
2007/07/21
OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS

AINDA O PACOTE DO PRIMEIRO-MINISTRO
O BANQUEIRO ANARQUISTA

``Um regime revolucionário, enquanto existe, e seja qual for o fim a que visa ou a idéia que o conduz, é materialmente só uma coisa - um regime revolucionário. Ora um regime revolucionário quer dizer uma ditadura de guerra, ou, nas verdadeira palavras, um regime militar despótico, porque o estado de guerra é imposta à sociedade por uma parte dela - aquela parte que assumiu revolucionariamente o poder. O que é que resulta? Resulta que quem se adaptar a esse regime, como a única coisa que ele é materialmente, imediatamente, é um regime militar despótico, adapta-se a um regime militar despótico. A idéia, que conduziu os revolucionários, o fim, a que visaram, desapareceu por completo da realidade social, que é ocupada exclusivamente pelo fenômeno guerreiro. De modo que o que sai de uma ditadura revolucionária - e tanto mais completamente sairá, quanto mais tempo essa ditadura durar - é uma sociedade guerreira do tipo ditatorial, isto é, um despotismo militar. Nem mesmo podia ser outra coisa. E foi sempre assim. Eu não sei muita história, mas o que sei acerta com isto; nem podia deixar de acertar. O que saiu das agitações políticas de Roma? O Império Romano e seu despotismo militar. O que saiu da Revolução Francesa? Napoleão e seu despotismo militar. E V. verá o que sai da Revolução Russa... Qualquer coisa que vai atrasar dezenas de anos a realização da sociedade livre... Também o que era de se esperar de um povo de analfabetos e de místicos?...''

“- Alto lá! Alto lá! disse eu. Isso estará tudo muito bem, mas há uma cousa que V. não viu. As condições do seu processo eram, como V. provou, não só criar liberdade, mas também não criar tirania. Ora V. criou tirania V. como açambarcador, como banqueiro, como financeiro sem escrúpulos - V. desculpe, mas V. é que disse -, V. criou tirania. V. criou tanta tirania como qualquer outro representante das ficções sociais, que V. diz que combate. - Não, meu velho, V. engana-se. Eu não criei tirania. A tirania, que pode ter resultado da minha ação de combate contra as ficções sociais, é uma tirania que não parte de mim, que portanto eu não criei; está nas ficções sociais, eu não ajuntei a elas. Essa tirania é a própria tirania das ficções sociais; e eu não podia, nem me propus, destruir as ficções sociais. Pela centésima vez lhe repito: só a revolução social pode destruir as ficções sociais; antes disso, a ação anarquista perfeita, como a minha, só pode subjugar as ficções sociais, subjugá-las em relação só ao anarquista que põe esse processo em prática, porque esse processo não permite uma mais larga sujeição dessas ficções. Não é de não criar tirania que se trata: é de não criar tirania nova, tirania onde não estava. Os anarquistas, trabalhando em conjunto, influenciando-se uns aos outros como eu lhe disse, criam entre si, fora e à parte das ficções sociais, uma tirania; essa é que é uma tirania nova. Essa, eu não a criei. Não a podia mesmo criar, pelas próprias condições do meu processo. Não, meu amigo; eu só criei liberdade. Libertei um. Libertei-me a mim. É que o meu processo, que é, como lhe provei, o único verdadeiro processo anarquista, me não permitiu libertar mais. O que pude libertar, libertei.”
O TEMPO DAS CEREJAS
Como escreve o seu animador, Vítor Dias, é um blogue de esquerda em homenagem à comuna de paris. É dos espaços mais agradáveis de visitar, pela acutilância e oportunidade das opiniões, assim como pelo conteúdo cultural. No campeonato dos blogues é um dos grandes da 1ª Liga. A visitar com regularidade.2007/07/20
O PACOTE DO PRIMEIRO-MINISTRO PODE SER APROFUNDADO
Nunca fomos muitos, mas agora somos cada vez menos. Os recentes números da natalidade colocam Portugal com os mais baixos indicadores de sempre. O sobressalto foi tão grande que até sua majestade O Cavaco largou o bolo-rei e veio a terreiro balbuciar que a culpa era da comunicação social que passava o tempo a falar do aborto e não falava de ter bebés. Identificou bem o problema. A comunicação social, em especial a televisiva, será a grande responsável pela situação actual. Tenho uma vaga lembrança de ver associadas as famílias dos tempos passados à ausência desse aparelho terrível, o televisor.O Primeiro-Ministro, que já percebeu que o assunto não se resolve deitando abaixo as antenas emissoras de Monsanto, anunciou hoje um pacote de incentivos à maternidade. Mais uns abonos, mais umas prestações, mais uns descontos, um grande pacote de medidas. Não lhe passou pela cabeça que as condições que faltam às famílias portuguesas não são todas de índole financeira, mas para estas bastava-lhe anunciar o aumento dos salários e travar a especulação na habitação. Quanto ao resto, poderia universalizar o pré-escolar, estabelecer uma rede de creches públicas e alterar a legislação laboral, garantindo às famílias melhores condições para a conciliação entre o trabalho e a família. Por fim, podia então poupar esse pacote.
O Presidente da associação cujos membros necessitados vivem em famílias numerosas e que se chamam quase todos Bernardos, Marianas e Gonçalos, não ficou satisfeito com as medidas anunciadas e disse que era preciso aprofundar o pacote do Primeiro-Ministro. Ao homem não falta vigor, percebe-se! Mas mais, propôs que o Primeiro-Ministro trate a natalidade como trata o deficit público. Estabeleça metas, trace estratégias e avalie resultados. Estou mesmo a ver que rapidamente passamos dos apoios aos castigos. Majoração da taxa de IRS para quem não tem pelo menos 3 filhos, redução para metade o tempo de férias de quem não tiver filho nenhum, e outras do mesmo calibre.
O problema não se resolverá. A taxa de natalidade continuará a baixar. E para desgosto dos nossos mais acérrimos nacionalistas, Espanha não nos vai anexar. Virá cá repovoar-nos. E atenção que eles já têm a estratégia em marcha. Para já garanto-vos que o pacote deles é melhor que o do nosso Primeiro-Ministro.

