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2008/10/14

"NÃO É COM UMA ESMOLA QUE NOS CALAM"





Imagens do estado actual da Ribeira do Prior Velho e do aterro ilegal.

Críticas na entrega de apoios

00h30m
LUÍS GARCIA

A atribuição do fundo de apoio às vítimas das cheias de Fevereiro, em Loures, decorreu no meio de muitas críticas. Os moradores e empresários criticaram a falta de medidas para prevenir episódios semelhantes.

Ao todo, a Câmara de Loures distribuiu 500 mil euros por algumas das famílias e empresas que perderam quase tudo nas cheias que assolaram o concelho. O presidente Carlos Teixeira garante que esta foi a primeira vez que uma autarquia prestou este tipo de apoio à população.

Carlos Teixeira justificou a demora na atribuição da verba com a lentidão da entrega dos processos por parte da população afectada e com a necessidade de alterar alguns regulamentos municipais de modo a "fazer tudo dentro da lei". Segundo o autarca socialista, "é muito triste" que o município não tenha recebido "nenhuma verba de apoio" por parte do Governo, apesar de, pelas contas da Câmara, o prejuízo tenha ascendido aos 20 milhões de euros.

Quem não se ficou pelos ajustes foi a população afectada. Aproveitando a presença do executivo municipal, os populares criticaram a falta de medidas para prevenir novas cheias. "Não pensem que nos calam com esta esmolazinha", dizia uma das vítimas das cheias. "Ainda esta noite choveu e eu não preguei olho, sempre a controlar o rio, a ver se não transbordava para a minha casa", queixava-se outra.

Maria Antónia Mendes e Manuel Marques fizeram questão de mostrar aos responsáveis da Câmara a habitação onde residem, em Ponte de Frielas. As condições da casa são tão más que o Tribunal de Menores ordenou que os filhos do casal, com 13 e 17 anos, fossem retirados à guarda dos pais.

A marca de onde andou a água, acima de um metro e meio, ainda é visível na parede. O cheiro intenso denuncia a humidade que também é visível na cor das paredes e do chão. Duas ratoeiras armadas fazem parte do pobre mobiliário do quarto onde o casal dorme.

Maria Antónia Mendes e Manuel Marques, ambos na casa dos 30 anos e desempregados, moram há 12 anos naquela habitação precária, pagando uma renda de 125 euros, apesar de saberem que a zona não é apta para habitação. Mesmo ao lado da casa, a um nível mais elevado do que a própria habitação, corre a Ribeira da Póvoa. Sempre que transborda, a casa fica debaixo de água.
A comitiva municipal deixou um conselho ao casal: que pegassem nos 4.830 euros que receberam de indemnização e procurassem uma habitação com condições. Antónia Mendes não fica convencida. "O dinheiro não nos tem chegado nem para comer", diz, "Se mudarmos de casa, como vai ser quando esta ajuda se acabar?".

2008/10/10

"ACABE-SE COM AS ELEIÇÕES"




No passado dia 8 de Outubro de 2008, foi inaugurado o novo Centro de Saúde que era para ser de Sacavém e agora é de Sacavém e Camarate.
Pelo noticiado em alguns órgãos de comunicação social, soube que a cerimónia de inauguração decorreu com a presença dos eleitos locais, do senhor presidente da Câmara, da senhora ministra, entre outros representantes de diversas instituições.

OK.

Acontece que resolvi questionar os meus representantes na Assembleia de Freguesia, sobre o evento. Se o Centro estava bem equipado, se o edifício era funcional, se os serviços prestados tinham melhorado em relação ao antigo, se na cerimónia de inauguração se tinha abordado a questão do Atendimento Permanente, se alguém tinha dado novidades em relação ao Hospital de Loures.

Pasme-se! Os eleitos da Assembleia de Freguesia não tinham sido convidados, nem sequer informados da inauguração.
Perante a minha incredibilidade, garantiram-me que é o costume, apesar dos constantes protestos por eles apresentados.

Não posso admitir que o meu voto não conte.
É certo que, infelizmente, a força política em que votei não ganhou as eleições. Mas é também certo o meu voto e de mais uns milhares valem tanto como os que obtiveram a maioria, o PS, que pelos vistos não sabe viver em democracia e nem cumpre os princípios básicos da democracia representativa.

Isto leva-me a pensar que se dependesse deles, as eleições acabavam-se.

Perigoso….

2008/07/30

PARAGEM ACONSELHADA NAS CURVAS E NAS ROTUNDAS!




"Após uma década a "investigar" os caminhos para o futuro de Sacavém - tantos anos quantos aqueles em que governa na junta de freguesia - o PS da Câmara e da Junta, parecem ter finalmente descoberto o "alfa e o ómega" do "fomento do desenvolvimento" (seja lá isto o que for), as bases do progresso e "de uma maior qualidade de vida dos sacavenenses".

Não me surpreenderia que a Academia Sueca viesse a atribuir os Nóbeis da ciência e da economia, e quiça da medicina (descoberta do caminho viário para o Centro de Saúde) em conjunto e ex-acquo aos Srs. Presidentes da Câmara de Loures e da Junta de Sacavém. Tal é o pulo e avanço que a humanidade dá com esta "descoberta" sem igual sobre as alavancas do desenvolvimento.
De acordo com informações ainda reservadas a que tivemos acesso, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, terá já enviado para Sacavém, Mr. Cheick Sidi Diarra, Alto Representante da ONU para África, de modo a obter informações detalhadas sobre o extraordinário "rodinhas" com o propósito de o vir a implementar generalizadamente, assegurando, desse modo, no período do seu mandato como Secretário-Geral, um desenvolvimento sem precedentes no continente africano.O que são as coisas da vida!?...
Os arruamentos de Sacavém há anos que andam em guerra com viaturas, com peões, autocarros e quejandos. Uma verdadeira e permanente cowboyada. As sinuosas listas azul vivo só nos sugeriam um recrudescimento do ataque dos índios, coisa para breve e preparada com afã guerreiro.Afinal, é uma coisa muito mais à frente, muitíssimo evoluída: Informa-nos a diligente Junta de Freguesia que "a linha azul assinalada no pavimento das ruas significa entrar e sair em qualquer ponto do percurso".
É outro aspecto da maior valia no fomento do desenvolvimento. Já agora, este extraordinário principio também se aplica nas curvas e tudo ?!... O bendito "rodinhas" cumpre regras de trânsito diferentes das demais viaturas ?!...
Até Mr. Cheick Sidi Diarra, vai ficar surpreendido. Só não sei como é que ele vai arranjar tinta que "pegue" lá naqueles poeirentos caminhos africanos. Decerto, em Sacavém, contar-lhe-ão todos os segredos do desenvolvimento... até o truque da tinta.
Oxalá alguém faça um balanço desta "rodinhação" daqui a uns mesitos. É que não parece nada, mas somos todos nós que vamos pagar estas aventuras desenvolvimentistas dos Srs. Presidentes. E tudo isto para encobrir a sua incapacidade de assegurar serviços de saúde onde mais são precisos.Tudo sobre "rodinhas" hein ?!... "


2008/06/04

NA NOSSA ALDEIA, QUE DEUS A PROTEJA, VAI PASSAR A PROCISSÃO!


