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2008/07/10

O PRESIDENTE DA CÂMARA NÃO ACREDITA NA EXISTÊNCIA DE PEDINTES, MAS QUE OS HÁ, HÁ!




Na reunião da Assembleia Municipal de Loures, que se realizou ontem cá no Palácio, o Presidente Carlos Teixeira afirmou que não havia pedintes em Loures. A afirmação foi feita no contexto do debate sobre o estudo sobre a pobreza infantil no concelho. Deste modo, tentou o Presidente desvalorizar os sinais de alerta sobre o empobrecimento generalizado da população de Loures, como do resto do país, percebendo-se que Carlos Teixeira só reconhecerá o problema quando estivermos todos a pedir nos passeios da cidade.

Mas a afirmação revela ainda outra coisa. Revela que o Presidente tem andado demasiado distraído, porque no seio do seu executivo já existem vários pedintes.

A situação mais grave é a do Vereador João Galhardas, que tem pedido a todos os santinhos e ao Deus que lhe valha, para que o deixem continuar a ser vereador, que a Distrital do PSD continue a gostar dele, que o Teixeira se lembre dele na formação das próximas listas do PS, nem que para isso tenha de arranjar uma peruca loura e entrar pela quota das mulheres. Voltar a uma vida de contagem de trocos numa qualquer dependência bancária é que não.

Os Vereadores, João Pedro Domingues e Borges Neves pedem em desespero, que o Presidente da Câmara fale o menos possível sobre o que quer que seja. As reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal estão a tornar-se mais perigosas que uma ida ao consultório do professor Bambo. Nesta última, a sodomização é uma possibilidade, nas primeiras, tem sido uma constante.

O Vereador Ricardo Leão pede que lhe ofereçam todos os livros do Peter Pan, para perceber como se pode manter para sempre jovem, porque esta foi a única vantagem competitiva que lhe garantiu um lugar nas listas do PS e no Executivo Municipal, mas o tempo tem estado a resolvê-la e outras qualidades não se revelaram.

O Vereador António Pereira também pede, pede muito e esforça-se a pedir, mas sem sucesso, porque nunca se percebeu nada do que ele pede.

2008/07/04

O EGOÍSMO DE PITEIRA




"O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. Ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la ascender na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é o causador de todas as misérias do mundo terreno."

Extraído d`O Evangelho Segundo o Espíritismo
É por esta razão que o Presidente da Câmara Municipal, Carlos Teixeira, se indignou com o Deputado Municipal da CDU, Paulo Piteira. Durante o debate sobre a criação de um Quadro de Pessoal de Direito Privado, apontado pela Câmara como a única solução para a criação de um vínculo estável a trabalhadores que não o têm neste momento, o Presidente da Câmara acusou o Deputado da CDU de egoísmo. Porquê? Porque o Deputado argumentava que a Câmara Municipal deveria integrar os trabalhadores em causa no quadro de direito público já existente, alterando-o, se necessário, para que tal fosse possível. O Presidente entende que, tal como o Deputado Municipal, também os trabalhadores dos SMAS devem ter direito a trabalhar no "privado". "Só o senhor é que pode trabalhar no privado? E os trabalhadores dos SMAS não podem!? O senhor pode, mas eles não!" Palavra do Presidente.
Não sei se as paredes deste Palácio aguentarão por muito mais tempo a trepidação destas mentes!

2008/06/27

O ALPINISTA





Aproveitei o calor para ir assombrar para outras latitudes. Regressei hoje ao Palácio, e ainda por cá estão os ecos da última Assembleia Municipal. Tanto quanto consigo perceber pelos vestígios, terá sido mais um momento de assombro.
A meio dos trabalhos, o Deputado Municipal do PS, Luís Henrique Grave Rodrigues, terá mesmo tentado escalar, com a ajuda de uma machadinha de alpinista, os cerca de 1,70m do Deputado Municipal do BE, Vitor Edmundo.
Ao que parece, a queda foi aparatosa, provando-se que o desportista não tem mesmo jeito nenhum para aquilo.

2008/05/03

NA CASA DO VIZINHO XI

Crise da fome ou o ovo da serpente?

"Vi, há muitos anos, creio que em finais dos anos 70, o fabuloso filme de Ingmar Bergman com o título “O Ovo da Serpente”. Nesse filme mostram-se os sinais do mal que ia incubando no mundo fútil e distraído que antecedeu a 2ª Guerra Mundial. À saída, perguntávamos uns aos outros, incrédulos, “como foi possível que não se tivesse visto a tempo?”Lembrei-me desse filme a propósito da já impressivamente baptizada como a Crise da Fome, que explodiu nos jornais como uma bomba.
De repente, sabemos que os alimentos básicos como o arroz, o milho e o trigo começam a faltar no mercado e os preços sobem em flecha, nalguns casos cerca de 40%. E como é que se acendeu o rastilho? Foi por análises atentas, acompanhamento dos mercados, estatísticas, mudanças de décimas e milésimas nas balanças comerciais ou nos mil e um relatórios sobre tudo e mais alguma coisa com que nos informam diariamente? Não. Foi porque começou a haver revoltas das populações com fome. Em vários países deste pequeno e global mundo, grupos de cidadãos ameaçam governos e, nos que já nem têm forças para tanto, as pessoas morrem por falta do pouco que tinham, os alimentos básicos. O Presidente da FAO terá falado do assunto há cerca de um ano, parece que não lhe ligaram muito, é facto que as eleições nos EUA ocupam milhões de noticias, comenta-se cada ruga da senhora Clinton ou a gravidez da nova ministra espanhola, os horrores de um louco austríaco indignam o mundo e pergunta-se “como foi possível?”Ouvimos todas estas notícias e é inevitável pensar como tudo isto é transmitido de uma forma fútil, a maioria do que se mostra, analisa e evidencia é episódico, o tempo que perdemos a ouvir isto tudo é puro desperdício, mas o que é importante, o que envenena insidiosamente o mundo em que vivemos, é escondido até que a desgraça se abata sobre as nossas cabeças.
Pense-se na crise do subprime, que, ao menos na aparência, apanhou toda a gente de surpresa e continua a minar sem se saber ao certo o quê, e agora a falta de cereais, um drama mundial de consequência imprevisíveis, atinge-nos com a força de um explosivo escondido. Ouvi hoje que a especulação bolsista terá uma grande responsabilidade nisso. Li ontem que a procura de alternativas aos combustíveis fósseis levou ao cultivo desenfreado de agrocarburantes, que as urbanizações cresceram em terrenos de cultivo, que a produção de arroz e trigo deixou de ser rentável para os agricultores…
Por todas estas razões ou ainda por outras, o facto é que não consigo entender esta distracção global. Numa época em que o ambiente ocupa o top das agendas, em que as mudanças climáticas nos ameaçam com as consequências a séculos ou milénios de distância, fazem correr milhões e milhões, em que se investigam os solos, as nuvens e as partículas, nesta maravilhosa época em que tudo se sabe e quase tudo se prevê, ninguém reparou na crise da fome? Começou ontem, nos jornais, ou a quem é que interessou que não se falasse disso? Soube-se hoje que vão agora ser disponibilizados uns larguíssimos milhões de dólares para remediar os efeitos imediatos, enquanto se preparam pacotes de “medidas” para o futuro. Mas as serpentes,ainda estarão no ovo?"
Texto de Suzana Toscano, publicado no Quarta República.