Esta revista foi condenada a retirar todos os exemplares das bancas porque houve quem considerasse a capa insultuosa e caluniosa. De facto, uma vergonha! Parodiava o anúncio feito pelo Primeiro-Ministro espanhol de um subsídio de 2500 euros por cada nascimento. Estava, segundo esta revista satírica, explicada a fúria reprodutiva dos príncipes de espanha.
COCKTAIL COR DE BURRO QUANDO FOGE

José Miguel Júdice foi convidado para assumir o papel de Comissário para a requalificação da frente ribeirinha de Lisboa. Não fosse alguém duvidar das suas capacidades para levar a cabo tamanha tarefa, resolve entrar em cena com uma tarefa ainda mais difícil, requalificar o que resta das ruínas do PSD e CDS na frente política da direita portuguesa.
Eis que explica hoje, nas páginas do Público a grande solução. Misturar e dar de novo. Pega-se no PSD, sabor cítrico, cor laranja, adiciona-se o que ainda há de CDS, azul mirtilo, mistura-se bem até ficar tão homogéneo quanto possível. Adicionam-se uns quando frutos silvestres, e eliminam-se os caroços. Serve-se bem fresco, como novidade de verão em 2009.
Engenhoso?!
AFINAL ERA UMA QUESTÃO DE TROCOS
Imagem recolhida no Aspirina B Afinal, neste momento o Governo Regional negoceia a possibilidade de um apoio financeiro extraordinário para permitir a aplicação da Lei na Região Autónoma da Madeira.
Mais uma golpada. Tenho toda a consideração pelos meus concidadãos madeirenses, mas entendo que nesta situação o Governo da República não deveria transferir um chavo sequer para este fim. A Madeira tem o direito de aplicar ou não a Lei, assim como os madeirenses tiveram liberdade para votar no Dr. Alberto João jardim e para recusarem a despenalização da IVG. Pois bem, aplique-se na Madeira a vontade dos Madeirenses e dos seus representantes. Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal.
CHEIRAR MAL DOS PÉS PODE DAR DESPEDIMENTO
Claro que a posição agora adoptada para as licitudes do despedimento tornariam na prática ilimitado o poder de despedir, podendo ser sempre ser alegado um dos factores subjectivos de que a empresa passaria a dispor. Neste âmbito enquadra-se a proposta de justa causa para despedimento a “perda de confiança”. Assim, sem mais, não explicando o que é isso da confiança. As empresas possuem já hoje instrumentos disciplinares que lhes permitem sancionar um trabalhador que roube, seja abstencionista ao trabalho, não cumpra as suas obrigações profissionais, etc... Agora a “perda de confiança”. Será que um empregador pode evocar esta razão para despedir um trabalhador que se recuse a aceitar condições mais desvantajosas do que aquelas que constem no seu contrato, alegando posteriormente “perda de confiança”? Não, não deixou de confiar por essa razão, apenas deixou de confiar!
E porque não ser lícito despedir um trabalhador porque cheira mal dos pés? Afinal um empregador pode achar que um trabalhador assim, não merece a sua “confiança”. Afinal só o empregador pode preencher esse vago conceito de confiança.
PS ADOPTA BOA MEDIDA DE GESTÃO
2007/07/19
ARTUR BUAL
Pintor, Escultor e Ceramista, Artur Bual é um dos nomes mais relevantes da Arte Moderna e Contemporânea em Portugal. Com uma vasta obra, era um artista plástico versátil e multifacetado. A sua concepção ideológica e filosófica sobre a arte levou-o a abraçar expressões públicas do seu trabalho. Quem com ele conviveu, descreve-o como um Homem Completo.
A exposição dos seus desenhos estará patente de 21 de Julho a 9 de Setembro no Palácio dos Marqueses da Praia, Parque da Cidade em Loures.