Texto de Bruno Simão, a convite da Afilhada do Marquês

Sacavém celebra esta semana o 11º aniversário de elevação a cidade. É sem dúvida alguma uma data que merece ser assinalada, promovendo-se em torno dela os eventos que justamente a dignifiquem. Sendo um título meramente honorífico, é mais um elemento de valorização da comunidade, que deve ser aproveitado no sentido de dotar de conteúdo o título.

A Junta de Freguesia assinala esta data com a realização de alguns eventos. Amanhã, realiza-se uma Sessão Solene evocativa da data. Seguindo a tradição, será uma sessão exclusiva, onde, mais uma vez, não terão direito de uso de palavra os representantes dos diferentes grupos políticos com assento na Assembleia de Freguesia. Desta, prática reiterada, sai ferida a observação da pluralidade, sendo um sintoma de falta de maturidade democrática e de urbanidade. Por isso mesmo, no ano passado, a Assembleia de Freguesia de Sacavém aprovou por unanimidade uma recomendação para que os princípios da representatividade e da pluralidade fossem observados pela Junta de Freguesia, sempre que estivessem em causa actos solenes da sua responsabilidade. A Junta de Freguesia optou por ignorar tal recomendação e entende ser legítimo excluir as oposições, como se elas não fossem parte integrante da comunidade, legítimas e sufragadas.

Em Sacavém, cidade há 11 anos, continua-se a cultivar e a praticar uma política de campanário, sem audácia nem rasgo. Uma política pouco exigente, rotineira e avessa à crítica. O poder é exercido de modo autocrático, como se a legitimidade eleitoral para o exercício do poder tivesse sido um acto de escritura pública de transferência de propriedade do interesse público local.

Ao fim de quase 3 mandatos anos de gestão socialista em Sacavém, a jovem cidade, é uma zona cada vez mais periférica e deprimida. Parte dessa depressão resulta do processo de desindustrialização da cidade, que lhe amputou um dos seus mais importantes factores identitários e fonte de importantes dinâmicas sociais e económicas. A depressão sente-se no comércio local, na pouca dinâmica associativa e social, em suma, na gradual perda de vida própria numa localidade, que acentua os seus traços de dormitório. Este facto não pode ser assacado à gestão local, porque pouco dependia dela a inversão desse processo. Contudo, é-lhe imputável a ausência de estratégias que compensassem esse declínio.

Não é expectável uma repetição da história, nem a edificação de novas fábricas. O passado é isso mesmo, passado. Por isso, deve-se cuidar do futuro. E é esse cuidar do futuro que está em falta.

Mesmo, quando surgem oportunidades, como sejam as intervenções do PROQUAL, a sua gestão tem sido tão desastrosa, que não só não se aproveitam os recursos ganhos, como ficam por resolver parte importante dos problemas, criando-se até novos.

No caso das obras do PROQUAL, não se pode deixar de referir que nas obras em curso, os atrasos são de tal ordem, que a actual orientação da Câmara Municipal, é não avançar mais nenhuma data de conclusão. O imbróglio e os incómodos gerados, a par da arrogância municipal e local na gestão da obra, não criaram as condições para que no decurso das obras fossem tidas em conta as preocupações dos cidadãos. Aliás, os beneficiários das melhorias, aqueles que as suportam e a quem elas se destinam, chegaram mesmo a ser destratados quando levantaram dúvidas sobre a bondade de algumas das soluções encontradas!

Neste caso, a Junta de Freguesia facilmente definiu o seu campo, preferindo servir de almofada ao legítimo descontentamento das pessoas em relação à Câmara Municipal, em vez de assumir o seu papel de porta-voz dos seus anseios.

A subserviência da gestão do PS em Sacavém face às opções da Câmara Municipal e ao Governo tem sido um dos seus traços distintivos. Na má tradição das Regedorias, a Junta de Freguesia incapaz de produzir e defender um conceito de cidade, acolhe acriticamente todas as opções superiores sem as questionar ou analisar à luz do que são os interesses da comunidade.

Aconteceu assim com a desactivação do Quartel do Adidos, momento em que a Governo com o beneplácito da Câmara Municipal, mas também da Junta de Freguesia, decidiu atender aos seus problemas orçamentais em vez de atentar aos interesses da Cidade.

Aconteceu assim com o negócio em torno das áreas de cedência das construções da antiga Fábrica do Arroz, profundamente lesivo dos interesses da cidade.

Aconteceu com a despudorada cumplicidade em relação aos abusos da Câmara e do construtor no aterro realizado junto à Ribeira do Prior Velho e cujos resultados são conhecidos de todos.

Acontece assim com o silêncio em relação à ocupação que o novo Centro de Saúde terá, e que resultará numa diminuição dos serviços inicialmente previstos, dando cobertura a uma decisão do Governo que não interessa a ninguém e que tem merecido forte contestação.

Acontece assim, sempre que o Presidente da Junta responde, perante um problema concreto, um bem rústico, “A Junta não tem nada com isso!”. Ignorando que nada do que se passa numa autarquia deve ser alheio ao seu autarca. Ignorando que a um Presidente de Junta está acometido um papel que vai bem além do de mero zelador. Deve ser um agente de informação e intervenção, que tem como principal preocupação o bem-estar dos seus representados, antes de qualquer outro interesse.

Sacavém tem um zelador empenhado, mas pouco eficaz, que perspectiva de forma desadequada o seu papel e as necessidades da comunidade a que preside. Que convive bem com uma aldeia de procissões e arraias, não sentindo que uma cidade deve ser um pouco mais do que aquilo que entende ser suficiente.

2008/05/25

ABENÇOADO T2




Como é do conhecimento geral, Spielberg tem casa em Sacavém.
Pouco a frequenta, os vizinhos nunca o viram.
Mas o certo é que comprou um T2 bonzinho, com duas casas de banho, cozinha equipada, com uma boa marquise, dois quartos com 15 e 12m2 e uma boa sala com vista, enfim a vista não é lá grande coisa pois o apartamento está virado ao cemitério.
Caprichos de artista!

No último fim de semana, aquando da sua deslocação a Lisboa para promoção do filme recém estreado, resolveu vir pernoitar na sua casa. Alugou um carrito, um Fiat Punto azul, de 2001, em muito bom estado, foi à Galp pôr 10 € de gasolina, entregou uma senha desconto dumas compras que tinha feito no Continente e fez-se ao caminho.
E aqui começa a verdadeira notícia.



O homem anda desde ontem circulando entre rotundas. Ele é a rotunda da Dyrup, ele é a rotunda da Clínica, volta para cima e faz a rotunda do ferro velho, volta para baixo, nova voltinha, nova rotunda… E não consegue atinar com a “segunda à esquerda de quem vem de cima” que tinha imprimido do Googlle Earth.



Cansado de tanta controlar as rotundas, parou o carro e pensou:
- Nã, isto aqui há coisa! Só podem ser os cor-de-rosa alaranjados que me impedem de chegar ao meu destino.
Mas porquê?? Será que a Caveira Prateada que guardo no roupeiro do quarto pequeno e que permitia a esta gente livrar-se do Homem do Bigode e comandita, foi descoberta pelos assessores?
Mas é claro!!! Só pode.

Sendo assim, isto é caso para o Indiana Jones. Só ele pode impedir que o Homem do Bigode, comandita e assessores encontrem a Caveira Prateada.

Vai daí, pega no telemóvel, liga para o 0087600321008, número secreto do Indy e contrata-o para esta nova cruzada.

