2008/07/17

PERGUNTAS DE UMA TARDE QUENTE




O Presidente da Junta de Freguesia de Loures, João Nunes, é comentador residente da Loures TV. Não está em causa a qualidade dos seus comentários. São muitos bons! A Junta de Freguesia de Loures é uma das patrocinadoras da Loures TV, pelo menos ocupa espaço de publicidade. Será essa publicidade gratuita? Existirá algum problema nesta duplicidade de relacionamentos? Não sei, apenas me apeteceu perguntar?

AFINAL HÁ MAIS!




Então não querem lá ver que os autores do estudo sobre a pobreza infantil continuam a afirmar que o realizaram em parceria com a Câmara Municipal e até apresentaram provas desse relacionamento. Maria João Malho, que responde e apresenta documentos comprovativos da preparação do trabalho de campo em colaboração com a Câmara de Loures, fax’s e e-mail’s trocados com o secretariado do Vereador Ricardo Leão. Pode tudo ser visto na Loures TV. Se eventualmente tudo aquilo é mentira, entraremos no campo da falsificação de documentos. Mas o mais certo é ainda não termos saído do campo da mentira política.

O PRÍNCIPE



O Palácio recebeu através do serviço de Malaposta a seguinte missiva, que se publica. Obrigado ao autor pelo seu contributo.

As escolas de Loures acabam de ser distinguidas no conjunto das “forças vivas” do Concelho.

Por decisão ao mais alto nível, a representação do poder autárquico vai passar a ser feita nas escolas de Loures pelo Sr. Vereador da Educação Ricardo Leão, pelo seu assessor Dr. Alexandre Sargento e pelo Dr. Luís Filipe Melo.

Até agora, nas Assembleias de Escola (secundárias) e de Agrupamento (agrupadas do pré-escolar, 1º, 2º e 3º ciclos) a representação autárquica cabia, por delegação, às Juntas de Freguesia, que mais ou menos cumpriam o seu dever de presença e participação nas reuniões dos órgãos, mandando um representante seu.
Já agora diga-se que sempre foram as Juntas de Freguesia quem mais apoiou as escolas desde que a Câmara do Eng.º Carlos Teixeira é Presidente de Câmara.
A partir de agora, com a saída da nova legislação escolar, passam a ser três os lugares que a lei prevê para a representação autárquica nos “novos” Conselhos Gerais e não um.
E não é que a Câmara fechou a torneira da participação às Juntas, chamando a si essa representação daqui em diante!

Várias curiosidades são dignas de destaque nesta decisão.
Primeiro, o Sr. Vereador não tinha tempo para a ir a uma reunião destas que fosse, nem ninguém para mandar por ele. Agora promete que vai estar presente em todas elas, ele e a sua equipa em peso. Representação mais alta só se fosse do próprio Presidente da Câmara. Diz-se é por aí que o Sr. Vereador já faltou a pelo menos duas destas reuniões e ainda os órgãos estão agora a arrancar!

Outra curiosidade é que o Sr. Vereador acha que vai tirar protagonismo deste número, mas não sabe no que se está a meter. As escolas estão mortinhas para o apanhar lá sentado e tê-lo à sua frente, olhos nos olhos. Professores, empregados, alunos, pais, etc., esperam-no ansiosamente para o entalar com a falta de cumprimento de promessas e obrigações da Câmara, que até agora eram as Juntas ter de ouvir como “representantes do poder autárquico”. Ou o Sr. Vereador tem uma série de doces na manga para dar ou vai ser crucificado na primeira reunião e talvez já não vai às outras.

Outra curiosidade, é que a Câmara de maneira vergonhosa tirou o tapete às Juntas de Freguesia. Eram elas que mais ajudavam as escolas, até por estarem mais próximas e mais por dentro dos seus problemas, as Juntas faziam parte das Assembleias, tudo fazia sentido. Agora, as Juntas continuam com os mesmos protocolos de delegações de competências ou não, ajudando as escolas mas arredadas de estar no órgão em que se decidem o mais importante do seu funcionamento.

O Sr. Vereador, um príncipe que acha que pode vir a ser rei, parece que começa a acusar o aproximar das eleições. Precisa de aparecer e de mostrar que está vivo porque muitos desconfiam que não. Nem que para isso tenha de atropelar toda a gente pelo caminho.

Mas como é seu hábito, é capaz de sair o tiro pela culatra porque nem as escolas ou os munícipes são parvos e percebem quem é que faz e quem é que quer aparecer à mesa, nem as Juntas vão ficar mais afastadas das escolas e do protagonismo que têm agora.

Daqui por uns tempos o Sr. Vereador vai ter só mais uns toros de lenha para se queimar. A sua agenda preenchida em três turnos não o vai deixar estar presente como já prometeu nas reuniões de 7 escolas secundárias e de 13 agrupamentos, que arriscam a uma bonita conta como 100 reuniões por ano. Os munícipes cada vez mais representados nestas reuniões vão ficar com uma imagem mais nítida de quem ele é e do que vale (e se calhar mais lhe vale para a imagem faltar às reuniões que intervir nelas). E o seu sonho de trono pode ficar comprometido para sempre.

Resta saber como vão reagir as Juntas de Freguesia a esta invasão camarária das escolas e como vão mostrar à Câmara quem é que realmente trabalha nas escolas do Concelho.

Para o Sr. Vereador Leão não, mas se calhar para as escolas até acaba por ser bom.

O PALÁCIO TAMBÉM ESTÁ EM ALERTA AMARELO




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PRETOS E CIGANOS, UMA PERSPECTIVA.


O texto que se segue foi publicado ontem no jornal Público, pelo interesse do seu conteúdo, edita-se aqui, via 5 Dias.

17 Julho 2008 por Rui Tavares


Surge em cada Verão interpolado uma história de violência e crime na Grande Lisboa que é suposto ter grandes leituras politicamente incorrectas. Num Verão,, foi Durão Barroso, à procura de um caminho para São Bento, que decretou que havia graves problemas com os imigrantes de “segunda geração” (ou seja, os que não são imigrantes).
Paulo Portas também está sempre à espera de um arrastão, falso ou verdadeiro, que faça o milagre de o extrair dos três por cento que tem nas sondagens. E uma série de comentadores considera-se vítima da “ditadura do politicamente correcto”, se a etnia dos implicados não for proclamada como explicação fundamental de todo o problema.Durante o ano inteiro, há notícias de violência noutras cidades do país, ou até no campo. Quando há assassinatos na noite portuense, ninguém exige que se fale dos “problemas de integração dos portuenses”. Quando há um roubo numa estação de gasolina ou pancadaria numa discoteca de província, ninguém reclama por um debate sobre “inimizades entre gangs rurais”. E não se exige nem reclama esse debate porque ele seria desproporcionado. Toda a gente sabe que crime é crime, para ser tratado com a implacabilidade necessária, e que o Porto é o Porto e a província é a província. Um crime entre portuenses deve fazer-nos pensar sobre o crime mais do que sobre os portuenses.
Mas um crime em Lisboa quer dizer, em código, “pretos e imigrantes”. E isso é uma festa - para quem pretende falar, não do crime em si, mas de imigração e “politicamente correcto” e do falhanço das políticas sociais.
Toda a gente tem noção, num país como Portugal, de que a violência é a excepção e não a regra. Há mais violência doméstica do que violência urbana neste país: é porque os maridos são violentos e detestam as mulheres? Não: a excepção não é a regra.
Um jovem delinquente pode ser a prova de que a política de integração falhou para ele, mas não é a prova de que a integração falha sempre. À volta dele existem milhares de outros jovens que são nossos alunos, que são nossos colegas e nossos vizinhos, e que levam as suas vidas.
Se quiserem piorar as coisas, cedam à demagogia e declarem a falência do rendimento mínimo, dos assistentes sociais e da igualdade de oportunidades que serviram para esses. Se quiserem melhorar as coisas, reservem um pouco de espaço mental para as experiências que dão certo e apoiem a sua multiplicação - sabendo que elas jamais irão resolver todos os problemas.
Acima de tudo, não misturem o que não é para ser misturado. Crime trata-se como crime, armas ilegais como armas ilegais, integração como integração, imigração como imigração. Os ciganos da Quinta da Fonte, dependendo de que ciganos são, nem sequer são imigrantes: podem estar aqui neste país há quinhentos anos. Os negros da Quinta da Fonte, dependendo de que negros são, provavelmente nem são imigrantes: podem ter nascido aqui, ou ser oriundos de países onde nós andámos quinhentos anos.
Cada aspecto da realidade - o crime, as armas ilegais, o bairro social, o racismo e preconceito interétnico, as comunidades fechadas - pede uma discussão que merece ir longe. Mas o que nos propõe quem se queixa do “politicamente correcto” não só não vai muito longe como fica ridiculamente perto. Na sua ingenuidade, acham que basta poder dizer as palavras “pretos e ciganos” para as coisas se resolverem.
Pretos e ciganos. Pretos e ciganos. Pretos e ciganos. Já está resolvido?