Pinturas

Arte Pública
FESTAS EM LOURES
Foto de espectáculo nas Festas em 2001Ao longo dos últimos anos, sempre ensaiando novos modelos, porque o que encontraram lhes causava urticária, o PS chegou a 2007 com uma coisa tipo Festas desconexas, sem fio condutor, assentes como sempre em dois ou três concertos e mais qualquer coisa pelo meio para dar alguma consistência. Talvez não saibam fazer melhor, mas Loures continua a merecer melhor.
2007/07/18
MAIS UM DIA DE VIDA

Foi reeditado em português o livro de Ryszard Kapuscinski “Mais um dia de vida, Angola 1975”. O livro é uma crónica do difícil ano de 1975 em Angola. O relato inicia-se com descrição da saída dos portugueses de Luanda, da sua debandada, da sua fuga, dos seus desespero e desorientação. “Os mais pragmáticos e menos imaginativos eram a favor de barricar o Tivoli à noite. Os que tinham horizontes mais vastos e a capacidade de situar as coisas numa perspectiva global defendia
m o envio de um telegrama às Nações Unidas, apelando para uma intervenção. Mas, como é costume entre os povos latinos, tudo terminava em discussão.”
A perspectiva de Kapuscinski ganha interesse pelo distanciamento emocional, sem contudo ser indiferente. Espanta-o a hercúlea tarefa em que envolveram os portugueses que “encaixotaram Luanda para futura expedição”. Segundo ele, nascia, a par da Luanda de pedra, uma nova Luanda em madeira, que partindo do porto da cidade se “dividiu em três com destino a Lisboa, Rio de Janeiro e África do Sul.
Percorrendo as frentes, identifica as partes em beligerância, conhece-lhes os motivos e as fraquezas. Das grandes movimentações, avanços e recuos das várias aos pormenores do quotidiano da guerra, muitas são as perspectivas disponibilizadas.
Prisioneiros da FNLA e soldados do MPLA, discutem animadamente ao anoitecer o resultado do Benfica com o Ferroviário, jovens rapazes iguais entre si.

LARANJEIRA

as suas cores vivas,
ou rostos que assomam
entre as verdes cortinas dos palanquins?
São os ramos que se balouçam, ou formas delicadas
por cujo amor sofro o que sofro?
Vejo a laranjeira que nos mostra os seus frutos:
parecem lágrimas coloridas de vermelho
pelos tormentos do amor.
Estão congeladas, mas, se fundissem, seriam vinho.
Mãos mágicas moldaram a terra para as formar.
São como bolas de cornalina em ramos de topázio,
e na mão do zéfiro há martelos para as golpear.
Umas vezes beijamos os frutos
outras cheiramos o seu olor,
e assim são alternadamente
rosto de donzelas ou pomos de perfume.

António Borges Coelho - "Portugal na Espanha Árabe"
SÃO OS ESPANHÓIS, SÃO OS ESPANHOLITOS, SÃO OS CARACÓS, SÃO OS CARACOLITOS

Por outro lado, os mesmos portugueses continuam a ter como referências heróicas os personagens históricos que inviabilizaram esse desejo; Afonso Henriques, a mítica padeira de Aljubarrota, etc… Em bom rigor de ser portugueses e de terem constantemente um pretexto para renegarem essa condição. Mas em boa verdade preocupam-se pouco com esse assunto, aliás como os povos sempre pouco se importaram com tal. As nações são realidades bastante recentes, fruto da Revolução Francesa. O recrudescimentos dos sentimentos nacionalistas, colectivamente aceites e partilhados, têm na Europa, pouco mais de 200 anos. Até lá, os servos pouco se preocupavam ou podiam intervir nas delimitações de fronteiras e domínios, que não eram seus, mas sim dos seus senhores. Nesse tempo, esses mesmos senhores, dividiam, ocupavam, ofereciam como dotes, parcelas dos seus domínios, sem que ninguém os acusasse de estarem a vender ou a malbaratar o solo pátrio. Conceito muito moderno. Jogavam com frequência a “independênci
a” dos seus povos na roleta russa dos casamentos, acordos e alianças. Hoje somos portugueses, porque o contexto e os resultados dessa trama infindável de interesses dos senhores, reis e papas assim o determinaram.Não obstante, fomos lá cimentando essa identidade e, mais por oposição do que por afinidade, fomo-nos integrado e separando dos outros iguais logo do lado de lá da linha imaginária que é a fronteira. Nisso se jogou grande parte da nossa relação com os restantes povos ibéricos, ou hispânicos. Em especial, a resistência ao ímpeto imperialista dos senhores de Castela, empurrou-nos ao longo dos séculos para alianças de oposição, como a centenária aliança como Inglaterra, cujos efeitos históricos são bem conhecidos.
A união da península foi sendo assim inviabilizada por interesses muito distantes dos interesses dos povos que a ocupam. A união dos povos, que a seu tempo não se consumou, cavou diferenças bem exploradas entre eles. Hoje, o iberismo saudável existe exclusivamente nos meios intelectuais, filosóficos e literários. Inserem-se neste quadro as declarações de José Saramago, assim como as posições assumidas por Eduardo Lourenço. No pensamento de ambos o conceito assume um carácter utópico e reflexivo. O conceito é, no pensamento de ambos, um exercício intelectual válido e interessante. Este conceito tem raízes profundas na tradição cultural dos dois lados da fronteira, tais como os catalães Joan Maragall e Víctor Balaguer, o basco-salmantino Miguel de Unamuno, o canário, León y Castillo, e os portugueses Oliveira Martins, Magalhães Lima, Guerra Junqueiro, Antero de Quental e Teófilo Braga.
A reacção que normalmente suscita vem revestida de um manto de hipocrisia, que o tornam ainda mais pertinente.
Este conceito é cultural, todas as restantes dimensões, a política, a económica e mesmo a geográfica, são nel
e subsidiárias e mesmo despiciendas. Não é delas que ele trata, mas é sobre estas que a critica incide.As críticas a Saramago são bastante hipócritas, vindas de uma elite que tem negociado amiúde a transferência de soberania política para as instâncias europeias, o têm feito nas costas dos povos. São ainda mas descabidas, quando o iberismo, o europeísmo e o internacionalismo dos interesses económicos está plenamente consagrado com o seu beneplácito. Tudo isto é legítimo para os críticos. O entendimento entre os povos é um perigo de lesa-pátria. Não se libertem, porque assim serão mais difíceis de mercantilizar. Compreende-se.
COINCIDÊNCIAS E CURIOSIDADES
António Câmara e Sousa
esteve até 1974, altura em que foi adquirido pelo Partido Socialista. O palácio tinha sido alargado, em 1839, à custa da vizinha fabrica de louça, então extinta. O marquês de Viana mandou construir, nessa data, uma capela privativa, a capela de Nossa Senhora da Bonança, segundo projecto do arquitecto Manuel Joaquim de Sousa. É esta a célebre capela do Rato, onde decorreram acções de protesto contra a guerra colonial, nos anos 60. “2007/07/16
UMA IMAGEM VALE MIL PALAVRAS? E DUAS!?

DE VOLTA A 1755
Depois do livro de Rui Tavares O pequeno livro do grande terramoto, cruzei-me acidentalmente com 1755 – O grande terramoto de Filomena Oliveira e Miguel Real. Esta peça de teatro, cuja leitura é extremamente fácil pela riqueza das anotações de encenação que tem, oferece-nos um retrato da ascensão de Sebastião
José Carvalho e Melo, mas entronca esse percurso em multlipas estórias, ora paralelas, ora convergentes. O texto prende-nos e impacienta-nos, porque da habilidade de criar pequenos enredos secundários, resulta que o leitor, que se poderia desinteressar da narrativa central por já lhe conhecer historicamente a conclusão, se mantém expectante do desenlace de todas as outras.Atravessa o texto um braço-de-ferro constante entre um Portugal velho, feudal, cheio de privilégios, enquistado e temeroso das mudanças e um novo país comercial, desenvolto e, desesperadamente, aspirante a ocupar um lugar de relevo no seu espaço continental.
As ruínas de Lisboa, soterram, pessoas, bens e ambientes, mas também mentalidades, crenças e posturas. Ao edificar a nova Lisboa, ergue-se um novo país, moderno, burguês, sem escravos, sem cristãos-novos e com escolas públicas.
LISBOA

2007/07/14
O CAMINHO PARA WIGAN PIER

Mas apesar de tudo isto, é-nos sempre lembrado, que mesmo que estas sensações possam existir,
mesmo para o autor, elas são uma breve descida ao quotidiano dos outros e nunca um estado permanente ou uma experiência duradoura.O discurso de Orwel é violento para com os que em nome dos trabalhadores elaboram teorias e empreendem práticas políticas, mas que no fundo ignoram quase sempre a dura realidade daqueles que defendem. Em frases curtas, sem pretensões literárias, o autor narra, abusando dos adjectivos, dos superlativos, mas deixa-nos a ideia, que mesmo assim o texto peca por defeito face à realidade.
Refere a dado momento, que mesmo ele, que desceu ao fundo da mina, rastejou até à frente de corte, viu como trabalhavam os mineiros, passados meses, quando se aquecia na sua lareira a carvão, toda a experiência se tinha amenizado. Mas os mineiros continuaram lá todo esse tempo. Como resumo, o livro oferece-nos uma experiência e ensina-nos a humildade.
SANTA BÁRBARA

Nas minas de S.João
SER DE ALGUM LADO

Amanhã Lisboa vai a eleições. Em torno deste pensamento matinal, das cogitações associadas, e porque o pensamento, mais do que as conversas, é mesmo como as cerejas, lembrei-me de uma das últimas frases de campanha da Helena Roseta, na qual ela justificava a presença de uma formação musical marroquina na sua acção de campanha. Dizia ela, que Lisboa sempre foi uma cidade de diferenças e misturas, mais ou menos assim.
Já não me lembrei mais das eleições em Lisboa, e comecei a navegar, partindo desse cais. De muito longe vimos todos, de outros tempos e de outros sítios. Tem razão a Helena quando o diz e acrescenta que quase nunca nos lembramos disso. Recuando na memória, temos a certeza da origem dos nossos pais e os nossos avós, por via deles sabemos sempre mais qualquer coisa sobre os pais destes. Para lá dessa fronteira começa a bruma. Tudo é mais incerto e duvidoso. A única certeza é que viemos de longe no tempo.
Próximo de mim tenho o Alentejo, ou melhor os “Alentejos”, porque são dois diferentes. Um operário, mineiro, contrabandista, pobre, seco e longe. O outro é rural, camponês, pobre, seco e longe. Os dois visitados e de ambos ainda tenho testemunho credível, mais ou menos credível, porque a memória engana sempre, e as histórias de tanto serem contadas em encontros de família e conversas com amigos, vão-se fabulando, adocicando, caricaturando, perdendo o h. E para além disso? Para além disso, há referência a uma Galiza muito distante, e talvez a destinos ainda mais distantes, denunciados em olhos claros nos corpos morenos. A pele muito escura remete ainda para mais longe, para lá do mar, para lá do sul meridional para os mais próximos, ocidente para os mais distantes. Rastos perdidos em migrações anónimas de gente simples e errante, sem amarras à terra, sem feudos seus, sem brasão, apelidos de família, longe do interesses da genealogias.
Certo é que o conhecimento histórico nos identifica esses grandes movimentos de pessoas. Conhecemo-los por essa via, mas quase nunca os temos como nossos. Pensando nisso envolve-me uma nostalgia, uma saudade do que nunca se conheceu, nem se virá a conhecer.
DIZ-ME QUEM GOSTA DE TI...

2007/07/12
" O SENHOR NÃO FALA COM AS MULHERES, NÃO VAI AO CABELEIREIRO."

m pelo PCP, o coro de críticas ao conteúdo do livro reúna actuais militantes e dissidentes. Enfim, Zita não deixou saudades, nem conservou amizades. Essa foi a mentira mais chocante do seu livro. A saída do PCP, sempre foi algo traumático para quem a assumiu. Muitos são os que conservaram as suas relações pessoais dentro do Partido. O testemunho de Zita, ao pretender fazer passar a ideia de que quem sai passa automaticamente a ser segregado por quem fica, é mentira. Se com a autora foi assim, isso dirá mais sobre ela do que sobre os outros.Aconselho a leitura de dois textos sobre esta peça literária. O primeiro é da autoria de Nuno Ramos de Almeida e está disponível no Blogue CINCO DIAS, o segundo é da autoria de Vítor Dias e encontra-se no seu blogue O TEMPO DAS CEREJAS.
2007/07/11
SÃO TIAGO E AOS MOUROS

São Tiago (maior), também designado, após várias corruptelas e aliterações, por Santiago, foi um dos apóstolos de Cristo e terá morrido na primeira metade do Século I. Este santo tornou-se particularmente popular entre os povos cristão na Península Ibérica, estando associado às batalhas da reconquista cristã mediante múltiplas lendas, que remetem para uma intervenção sobrenatural deste santo.
Durante os primeiros séculos, São Tiago foi o padroeiro dos exércitos português e castelhano, sendo substituído em Portugal por São Jorge após a crise de 1383/85. Apesar do Castelo de Lisboa ter tomado o nome de São Jorge, a Freguesia do Castelo continua ainda a ostentar o nome de Santiago.
Pequena introdução para umas breves palavras sobre um dos frequentadores do meu Palácio, entenda-se o dos Marqueses, eleito do PS, porta-voz do grupo de eleitos na Assembleia Municipal, ou como o próprio gosta de designar, Grupo Parlamentar (!), Tiago Abade. Santinho por nome próprio e apelido. Este eleito é um rapaz novo, seguramente com um futuro promissor na já consagrada carreira política. Terá passado pelas fileiras da JS, local onde aprendeu os valores da tolerância e adquiriu bom-senso, património comum a todas as Juventudes Partidárias, refira-se em abono do rigor. Neste mandato, recaiu-lhe sobre os ombros ser o “líder” dos eleitos do seu partido nesta casa. Também não era necessária grande escolha, uma vez que a maioria absoluta de que dispõe, assegura-lhe a rede necessária à sua actuação. Pode pendurar-se no trapézio, saltar de liana em liana, ensaiar o engolimento de fogo, espadas, pregos ou outras substâncias ou objectos potencialmente agressivos para si, para entretenimento dos presentes, que no fim tudo se compõe. Não era necessário alguém com especiais capacidades de liderança, oratória ou de mediação, porque o amorfismo do PS e a sua absoluta maioria tornam estes atributos dispensáveis.
À primeira vista não parece caso de maior. Pois não seria, não tivesse este jovem imbuído de um espírito de cruzada, que faz com que toda a sua intervenção na Assembleia Municipal se revista de uma arrogância descabida. Mas pior, é o que resulta de, nas actuais circunstâncias, o meio que o envolve não lhe permitir desenvolver a noção do ridículo, nem a virtude da autocrítica.
Por mais despropositadas que sejam as suas intervenções, elas tendem a ganhar mais elogios dos seus pares, quanto mais forem acintosas, ofensivas ou demagógicas. Este jovem aprendiz de feiticeiro teve azar, no momento fundamental para o desenvolvimento e consolidação das suas qualidades e virtudes, quis o destino, que se visse envolto num meio muito pouco propício a tal. Apesar de as suas intervenções provocarem frequentemente reacções de júbilo entre os seus, se atentarmos ao conteúdo das mesmas, percebemos que esse júbilo se aproxima mais do Coliseu romano do que da Ágora ateniense. Junto dos adversários provoca frequentemente o sorriso. Não que se riam com ele, mas sim, quase sempre, se riem dele. Disto devia ser avisado.
O seu espírito de cruzada não se justifica. A falta de respeito pelas ideias e posições dos outros denotam pouca clarividência e menor inteligência.
Atrevo-me a propor-lhe a leitura de um livro, que parecendo ser para crianças é uma leitura que faz falta a muitos adultos; O Principezinho de Saint-Exupéry. Lá pelo menos aprenderá que o prazer que se pode retirar da contemplação de uma simples flor, é mais perene do que o gozo do exercício de um poder, que será sempre efémero.
PSD EM LOURES, DE MULETA A CARRINHO-DE-MÃO!

Na passada Assembleia Municipal de Loures, no dia 26 de Junho, já algo diferente se desvendava. O PSD, nessa Assembleia, deu novos sinais do que seria a postura desse partido. Fez a defesa pura das opções do executivo socialista, em deliberação nessa reunião, escusando a maioria que sustenta o executivo de sequer pedir a palavra. Pareceu excessivo. Porém, essa reunião poderia ser um epifenómeno. Era a primeira, depois da celebração acordo. O PSD poderia querer dar um sinal de estava ali para cumprir o acordado, sendo que o estilo próprio do eleito que fez as intervenções, ajudou a reforçar a veemência desse sinal.
Cabe aqui escrever, que ainda não se conhece o conteúdo político do acordo celebrado entre esses dois partidos. Algo muito importante para a clarificação de posições.
Ontem, contudo, ficou claro que o PSD aceitou desempenhar um papel que vai bem além da mera muleta, comportou-se como um autêntico carrinho-de-mão. Do excesso, avançou para o ridículo. Tão mais ridículo, se se tiver memória das declarações recentes desse partido em relação à gestão municipal. Claro que, mesmo então, essas declarações inflamadas já pouco se relacionavam com a postura desse mesmo partido na Câmara Municipal, mas, mesmo assim, esforçava-se por ter na intervenção na Assembleia Municipal um reduto moral de oposição. Até quando terá o PSD força para carregar o executivo municipal, é uma dúvida que a seu tempo terá esclarecimento. Durante esse tempo o PS agradece que alguém dê o peito às balas.
2007/07/06
É UMA PÉROLA
Não deixe de visionar o vídeo completo AQUI.
Para abrir o apetite tirei algumas frases do contexto e transcrevi-as. Digo que tirei do contexto, porque algumas delas contextualizadas fazem ainda menos sentido.
Sobre o facto de estar aberto o debate em torno da localização:
Sobre qual a localização que melhor serve Loures:
“Bucelas fica a 15 km da OTA.”, “A Ponte Vasco da Gama é Loures-Alcochete”
Sobre a importância do novo aeroporto:
"Somos um povo, onde, gostamos muito de viajar.”
Novamente sobre a localização:
“Temos de ver o custo benefício da longevidade(!) onde é instalado o aeroporto.”
Sobre a realização de estudos sobre novas possibilidades:
“Passamos a vida a estudar.”
Sobre o futuro dos terrenos da Portela:
"Não vale a pena inventar, as pessoas muito de inventar, para depois fazerem críticas nos jornais, para se entreterem, e eu aí não dou oportunidade das pessoas começarem a inventar”
Sobre futuros cataclismos de natureza geológica:
"Nós, dentro de 10 anos, seremos o centro da área metropolitana.”
2007/07/04
FRETILIN VENCE EM TIMOR

Será difícil esperar respeito do actual Presidente pelos resultados alcançados pela FRETILIN. Não sei o que eles representarÃO em Timor, mas para mim significam que talvez ainda haja esperança para a jovem democracia timorense.
2007/07/03
CAUTELAS E CALDOS DE GALINHA...
Via ArrastãoHoje, tomando café com uma amiga, verifiquei que as pessoas mais atentas e informadas começam a ficar verdadeiramente preocupadas com a situação de asfixia que o país atravessa. Dos ataques despudorados ao que ainda vai restando de direitos sociais e laborais dos trabalhadores, à moda de penalizar aqueles que a brincar dizem o que lhes vais pela alma, muitos são já os que começam a identificar tiques totalitários na cultura governativa deste Governo.
O epíteto fascista é despropositado para caracterizar a presente situação, mas sem dúvida que o modo autocrático com que o Governo tem dirigido o país, vai criando as condições para que comecem a aparecer, aqui e além, vindos debaixo das pedras, os rastejantes que entendem ter chegado a hora da caça aos “malandros, por lhes cheirar a ambiente favorável.
Bufos, delatores e aspirantes a pides são como as baratas, resistentes e pacientes, capazes de sobreviver à mais arejada das democracias, mas logo que o ambiente se degrada lá estão elas prontas a reclamar território e a infestar os ecossistemas.A nossa democracia, tem resistido aos parasitas, mas as baratas e outros rastejantes podem ser o golpe fatal.
POR FALAR EM ZÉS...

CDU LISBOA, FORÇA ALTERNATIVA.

2007/07/02
AS ESCOLHAS DE MILITÃO
O projecto LouresTV, que dá os seus primeiros passos, é uma ideia interessante e creio que tem futuro. Utiliza as potencialidades da Internet para criar, na sua própria definição, “Uma televisão de âmbito regional que funciona (num conceito inicial) em suporte on-line.”, cuja área de intervenção comunicacional “visa principalmente, e em primeiro lugar, o concelho de Loures, estendendo-se depois à região da Grande Lisboa e num aspecto mais amplo à actualidade em geral.” Esta televisão assume a “Informação e Entretenimento “ como os suportes funcionais da sua actividade.”Os conteúdos são ainda bastantes insípidos, mas tal é perfeitamente normal, porque os meios não devem ser os melhores e, seguramente, haverá muito de boa vontade no projecto, que permitirá ultrapassar algumas dessas limitações.
Mas faço aqui uma referência particular a uma rubrica permanente do canal, RSF, com Armando Militão. Ao jeito dos canais nacionais, logo a LouresTV também instituiu o seu espaço de comentário político, mas tal como nos canais nacionais, optou por um formato e um conteúdo bastante criticável. Ao criar uma espécie de Escolhas de Militão, coloca como comentador da política local um dos intervenientes mais activo desse mesmo meio político. Poderia ter optado por um formato de debate entre as várias sensibilidades representadas na Assembleia Municipal, que neste espaço debatessem os temas mais relevantes para a política local no momento. Sai ferida deste formato, escolhido pela LouresTV, a pluralidade de opinião que este jovem órgão de comunicação social devia desde já começar a assegurar. Por outro lado, a escolha do comentador acentua este desvio ao dever de isenção e pluralidade. O Armando Militão, não só é um destacado militante do PSD de Loures, como é um dos intervenientes políticos mais proeminentes deste município, sendo eleito na Assembleia Municipal de Loures.
No programa de 21 de Junho, um dos temas tratados, foi a expectativa em torno da primeira Assembleia Municipal depois de o PSD ter firmado um acordo de gestão com a maioria socialista. Nesse momento, o comentador disse que aguardava com interesse qual seria a reacção dos dois grupos políticos, PS e PSD, pois nos dois existiam divergências internas em relação ao acordo de gestão assumido pelas direcções distritais de ambos os partidos. Pois bem, nessa Assembleia Municipal de 26 de Junho, foi o eleito do PSD, Armando Militão, a fazer as despesas da defesa do acordo e, na questão em concreto da revisão orçamental apresentada pela Câmara Municipal de Loures, um dos mais acérrimos defensores das opções propostas pela maioria do PS.
Como a abordagem do tema, foi feita no comentário, apenas por um dos intervenientes interessados no processo e que, seguramente teve opinião de peso no desfecho do mesmo, saiu parcial o comentário, se é que o comentário político, por natureza, pode alguma vez ser imparcial. Neste caso ficaram por esclarecer, o porquê do desacordo no seio de ambos os partidos, mas a tal esclarecimento também não forçou o jornalista. Ficou por saber, o que afinal contém, em termos políticos, o acordo celebrado, mas tal também não questionou o jornalista.
Seria interessante que o tema voltasse a constar no alinhamento das próximas Escolhas de Militão, porque poderia dar lugar a um exercício esquizofrénico em que o mesmo falasse de si próprio na terceira pessoa, a la jogador da bola.
Aliás, o comentador Armando Militão, malgrado o esforço que faz, é-lhe impossível ser isento. Ouça-se o seu comentário sobre a localização do futuro Aeroporto Internacional de Lisboa e leia-se a sua intervenção sobre o tema na Assembleia de 26 de Junho. Foi a mesma intervenção, o mesmo conteúdo e visou os mesmos objectivos.
Nada a criticar em relação à sua postura. Ofereceram-lhe um palco para difundir as suas opiniões e ele aproveitou-o. Qualquer um faria isso, especialmente se tivesse interesse político em faze-lo, por participar activa e directamente na contenda política local.
O cuidado de assegurar a pluralidade cabe à LouresTV. Apesar disto não deixe de passar por lá.
GESTÃO MUITO TURVA ESTA!
Mas dela mais alguém deveria saber. O aterro em causa está a ser feito junto a uma linha de água e o seu objectivo é soterrá-la em definitivo. Por isso o INAG, Instituto Nacional da Água também dela deveria ter conhecimento. Também por isso, no local deveria estar uma informação aos cidadãos dizendo que aquela intervenção no domínio hídrico estava a ser acompanhada e tinha autorização para se realizar por parte do Instituto que tem essa competência. Mas nada disso acontece.
Diz-me a experiência que o facto se vai consumar. A Ribeira do Prior Velho vai, naquele troço, ser soterrada. O promotor que tem interesse em que isso aconteça, vai faze-lo. A Câmara Municipal de Loures até o permitiu e patrocinou. O INAG nada fará. Os procedimentos de licenciamento, discussão do projecto, participação dos cidadãos, fiscalização serão todos atropelados. Mas nada de mal virá ao mundo. Ninguém será responsabilizado, a ninguém se pedirá contas, nem muito menos admoestado pela sua conduta na gestão dos assuntos públicos.
Na inauguração estarão todos, porque a contento de todos se resolveu o assunto, de forma rápida, ainda que ilegal. Os andares serão vendidos, as lojas ocupadas, e até ficou bonito!
ESTE POVO TEM FUTURO!

Os interessados podem votar no Bar Colectividade ou através do sítio da Internet dessa colectividade até ao dia 6 de Junho.

Para os interessados fica aqui o programa das festas.
GALA DAS 7 MARAVILHAS DA BEMPOSTA
Nos dia 7 e 8 de Julho realiza-se na Bemposta o Fim de Semana do Caracol e da Imperial.
No sábado das 16h00 à 24h00 e no domingo das 16h00 às 21h00.
No sábado dia 07.07.07, realiza-se a Gala de Apresentação das 7 Maravilhas da Bemposta.
A Gala será um grande evento que contará com um espectáculo gímnico envolvendo cerca de 100 atletas (G.M.R . Bemposta; U.R.D. Arranhó; S.R.C. Camondes; C.R.D. Arrudense), com a actuação da Orquestra Bemposta Jazz Band e com muitas surpresas durante a noite.
QUE FORÇA É ESSA?

(Praça das Flores, nº 8 – Tel: 21 396 35 45 – encerra ao Domingo)