E agora sim, a notícia realmente importante:

Indiana Jones em busca da Caveira de Prata


será o próximo filme de Spielberg a ser filmado entre rotundas.

Abençoado T2 !!!

2008/04/03

NA CASA DO VIZINHO VII


Informação ou desinformação?

A imagem acima é da capa de um "livrinho" que a Câmara de Loures anda a distribuir, supostamente para informar que num futuro (incerto) em Sacavém se viverá melhor. Sugere-nos o Sr. Presidente da Câmara no seu artigo de abertura que estaremos perante "Sacavém, uma nova cidade a (re) nascer". À parte o confuso trocadilho, releva a ideia que a brochura pretende transmitir que as obras da Avenida Estado da Índia farão "(re) nascer" a Cidade.

Se o Sr. Presidente pensa francamente o que diz, cabe-me adverti-lo de que está a forjar e a cair no seu próprio logro. Bem sabemos que não morre de amores por Sacavém, pela zona oriental do Concelho e muito pouco conhece desta zona do Município que dirige, mas talvez por isso devesse ser mais rigoroso e contido.

Se o que está é a fazer de conta para convencer eleitor, então compreender-se-á melhor que queira fingir que uma mera obra - com muitos meses de sacrifícios para muitos sacavenenses e outros utentes da Cidade e excessivamente cara - mudará a face de Sacavém e lhe dará por si só uma nova dinâmica e vida melhor.

Creio que o que Sacavém precisa para uma vida melhor, é, infelizmente, bem mais do que uma catastrófica obra pública. A obra qualificará a zona, não duvido, mas está longe, muito longe de trazer uma nova vida.

Note-se que até a própria obra - para além do "alindamento" e algum benefício para o estacionamento - resultará muito pouco em termos viários e de acessibilidade de e para a Cidade. Em termos gráficos, diria que esta obra, feita assim, transforma a Avenida Estado da Índia numa "chouriça": um percurso curvo e largo, atado nas pontas. Numa ponta a ponte sobre o Rio Trancão que faz um "atilho" e na outra ponta, o atilho é garantido pela entrada na Portela junto aos "ferros-velhos".

Acabem lá a obra, é bem vinda, mas não nos digam que é para trazer uma vida nova. Uma vida nova poderia vir, conjugando outras acções com a obra. Por exemplo, evitar a urbanização do antigo quartel e dar espaço e respiração à Cidade, abrir o acesso à 2ª circular, dinamizar um projecto de urbanismo comercial, retomar o Plano de Salvaguarda de Sacavém, definir e desenvolver uma política cultural e de salvaguarda do património, conferir dimensão desportiva à Cidade. São apenas alguns aspectos que, estes sim, mudariam a face de Sacavém.



A propósito de acabar a obra, conviria que o "livrinho" - que curiosamente não tem data de edição (coisa que nunca tinha visto em publicações da Câmara Municipal de Loures) - tivesse sido uma fonte fidedigna de informação e não uma comprovada fonte de desinformação. Para além do que já referi, veja-se o que nos é dito a propósito do Quartel dos Bombeiros. Reproduzo as imagens e as datas, para que cada um o confirme:

Eis pois que o instrumento de comunicação que vimos referenciando, distribuído no início do ano e se calhar para distribuir por bem mais tempo (até às eleições, já que não tem data?), nos garante a conclusão do Quartel dos Bombeiros no primeiro trimestre de 2008. O primeiro trimestre esgotou-se com o dia 31 de Março e não há ainda a mais pálida ideia de quando estará concluída a infra-estrutura.
É provavelmente mais um exemplo documentado, da ténue fronteira entre a obrigação de informar - que as autarquias têm - e a propaganda em que insistem dos seus supostos "grandes feitos".
E a questão é: informação ou desinformação?

Texto retirado de Lingua de Perguntador

2008/03/25

UM APELO À AUTO MOTRIZ




A edição de hoje do Diário de Notícias incluía uma publicação sobre o Poder Local, uma espécie de guia elementar, que como todas as publicações especiais, também esta é em parte suportada pela venda de espaços publicitários a anunciantes. Entre os muitos anúncios publicados a minha atenção recaiu sobre o anúncio de página inteira da AUTO MOTRIZ, uma empresa que se dedica ao comércio e manutenção automóvel em Sacavém.

Sob o título “A Auto Motriz faz o seguinte apelo", a empresa faz publicar seis parágrafos, que desdobram o apelo anunciado em seis, onde se fala de tudo menos da venda de viaturas, novas ou usadas. Neste anúncio, os responsáveis da empresa entendem dissertar sobre vários assuntos de interesse político e social. Jamais comentaria um anúncio de venda de automóveis se ele não fosse sobre tudo menos isso mesmo.

O primeiro apelo é dirigido aos Media, para que se abstenham de destacar “notícias negativas", que “não enaltecem a população portuguesa nem contribuem para o seu orgulho”. Este primeiro apelo recorda-me o conceito marcelista de direito à informação. Marcelo Caetano também entendia que só deveria ser levado ao conhecimento do público aquilo que fosse do seu interesse, sendo claro que alguém deveria velar pelo cumprimento desse interesse. A liberdade de imprensa é um valor democrático inquestionável, que enquadrado por normas legais e éticas, presta um serviço insubstituível à democracia. Sempre que se tentou domesticar a liberdade de imprensa em nome de interesses “superiores” da nação acabou-se invariavelmente na arbitrariedade e na negação dessa mesma liberdade.


Noutro parágrafo, os proprietários da Auto Motriz apelam aos laboratórios que apoiem as “famílias carenciadas que não têm condições de comprar os medicamentos (...)”. O direito à saúde dos cidadãos deve depender de um sistema nacional de saúde público, que assegure em condições de igualdade o acesso de todos os cidadãos aos cuidados médicos. Esse direito, consagrado constitucionalmente, não deve estar dependente da vontade caritativa de entidade nenhuma, mesmo os laboratórios. Se as práticas laboratoriais forem lesivas do interesse público e dos cidadãos, deve ser exigido ao Estado uma intervenção no âmbito das suas competências reguladoras.

A Auto Motriz (lembra) “aos portugueses que é extremamente difícil governar uma nação com dez milhões de habitantes, onde cerca de três milhões são estudantes não contribuintes, três milhões sãos reformados não contribuintes e um milhão são imigrantes em que parte do seu salários são enviados para os seus países de origem.” Mais uma vez os responsáveis da Auto Motriz recuperam uma máxima salazarista, “Se todos soubessem como é difícil governar, todos gostariam de obedecer.” Difícil é viver num país onde os direitos ganhos durante uma vida de trabalho vão sendo retirados aos pensionistas por sucessivos governos que teimam em fazer perigar o sistema nacional de segurança social, empurrando os pensionistas para as caridades acima referidas. Difícil é viver num país onde o sistema de educação serve para cumprir estatísticas e não para formar cidadãos. Difícil é viver num país onde os imigrantes são utilizados por empresários sem ética.

Mas mais enigmático é o apelo que aparece destacado no anúncio pago pela Auto Motriz, “Apelamos a todos os partidos políticos que trabalhem em conjunto, não separados e que não debatam publicamente sobre determinadas questões quando estas devem ser discutidas dentro de um gabinete. Visto os políticos sãos os pais dos portugueses, os pais exemplares não discutem em frente dos seus filhos.” De todos os apelos que os responsáveis desta empresa entenderam por bem fazer, este é o mais bolorento de todos. Os partidos políticos corporizam projectos diferentes de sociedade, defendem caminhos específicos para ultrapassar problemas concretos e têm estratégias diferentes para alcançar o bem comum. A essência da democracia é o debate público dessas diferenças. Aos cidadãos, depois do conhecimento dessas diferenças, é dada a palavra final. Nenhum cidadão deve encarar os políticos como “pais dos portugueses”. Esse paternalismo bacoco imperou durante quase 50 anos de ditadura com os resultados conhecidos. Ao contrário dos pais, os políticos devem ser aferidos, criticados, avaliados, e por fim, confirmados ou removidos. É a democracia! Por outro lado é cada vez mais necessário que as decisões políticas, em especial os processos que as sustentam, sejam públicas e publicitadas. É fundamental que os cidadãos, não só conheçam, como tenham oportunidade de intervir a cada momento nesses processos. Por essa razão já existem múltiplos mecanismos de consulta e debate, desde a Assembleia da República até às autarquias locais.

Por fim, faço um apelo aos responsáveis da Auto Motriz, que só conheço destas linhas. Acredito que a decisão de publicar estes apelos tenha sido a melhor e que ela possa traduzir uma real preocupação com a situação actual do país e também uma preocupação com as dificuldades que muitos cidadãos têm hoje. Porém, nem a forma nem o conteúdo foram os melhores. Seria interessante poder aferir a prosa com a realidade. A Auto Motriz tem, enquanto empresa, um vasto campo de responsabilidades sociais próprias. Publique, quando entender oportuno, um anúncio que dê a conhecer o seu bom exemplo. Diga que emprega não sei quantos trabalhadores, aos quais são garantidos todos os direitos laborais. Diga que tem uma política de empresa que garante aos seus trabalhadores uma condição material acima da média. Diga que os seus trabalhadores beneficiam de acções de formação e valorização profissional. Diga que os trabalhadores têm todos os seus direitos assegurados, nomeadamente os sindicais. Diga que essa empresa desenvolve práticas activas de conciliação da vida familiar com a vida profissional. Diga que essa empresa emprega imigrantes em pé de igualdade com os cidadãos nacionais e que esses não são utilizados como mão-de-obra barata. Diga que essa empresa tem uma prática solidária através do apoio a instituições de solidariedade na zona onde desenvolve a sua actividade. Se disser tudo isto, mas sobretudo se o fizer, já está a contribuir muito para a melhoria da sociedade portuguesa, muito mais do que aquilo que fez com a publicação deste inenarrável texto.

2008/03/14

JAZ MORTO E ARREFECE




Em Setembro de 2007 o Palácio deu as boas-vindas críticas a um vizinho, o blogue Sacavém Actual. Apesar do seu conteúdo panegírico para o lírico, foi com real satisfação que o descobrimos. Aliás, entrou directamente para a categoria de Outros Palácios a Visitar e ainda hoje lá está o acesso directo a partir deste Palácio.
Contudo, morreu na praia! É pena, o Sacavém Actual nem sequer conseguiu tornar-se numa peça histórica.

2008/02/29

ÚLTIMO GRITO DA MODA



Pensava eu que as cheias que me arruinaram o piso térreo do Palácio tinham sido uma calamidade, mas havia-me esquecido que regularmente por cá se realizam as reuniões da Assembleia Municipal de Loures. Isso sim, são verdadeiras calamidades!Ontem, a casa encheu-se de nobres que, tal como eu viram os seus palácios devassados pela fúria das águas. Foram pedir contas ao Presidente da Câmara Municipal! Gabo-lhes a credulidade de ainda sentirem ser útil depositar esperança na personagem! Como vem sendo comum apenas escutaram desculpas e promessas vagas. Mas o momento da noite resultou do debate em torno do anunciado encerramento da extensão de saúde na freguesia de Camarate. A CDU apresentou uma moção contestando a decisão do governo de encerrar esse serviço de saúde, o PS, que na Câmara Municipal tinha chumbado uma proposta idêntica, optou desta vez pela abstenção. Os mais incautos podem pensar que este partido se tornou sensível aos argumentos contra o encerramento, mas nada disso. Ao contrário do que se tinha passado na reunião de Câmara, desta vez estavam a assistir ao debate vários habitantes de Camarate. Esse facto, fez com que no exacto momento da decisão os eleitos tenham optado por continuar a voar, mas desta vez mais baixinho. Tão baixinho, que sobre este assunto não disseram uma palavra! Incrível, que em torno de um problema tão concreto, o partido que detem a maioria absoluta na Assembleia Municipal não tenha nada para dizer aos cidadãos. Honra seja feita ao Presidente da Câmara, que acabou por dizer que não compreendia como é que os habitantes de Camarate se recusavam a ser transferidos para um Centro de Saúde fora da sua freguesia, que entendia ele ser o "último grito da moda". É verdade que a velhinha extensão de saúde de Camarate é Demodé, mas em Camarate, enquanto não existir uma melhor, as pessoas recusam-se a andar nuas. Compreensível!

2007/11/18

ESSA É QUE ERA, NÃO ERA CARLOS?!




No fim-de-semana passado foi posto à venda o Quartel de Sacavém.
Neste fim-de-semana foi anunciado que o presidente da Líbia deslocar-se-á a Lisboa, para a Cimeira UE - África e que trará a sua tenda para aí ficar alojado. Basta para o efeito encontrar um local aprazível para montar a referida tenda.


O local onde funcionou o Quartel tendo sido um antigo convento e possuindo ainda espaços de alguma beleza corre agora o risco de ser vendido para mais uma nova urbanização.
O Presidente Kadaffi gosta de locais bonitos, espaçosos, cercados, onde possa servir os seus chás e decidir coisas que para aqui não interessam.


Pensei:
Porque não, num derradeiro suspiro de existência do quartel/convento antes de se tornar urbanização, oferecê-lo, o senhor presidente da Câmara de Loures, para a instalação da tenda do presidente líbio?!
Até poderia ser o cartaz promocional da futura urbanização e certamente também seria um acto que ficaria para sempre ligado à História – “A tenda de um chefe de estado de um qualquer país africano, onde só há camelos, deserto, areia, deserto, camelos, petróleo, ficou instalada na Urbanização do Convento através do mais altíssimo patrocínio do ilustríssimo líder mundial Carlos Teixeira."


Essa é que era, não era Carlos?

2007/11/13

AO CUIDADO DA CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES




Tendo em conta que ainda ontem, na reunião da Assembleia Municipal de Loures, os possíveis trajectos do TGV em Loures eram completamente desconhecidos pela Câmara Municipal de Loures.
Tendo em conta que esta informação carecia ainda de uma eventual resposta a um eventual pedido de informação feito pela Câmara ao Governo.
Tendo em conta que todas as explicações dadas para justificar o desconhecimento da Câmara Municipal de Loures foram disparatadas.
Tendo em conta que todas as almas que lá se encontravam ficaram a saber o mesmo à saída, que já sabiam quando lá entraram.
O Palácio difunde, talvez em primeira mão, que um dos traçados desconhecidos atravessará o núcleo urbano de Sacavém.

Gare do Oriente vai obrigar a "pequenas expropriações" em instalações militares e da REN

A utilização da Gare do Oriente como estação central para o TGV vai obrigar a "pequenas expropriações" em instalações militares e da REN, mas "sem interferências com edificações importantes", admite o programa funcional da estação, a que a agência Lusa teve acesso.

O programa, elaborado pela empresa responsável pelos estudos do TGV, a Rave, define as orientações para a ampliação da Gare, que será projectada pelo arquitecto espanhol Santiago Calatrava, responsável pelo projecto original.

A saída para norte da alta velocidade ferroviária, será feita a poente do actual corredor da Linha do Norte, até ao viaduto de acesso à Ponte Vasco da Gama, prosseguindo para o núcleo urbano de Sacavém, que atravessará em túnel, prevê o documento da Rave.

No troço entre a passagem superior da Avenida da Peregrinação e o viaduto de acesso à Ponte Vasco da Gama, localizam-se, do lado esquerdo da linha do Norte, duas parcelas contendo instalações militares e instalações da empresa de transporte de energia REN (Rede Energética Nacional).

"Prevêem-se neste troço pequenas expropriações em ambas as parcelas, sem interferência com edificações importantes", refere.

Entre o viaduto de acesso à Ponte Vasco da Gama e o viaduto do IC2, o documento identifica também a existência de instalações dos CTT (Correios de Portugal), "onde se constata interferência com uma das extremidades dum pavilhão existente".

A sul da Estação do Oriente, a via dupla afecta à alta velocidade ocupará a faixa poente do actual corredor ferroviário até à estação de Braço de Prata, que também será modificada no âmbito das ligações norte da Terceira Travessia do Tejo.

A construção da nova via dupla implicará a reformulação das passagens desniveladas da Avenida de Pádua, da rua Corsário das Ilhas e da Avenida Marechal Gomes da Costa, segundo o mesmo documento.


Fonte, RTP

2007/10/25

VAMO-NOS DEITAR PORQUE AS VISITAS QUEREM IR EMBORA




Neste momento, o Sport Grupo Sacavenense não tem Direcção digna desse nome, que possa com propriedade, no que respeita a decisões de monta, representar, gerir e defender o clube, o seu nome e o seu peso simbólico. Os seus associados vão-se desdobrando em contactos afim de ultrapassar este hiato directivo, sendo este o problema que mais os ocupa e preocupa. Neste contexto, no próximo dia 28, vai ser inaugurado o piso sintético do campo do Sport Grupo Sacavenense. Vai ser é a forma mais indicada de verbalizar a acção, na medida em que para esta inauguração já são conhecidos dois convites distintos. O Presidente da Câmara Municipal de Loures, em conjunto com a Direcção(!) do Clube, em convite difundido, expressa a honra de receber convidados para a referida cerimónia. A Junta de Freguesia de Sacavém, sem referir o clube ou a sua Direcção, também convida para o mesmo dia e até adianta um programa das festividades e informa que pode ir toda a gente à inauguração porque a entrada até é “gratuita”. Só me lembra “ O Charlatão”, “É entrar senhorias / a ver o que cá se lavra / sete ratos, três enguias / e uma cabra, abracadabra // É entrar senhorias / é entrar senhorias...” Os associados, amigos e atletas do Sacavenense foram remetidos à condição de figurantes necessários ao abrilhantamento deste desfile, na sua própria casa. Vai tudo à boleia! Quem quiser convidar para a Inauguração do Piso Sintético do Sport Grupo Sacavenense, faça favor. O Palácio associa-se à originalidade e também convida oficialmente para o evento.



Aparecer sem ser convidado é sempre uma deselegância, ainda levar convivas é um abuso, faze-lo num momento inoportuno é a Câmara Municipal de Loures.

2007/10/01

SACUDIR A ÁGUA DO CAPOTE




“Há mais ou menos 60 anos, a baixa de Sacavém encheu-se de água e uma pessoa morreu, recorda um moradora da Praça da República, enquanto olha para as operações de limpeza que uma máquina da Câmara Municipal de Loures desenvolve no meio da lama mal-cheirosa. "Hoje, tenho impressão que isto até foi um bocado pior, mas, felizmente ninguém morreu", acrescenta optimista sem, no entanto, deixar de lamentar o cenário caótico que marcou o último dia de Setembro de 2007.”

"A chuva começou a cair muito forte, mas mesmo que quiséssemos vir aqui salvar alguma coisa, não conseguiríamos fazer nada. As águas sobem muito rapidamente. E desta vez foi de mais, chegaram ao fundo do stand", diz Luís, enquanto empurra a água suja para fora loja, propriedade do pai. J. Carapinha, com negócio estabelecido desde 1982 deita uma vez mais contas à vida. "Esta já não é a primeira vez que temos inundações. Só no ano passado foram seis. Mas igual nunca aconteceu", sublinha, garantindo que desta vez vai arranjar forma de ser ressarcido dos elevados prejuízos.”
”O empresário assegura que os danos provocados pela enxurrada nos veículos - dois estacionados na rua e quatro no interior da loja- alguns destes de gama alta, representam um prejuízo que andará à volta dos 25 mil euros. "Para mais e não para menos...", afiança, enquanto mostra o interior do habitáculo de uma carrinha Mercedes. Cheio de lama até meio dos assentos. "Isto é sempre a mesma coisa, cada vez que chove com um bocado de maior intensidade temos problemas. Além dos carros estragados, tenho ainda que contar com danos no escritório, nomeadamente, computadores e outro tipo de material. Tem que se dar uma solução! E não me venham dizer que é a maré cheia que tem a culpa. Cada vez que há inundações vêm logo com esse argumento", afirma, indignado.”
”Cá fora na rua, as vozes estão alteradas. "Isto é uma vergonha. Nas campanhas prometem obras para resolver isto e depois nada fazem. Nem as sarjetas limpam. Quero ver quem é que me vai pagar o arranjo dos automóveis. É que, sem eles, não posso trabalhar", diz Luís Costa. Mora na Praça da República e em poucos minutos viu da janela o seu carro "com água e lama até ao tejadilho", enquanto outros eram arrastados pelas águas, parecendo carrinhos de brincar.”



TAMBÉM HÁ MUITO TEMPO NÃO SE ASSISTIA A TÃO GRANDE IRRESPONSABILIDADE



”Carlos Teixeira, presidente da Câmara Municipal de Loures esteve no local com elementos da Protecção Civil Municipal. Era ao autarca que os munícipes insistentemente dirigiam as críticas. "A Câmara não tem culpa que tenha chovido muito, em pouco tempo e que, ainda por cima, esse momento tenha coincidido com a preia-mar no rio Trancão", sublinhou o autarca. "Tudo o que cabe ao município fazer estamos a cumprir. Realojámos uma família de cinco pessoas que ficou com a casa inundada. Quanto aos carros e às lojas, as pessoas têm que ter seguros que cobrem estes acidentes", acrescentou o autarca.””Teixeira disse ainda que grande parte do caudal da enxurrada, a montante, era proveniente da ribeira do Prior Velho, cuja limpeza cabe ao Instituto Nacional da Água. "Os detritos arrastados da ribeira - canas, troncos e areia - vieram obstruir os colectores", esclareceu, explicando a razão de muitas das tampas dos esgotos terem saltado.”

É bem verdade que ninguém, nem sequer os autarcas, conseguem prever o imprevisto ou controlar a fúria dos elementos, porém, a situação que se viveu ontem em Sacavém era mais do que previsível, tendo até recentemente existido vários alertas para a eventualidade de se verificar uma situação destas na baixa de Sacavém.
O Presidente da Câmara Municipal de Loures apareceu nas televisões enjeitando responsabilidades e referindo-se a si próprio na terceira pessoa “O Presidente da Câmara não tem responsabilidade”, disse.
O Presidente da Câmara tem responsabilidade pela falta de investimento na modernização das estruturas de saneamento, esta é a sua primeira grande responsabilidade. Isto não é a Holanda, caramba! Será bem mais fácil resolver o problema.
Mas as responsabilidades do Presidente da Câmara não ser ficam por aqui. No seu belo estilo futebolístico, onde ora chuta para canto, ora se atira para o chão, não fazendo nenhuma jogada de jeito, apontou baterias ao Instituto Nacional da Água (INAG), atribuindo-lhe a responsabilidade pela falta de limpeza do troço a montante da ribeira do Prior Velho. É curiosa esta referência, pelo que merece alguns comentários. O INAG tem responsabilidades na regularização e limpeza das linhas de águas, assim como tem sobre elas jurisdição no que respeita a intervenções que se realizem na sua envolvente e que com elas possam influir. Cabe perguntar como andam as relações da Câmara com este Instituto? Que tipo de diálogo existe? Que diligências fez a Câmara junto desta entidade afim de ver prevenidas estas situações?
Respondo eu. Nenhumas. Porque digo isto? Por duas razões fundamentais; primeiro, caso elas existissem o jogador da bola teria referido as suas diligências junto dessa entidade, segundo, um recente episódio da gestão municipal, junto precisamente, à ribeira do Prior Velho, pôs a nu essa falta de diálogo. A Câmara Municipal de Loures, autorizou a deposição de milhares de metros cúbicos de terra junto à referida ribeira sem previamente ter consultado o INAG ou a CCDR. Autorizou esta operação a um privado, junto de uma das mais problemáticas linhas de água, como se pode constatar, sem preventivamente ter solicitado parecer preventivo à entidade a quem agora pede responsabilidades. Neste momento, milhares de metros cúbicos de terras soltas, não compactadas, esperam o Inverno para começarem a escorrer para o leito da ribeira. Disto tem o Presidente da Câmara Municipal de Loures, Eng.º Carlos Teixeira, completa e absoluta responsabilidade.
Apesar de ter sido questionada a Câmara Municipal, no início dessa obra, sobre a necessidade de tal parecer, levou mais de um mês a dirigir um ofício da CCDR, momento em que o referido aterro já estava concluído. Assim, ficou a Câmara Municipal de Loures sem saber que o tal INAG tinha um projecto de regularização da ribeira do Prior Velho, cujo o concurso estava a ser preparado pela SIMTEJO, e que está agora inviabilizado pelo aterro que extemporaneamente a Câmara Municipal de Loures autorizou.


Nada disto pesou na consciência do Presidente da Câmara Municipal, quando ontem viu a aflição dos que viram perdidos os seus haveres?
Claro que não. Importante era fazer boa figura durante o telejornal.
Já não se pode pedir ao Presidente da Câmara Municipal de Loures que tenha grandes rasgos no exercício das suas funções, mas a falta de respeito pelas pessoas é imperdoável.
O texto citado é da Agência Lusa

2007/09/25

O PRESENTE QUE CANTA


Imagem retirada daqui.


Tenho tentado, do lado de cá, ir espreitando por cima da serra para ver o que se passa lá onde não se vê a partir da janela do meu Palácio dos Marqueses da Praia em Loures.
Uma ou outra deambulação da minha afilhada, tem-me permitido ir conhecendo o que se por lá se vai passando, mas agora existe uma forma mais fácil de saber como se vai por Sacavém.
O recém criado Magazine de actualidade da Cidade de Sacavém – SACAVÉM ACTUAL, que parece tê-lo sido em espírito Kim Il Sunguiano, tem curtos e esclarecedores textos e longos vivas aos Presidentes.
Daqui, de facto nunca tinha reparado, que em Sacavém existe neve branca todo o ano no cume das altas montanhas, que os prados têm a permanente doçura da primavera e que o presente cantas suaves melodias.
Vergo-me, reconhecendo com humildade a injustiça das críticas que teci várias vezes àquilo que me parecia o caos instalado na cidade de Sacavém. Afinal as ruas não estão sujas, as obras não têm sido mal planeadas, pior executadas e com atrasos monumentais, o espaço público não está degradado e repleto de painéis publicitários, alguns deles autênticos montes de sucata, não existem lixeiras um pouco por todo o lado onde um terreno vago espera um novo mamarracho, o estacionamento e a circulação automóvel não são caóticas, os peões, em especial os de mobilidade reduzida, não vivem numa cidade impraticável, nem nada disto incomoda e retira qualidade de vida às pessoas. No plano cultural a cidade não é um marasmo, pelo que a oferta de qualidade e consequente é mais que muita.
Por tudo isto, o blogue Sacavém Actual, entrará, sem mais delongas, para a lista dos Outros Palácios a visitar regularmente.
Que o sol do eterno amanhecer continue a inspirar o seu autor.

2007/09/19

CONCURSO




Contaram-me que decorre em Sacavém um concurso que se desenvolve em duas fases:

1ª fase
Periodicidade – semanal
Prémios – estadia para toda a família do vencedor, num hotel de três estrelas, no concelho da Amadora.

2ª fase
Periodicidade – todo o período das obras
Prémios – apartamento tipo T3, longe, muito longe de Sacavém.

Seguem alguns exemplos das perguntas do concurso.

1ª fase
Por onde se circula, hoje, na Rua Estado da Índia?
a) Pelos buracos da esquerda.
b) Pelo precipício do centro.
c) Pela brita da direita

Qual o melhor local para estacionar o carro?
a) Na Portela.
b) No Prior Velho.
c) Na Bobadela.

Como vão as crianças da Quinta do Património para a escola dos Bombeiros?
a) De helicóptero.
b) Acampam no pátio da escola.
c) Arriscam-se diariamente a atravessar o perímetro das obras.

Como se deslocam os idosos e pessoas portadoras de deficiência?
a) Ficam em casa a ver a Fátima Lopes.
b) Chamam a ambulância.
C) Pedem aos trabalhadores da obra que os levem ao colo.

2ª fase
Esta é uma fase mais abrangente, pelo que se aceitam respostas livres.

Qual a data do final das obras?
Semelhanças entre o estado actual das obras e o projecto apresentado?
Qual a data do início das obras na Praça da República?
Existe projecto para utilização de botes, lanchas, barcos, para a travessia da Estado da Índia, nos dias de chuva?
Quantas e qual a forma definitiva das rotundas?
Quantos quilos de pó se acumularam em cada habitação?
Quantas vezes foram vistos os técnicos da CML a inspeccionar as obras?

Quantas pessoas se lembrarão da falta de respeito dos eleitos do PS para com a população, nas próximas eleições autárquicas?

Eu, apesar de estar há pouco tempo no concelho, em acomodações gentilmente cedidas pelo meu ilustre padrinho, Marquês da Praia, não posso deixar de concorrer. Até porque os prémios são tentadores.

2007/09/17

NA CASA DO VIZINHO VI


MEDIEVAL! E PORQUE NÃO?

"Todos sabemos que os portugueses, com frequência, oscilam de humor: entre o profundamente deprimido e o esfusiantemente sarcástico. Neste momento, os idiotas (i.é. pessoas que têm ideias) que projectaram uma Feira Medieval em Sacavém estão a ser alvo de um arrasador anedotário. A Câmara de Loures a cobrir-se de ridículo e o Presidente da Junta a encharcar a Cidade de "editais" à boa maneira medieval.
Será justo? Eles têm-se esforçado. Têm tentado de tudo para dinamizar o Turismo em Sacavém. Desde o "Fiasco Juvenil":

A uma panóplia de artistas de gabarito:


"O grupo musical Fernando Alves Trio abriu o programa animando o público presente. Muitos foram os que saltaram da cadeira para darem o seu pezinho de dança.Já a noite ia longa, quando subiu ao palco uma artista bem conhecida do público, Ágata, que cantou alguns dos temas mais famosos contando com o acompanhamento de pequenos e graúdos. (...) Fernando Marcos, (...) Carlos Teixeira, (...), Pedro Farmhouse, (...) António Pereira." (in Boletim Municipal nº 25)Tudo tem sido estratégicamente estudado para dar elevada expressão turística a Sacavém, Moscavide, Bobadela e Prior-Velho, terras com elevado potencial para o efeito.


Porque não tentar agora a Feira Medieval ? Julgo que está fadada ao sucesso. Veja-se bem se Sacavém não encontrou finalmente uma vocação (de Cidade medieval) desde que está a ser gerida por quem está:


1. Só crescem muralhas. Nada mais evoluí. Característica estrutural da Idade Média;
2. Cercada de paredões, ameias, panos de muralha e linhas de água, tem ou não as características próprias das cidades (castelos) medievais?
3. A Cidade está suja, feia e mal-cheirosa. São ou não sintomas clássicos das urbes medievais?
Concordo que não pode deixar-se de sorrir com o espanto daqueles que perguntam: então vieram fazer a 1ª feira medieval em 2007 ?!... Foi atraso dos comboios ou quê?
Mas bem sabemos que promover o turismo é uma arte. E as artes profundas precisam de tempo para desabrochar. Provavelmente, ninguém tinha percebido que fazer Sacavém andar para trás décadas em tão pouco tempo era uma estratégia assumida para lhe dar um cunho medieval que só os turistas e os seus sensíveis narizes são capazes de reconhecer. Ora, estes políticos estão a fazer arte. Turística, mas também, histórica e sociológica.Sacavém, é hoje um verdadeiro atelier de artistas que desfazem, achincalham e espezinham a história, as tradições, as vivências e até os edifícios notáveis. Ao mesmo tempo e à boa maneira americana, tentam construir uma nova história, dar novas referências e dessocializar a comunidade das suas principais referências. E para que conste, estão a ter sucesso!Porque não fazem a Feira Medieval na Rua dos Mastros ? Era, o mais adequado. Mas quem é que sabe onde é a Rua dos Mastros em Sacavém ?E porque não uma Feira Medieval ? Note-se que é uma iniciativa praticamente inovadora. Assim, por alto, só se conhecem as poucas Feiras Medievais de:Alfândega da Fé, Aljubarrota (Alcobaça), Alvalade (Santiago do Cacém), Arcos de Valdevez, Belmonte, Belver, Bragança, Caminha, Canas de Senhorim, Castelo da Foz (Porto), Castro Marim, Cinfães, Coimbra, Guarda, Lamego, Lindoso, Macedo de Cavaleiros, Montalegre, Montemor-o-Novo, Óbidos, Palhaça (Oliveira do Bairro), Penamacor, Penedono, Penela, Porto de Mós, Sabrosa, Santa Maria da Feira, Seixal, Silves, Trancoso, Virtudes (Azambuja).


Como se vê, tudo locais com castelos e urbes de inferior qualidade turística em relação a Sacavém. Reafirmo, esta Feira Medieval está fadada para o sucesso turístico.Pelo que se percebe, os hotéis de Lisboa e arredores, estão já concentrados no aluguer de viaturas - e diz-se mesmo que de comboios especiais, mas disto não há ainda certeza - para transportar todos os seus hóspedes para a Feira Medieval de Sacavém.Os hóspedes mais entusiamados com a iniciativa, dizem-nos, são os do Hotel de Sacavém. Pois, esse, o que já foi anunciado 73 vezes no Boletim Municipal!Ora, com tantos atractivos turísticos, tantos hotéis, uma Cidade lindíssima e limpíssima, um rio transparente e um castelo altaneiro, pergunta-se:


Para quê o sarcasmo e as piadolas?

Porque não, uma Feira Medieval ?"


Via, texto e imagens, Lingua de Perguntador



2007/09/14

FEIRA MEDIEVALÍSSIMA!


Não, não fui comprar caramelos.
Fui visitar Sacavém para me inspirar. Respirar o ar da Idade Média para poder decidir da minha participação na 1ª Feira Medieval.
E não é que mal cheguei, me cheirou mesmo a Idade Média!
O odor pestilento não provinha de esgotos a céu aberto, que tanto quanto sei, esse problema não existe no concelho, há largos anos. Do Trancão, apesar de não ser inodoro, não era. Do lixo abundante nas ruas, seria?... Dos contentores do lixo conspurcados e a deitar por fora, talvez.
Não interessa. O que importa é que facto, pelo cheiro a Feira correrá bem.
Segundo prisma de análise: as ruas. Pelas que visitei, até me pareceu bem. Sem alcatrão, irregulares, enlameadas, com bastantes buracos. Mais um ponto a favor.
Vestígios medievais. Aqui foi mais difícil.
Tirando as casas na parte mais antiga que apresentavam o desencanto das habitações medievais, mas em alumínio; tirando o emaranhado das ruas e ruelas que, com um bocadinho de boa vontade e imaginação, servem para o efeito, mais nada vi. Está bem, apontaram-me uma torre medieval que seria o local onde se faziam as cobranças dos impostos. Mas tinha tanto estuque, alguma tinta, que não sei se não foi a vontade extrema do habitante que ma indicou que fez a classificação temporal. Neste ponto a Feira tem nota negativa.
Fui analisar as margens do rio Trancão. Contentores, edifícios recentes, armazéns… Vestígios da navegabilidade, nada. Salinas da margem esquerda, nada. Ponte romana, nada. Local da batalha do D. Afonso Henriques contra os mouros, rien.
Novo prisma de análise: as pessoas e o seu conhecimento de Sacavém Medieval.
“O quê? Medieval? Mas isso tem a ver com a Maddie? Eu acho que os pais…”
“Oh minha senhora, não me mace, vim agora da bicha da Caixa. Estive lá desde as cinco da manhã e o c…. do médico faltou”
“Tou com pressa. O meu filho vai prá escola e tive de lhe arranjar a marmita com o almoço. A feira é ao sábado ao pé do campo. Experimente se é aí.”
Resolvi ir ao senhor Presidente da Junta de Freguesia:
“ É uma coisa bonita, a Feira. Eu, quando vim para cá morar, Sacavém já existia, portanto é uma terra muito antiga. Deve ser histórica. Eu já mandei pintar os “corrimões” para tudo correr bem. O senhor Presidente da Câmara teve esta ideia quando foi almoçar a Vila da Feira e pensou «Então estes têm uma Feira Medieval e nós não temos?! Era o que faltava. Se em Santo Antão fazem lá uma coisa parecida, em Sacavém também se faz. Porque eu sou um homem culto» Foi uma boa ideia a dele. Assim já calamos a oposição quando dizem que as nossas festas só têm música pimba. A senhora venha cá que isto vai ser muito bonito”
De facto Sacavém é o local ideal para uma Feira Medieval.

2007/09/13

DO CASTELO TRATA-SE DEPOIS!


Imagem retirada daqui.

É graçola recorrente em Sacavém, um episódio envolvendo a freguesia vizinha de Camarate, no qual esta exigia a construção de uma ponte, à semelhança da que existia em Sacavém. Impacientado, o alvo da exigência terá perguntado para raio queriam eles a ponte, se não tinham um rio.
A resposta foi pronta, tratem lá da ponte que do rio trataremos nós mais à frente!

De Camarate pode vir agora a desforra. Parece que se vai realizar uma Feira Medieval e Sacavém? Claro que mais à frente eles tratarão do Castelo!


De há uns anos a este parte multiplicaram-se pelo país as Festas, Festivais e Feiras de época, nas quais se recriam ambientes passados existentes nessas localidades. Em quase todas o tema/período histórico escolhido foi a idade média. Pelo romantismo cultural de que se reveste este período da nossa história, que se mantém desde Alexandre Herculano, a aposta tornou-se um sucesso em quase todos os lugares onde foi feita. Nuns casos com menos rigor histórico, noutros autênticos eventos culturais e académicos, onde o evento serve simultaneamente de envolvente a colóquios e conferências científicas sobre este período da história, como no caso do Festival Islâmico de Mértola, talvez o mais consistente do todos os eventos deste tipo, a todos une a existência de um ambiente patrimonial que previamente os enquadra e desse modo se valoriza.
Seja em Santa Maria da Feira, na Vila de Mões em Castro Daire, no Mercado Medieval de Óbidos, na Feira Medieval de Silves, na Feira Medieval de Montemor-o-Novo, no Festival Islâmico de Mértola, na Feira Islâmica de Cacela Velha, entre muitos outros, a valorização do património histórico, arquitectónico e cultural existentes, a par da promoção turística das regiões e localidades foram os principais objectivos dos promotores e organizadores deste tipo de eventos, sendo na sua maioria alcançados. Este eventos servem então de montra a uma oferta existente todo o ano e que pode funcionar como ponto de atracção turística, sendo, desse modo, um meio de valorização e desenvolvimento económico. Assim, os recursos empregues são um investimento eficaz e consequente.
No próximo dia 22 de Setembro, a Câmara Municipal de Loures, assinalará o Dia Mundial do Turismo com a realização da I Feira Medieval em Sacavém, no Parque Tejo-Trancão! Finalmente, após anos de evocação da data com concertos da Àgata e sucedâneos, o Município decidiu alterar a sua estratégia de promoção turística do Concelho, em especial da zona oriental, sacando da cartola uma Feira Medieval. Mesmo admitindo a minha distracção e falta de informação, este evento em Sacavém, menos que um fenómeno, é um epifenómeno. Escassos são os motivos, para evitar dizer nenhuns, que possam servir de justificação à sua realização em Sacavém. Falta-lhe motivo, enquadramento e consequência. Durando apenas enquanto existir, este evento é um morteiro de som forte, luz pobre e eco rápido.
Mais do que uma Feira Medieval, será uma feira de vaidades, vãs...

2007/09/05

SABE DIZER-ME ONDE FICA O NOVO CENTRO DE SAÚDE?



Na cidade de Sacavém está quase concluído um novo Centro de Saúde. Este equipamento não fica no centro(!) da cidade, estando a ser construído numa das novas zonas de expansão, onde existia terreno adequado à sua instalação. Quase todos os habitantes da cidade sabem onde se localiza e como lá chegar, mas os que não souberem espero que tenham a sorte de não perguntar pela sua localização ao Presidente da Junta de Freguesia. Caso o façam, poder-se-ão ver participantes no seguinte diálogo:

Incauto Freguês - Desculpe. Sabe dizer-me onde fica o Centro de Saúde?
Presidente – Bem, não é longe... Já ouviu falar na Quinta do Mocho? Pois não é lá, porque a Quinta do Mocho não existe. Aquilo chama-se Terraços da Ponte.
Incauto Freguês – Então, diz o senhor que fica nos Terraços da Ponte?
Presidente – Não foi isso que eu disse. Fica em Sacavém.
Incauto Freguês – Mas como chego lá?
Presidente – É fácil. Vai como quem fosse para a Quinta do Mocho, que não existe, porque aquilo chama-se Terraços da Ponte. Quando chegar à rotunda, sai à direita e não vai ver nem a Quinta do Mocho, que não existe, porque aquilo chama-se Terraços da Ponte, mas também não verá os Terraços da Ponte, porque aquilo é Sacavém. Percebeu?

Já vem de longe a embirração presidencial com a toponímia da zona. Nessa zona de Sacavém foi construído um bairro de habitação social para realojar os habitantes de um bairro degradado conhecido urbi et orbi como Quinta do Mocho. Os habitantes foram e levaram o nome do seu anterior bairro, os vizinhos em Sacavém continuaram a identificar o bairro com os seus habitantes, continuando a referir-se ao novo bairro como Quinta do Mocho. Ao lado deste bairro de realojamento está a ser construída uma urbanização que dá pelo belo nome de Terraços da Ponte. Um daqueles nomes feitos para vender o produto. Já teve na moda as Quintas, os Parques, os Jardins, mas neste caso o promotor escolheu este nome pomposo, Terraços da Ponte (não sei se será a ponte sobre o Trancão, a Vasco da Gama ou o viaduto/ponte da A1). Em bom rigor aquilo seria “Terraços das Pontes”.
Há muito que o Presidente da Junta se descabela sempre que alguém se refere à zona, em especial ao bairro de realojamento, como Quinta do Mocho. Aliás, versando sobre este tema, chegou mesmo a protagonizar um momento bem ridículo numa reunião da Assembleia Municipal.
Recentemente, visitou as obras do novo Centro de Saúde que está a ser construído na orla do bairro a que o povo chama de Quinta do Mocho, integrado numa comitiva de autarcas, técnicos municipais e utentes dos serviços de saúde. Na obra quase concluída, deparou-se com uma placa de identificação no edifício, que o designa como Extensão dos Terraços da Ponte. Teve uma apoplexia! Barafustou contra a placa. Disse alto e bom som que não a queria lá, ameaçando retirá-la com os meios da Junta a que preside.
Afinal qual é o problema do nome das coisas por aqueles lados? O problema é simples e reside na cor dos habitantes da Quinta do Mocho, que fez o Presidente renegar a designação Quinta do Mocho e o leva neste momento a já não querer sequer ouvir falar em Terraços da Ponte, porque estes se tornaram sinónimos de uma mesma realidade. Mudando o nome, não se muda a coisa. A cosmética tem os seus limites. Ao tomar uma atitude destas o Presidente da Junta revela uma clara cedência aos estigmas que deveria combater. Receia perder votos se a extensão de saúde for “Terraços da Ponte”? Se o nome for diferente, ela deixará de se localizar onde está?Claro que não. Este é um miserável exemplo de tacanhez de espírito, infelizmente ainda muito presente no nosso poder local. Se a realidade social no bairro da Quinta do Mocho causa desconforto e incómodo na cidade de Sacavém, a preocupação dos seus autarcas seria intervir no sentido de lhe alterarem, na medida do possível, as causas, em vez de se perderem em exegeses toponímicas.