16.07.2008, Rui Tavares

PODE SER UMA COINCIDÊNCIA, MAS PODE NÃO SER.








"Esta madrugada, quatro indivíduos encapuzados dispararam do interior de uma viatura vários tiros na Quinta das Sapateiras em Loures, sem causar feridos, segundo fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP. A PSP de Loures não ligou este incidente aos confrontos registados na sexta-feira e sábado passados no bairro da Quinta da Fonte, também em Loures, adiantou a mesma fonte. Os disparos com arma de fogo ocorreram às 00h50 de hoje, tendo diversas testemunhas contado à polícia, que se dirigiu ao local, que no interior da viatura estavam quatro pessoas encapuzadas. Depois dos disparos, a viatura dirigiu-se em "fuga" em direcção a Santo António de Cavaleiros, disse a mesma fonte, adiantando que o automóvel apresentava "alterações tipo modelo de tunning", nomeadamente frente e pára-choques rebaixados e jantes especiais. Este incidente não causou feridos e os elementos do automóvel ainda não foram identificados, adiantou ainda o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa."


É neste momento inegável que começa a ser visível um sério problema com o controlo de armas ilegais, ou pelo menos com o seu uso ilegal.

2008/07/16

A SOLUÇÃO DO GOVERNADOR!


A ILITERACIA É UM GRAVE PROBLEMA NACIONAL




A propósito do realojamento temporário de famílias da Quinta da Fonte, foram deixados dois comentários aqui no Palácio, que se reproduzem na íntegra, sobre uma eventual tomada de posição da CDU ou do PCP, sobre o assunto. Os comentários referem um suposto cariz xenófobo e racista no referido texto. Para não falar de cor, tentei encontrar o tal comunicado da CDU ou do PCP sobre o tema. Não encontrei. Existe apenas uma informação da Junta de Freguesia de São João da Talha, mas a mesma não contém nenhum dos pendores referidos. Para esclarecimento do comentador, reproduz-se esse texto na íntegra.


Comentários
"Falso. A câmara não vai dar casas novas a ninguém. Quem ouviu o presidente não pode fazer uma afirmação dessas. Ele foi peremptório. Já agora, o que o PCP tem contra as minorias? Nada? Então leiam o comunicado da CDU de são João da Talha e vejam, são mais racistas e xenófobos que o Paulo Portas e o gajo do pnd." 16 de Julho de 2008 0:54

"Sinceramente não esperava tanta xenofobia de um partido de esquerda como o PCP. Mas eu sei porquê: é que os ciganos não votam e por isso eles que se lixem. Se fossem os bumbos então a conversa da CDU seria outra." 16 de Julho de 2008 0:56


[15-07-2008]

Câmara de Loures instala famílias no Pavilhão Municipal José Gouveia Junta de Freguesia contra decisão indigna.

"A Junta de Freguesia de S. João da Talha foi informada pelo senhor presidente da Câmara Municipal de Loures, ontem, dia 14 de Julho, pelas 21h00, da intenção desta autarquia proceder ao alojamento temporário no Pavilhão Municipal José Gouveia de várias famílias que, na sequência dos recentes incidentes ocorridos na Quinta da Fonte, optaram por abandonar este bairro situado na Apelação.
Esta decisão do senhor presidente da Câmara Municipal de Loures foi tomada após reunião com o Governo Civil e com representantes das largas dezenas de pessoas que se concentraram, no mesmo dia, segunda-feira, frente aos Paços do Concelho.
Embora compreendendo a necessidade imperiosa de encontrar uma solução para o problema - o que passa seguramente pela cooperação e diálogo entre várias entidades, incluindo as que no terreno desenvolvem de forma mais directa um trabalho de proximidade e inclusão com as diferentes comunidades -, a Junta de Freguesia não pode deixar de manifestar a sua total discordância com uma tal decisão.
Isso mesmo foi desde logo afirmado ao senhor presidente da Câmara Municipal de Loures, Carlos Teixeira, a quem foram expostos os vários problemas e inconvenientes originados por esta decisão, que a Junta de Freguesia considera absolutamente inaceitável, nomeadamente pelo carácter precário das condições oferecidas por um equipamento e um local sem condições nem vocação para tal fim, o que comporta uma situação de indignidade quer para as pessoas envolvidas quer para S. João da Talha.
A verdade é que não podem repetir-se os mesmos erros nem a mesma incapacidade reveladas pelo Governo e pela Câmara Municipal de Loures neste lamentável processo, do qual são os únicos responsáveis, já que não souberam agir a tempo e horas no local de modo a prever e a evitar fenómenos como os que infelizmente vieram a acontecer.
Por isso a Junta de Freguesia afirma que devem ser evitados novos factos que acrescentem incompetência à incompetência de que já foram tantas provas dadas.
Não é assim que se pensam, gerem e resolvem os problemas do território e das populações. Para além de sensatez, ponderação, capacidade de decisão, são necessárias medidas acertadas, que sirvam os interesses da comunidade, o que não foi manifestamente até agora o caso.
Lamentando a decisão da Câmara Municipal de Loures, a Junta de Freguesia reitera à população de S. João da Talha o seu compromisso de tudo fazer para que esta situação tenha rapidamente o desfecho digno e correcto que merece."


O Presidente
Paulo Rui Amado

É PRECISO TER CALMA







2008/07/14

MAKE LOVE, NOT WAR




Recebo-as (as chaves) - Carlos teixeira

Depois das declarações exaltadas, na sequência dos incidentes violentos que tiveram lugar na Quinta da Fonte, que podem ser escutadas no link acima, o Presidente da Câmara inflecte o discurso, mas mantém o delírio.

De concreto, percebe-se que afinal a Câmara Municipal estará a encontrar um solução de realojamento das famílias da comunidade cigana.

“A Câmara Municipal de Loures vai contactar a Segurança Social para encontrar uma solução temporária de realojamento para as famílias ciganas do bairro da Quinta da Fonte.” In, Público.

Mas como a tendência para o disparate é intrínseca, Carlos Teixeira afirma ao Expresso que “Há uma minoria que actua ao cair da noite”, dizendo ainda “tenho a indicação que naturalmente será a outra comunidade “africana” a atacar, porque é a outra comunidade, a cigana, que está a ser atacada”. Será da minha sensibilidade, ou o mediador tomou partido?

Espera-se agora que a comunidade africana se concentre em frente à Câmara Municipal, pedindo explicações, como o fizeram hoje os habitantes de etnia cigana, para que sobre este problema o Presidente da Câmara, Carlos Teixeira, volte a dizer outra coisa completamente diferente.

2008/07/13

APELAÇÃO




Os acontecimentos dos últimos dias na Quinta da Fonte preocuparam-me, mas infelizmente não me surpreenderam.
Há já alguns anos que várias pessoas, habitantes da Apelação, eleitos em diversos órgãos municipais, têm vindo a alertar para a necessidade de uma intervenção séria no domínio da prevenção de situações como a que assistimos. Em alguns casos com propostas concretas que, não partindo dos eleitos do partido do poder, PS, são imediatamente rejeitadas.
Fingir que nada se passa, que todos estamos felizes, que em Loures não há pedintes, que os assaltos que aqui ocorrem não são feitos por habitantes do concelho, que as crianças de Loures não passam fome, que as escolas funcionam bem, não basta para que de facto assim seja.
Infelizmente tem sido este o discurso do Senhor Presidente da Câmara em todas as situações que revelam a necessidade de se actuar de forma diferente. Para ele dizer que está tudo bem, basta para que tudo esteja bem.
No início do seu mandato, quando o ouvia, achava que o seu discurso era fruto de alguma falta de informação associada a muita falta de humildade e educação – quiçá para esconder a sua insegurança. Hoje sei que é mesmo estupidez, ignorância e falta de sentido democrático.

Não posso deixar de associar as últimas notícias às que há cerca de um, dois meses, surgiram nos média sobre a visita do Senhor Presidente da República à Quinta da Fonte e à escola que a serve.
Realçava-se o bom trabalho feito pela escola em parceria com as instituições do bairro. Fiquei contente. Até porque sei do enorme esforço feito pelos professores e restante pessoal da EBI da Apelação. Mas desconfiada: em nenhum momento vi o Presidente do Conselho Executivo a falar sobre os progressos obtidos.

Conheci o referido professor há alguns anos, aquando duma reportagem passada na RTP, sobre a violência nas escolas e que mostrava imagens obtidas por câmaras colocadas nas salas de aula. