovos na história e tudo se adensou num enorme mistério. Como é possível ter coelhos e ovos trazidos por estes animais simpáticos? A resposta parece simples, embora os factos pouco credíveis. Segundo uma lenda muito antiga, uma senhora pintou ovos de galinha e escondeu-os para que os filhos os procurassem, e durante a demanda os filhos viram um coelho em fuga e no lugar onde tinham avistado o animal fugidio encontraram os ovos. Um tremendo mito por resolver. Um coelho que foge e deixa como herança belos ovos de galinha coloridos.
Talvez por isso seja festejado outro acontecimento na mesma altura do ano: a Ressurreição de Cristo. Um homem que diz ser filho de Deus e não o encontrarmos. Cristo não fugiu, foi crucificado, mas como prova nem ovos nem respostas, apenas umas nebulosas sobre a sua história e vida. Os ovos serão os dogmas e mentiras da Igreja para justificar uma invenção do Homem, ou por outro lado, nem ovos nem coelho existiram?
Friedrich Nietzsche afirma que o Homem é tão pessimista que teve de criar a ideia de Deus para ter alguém acima dele. Talvez tenha razão e uma certeza partilho convosco: Nietzsche nunca teve coelhinhos e ovos da Páscoa.

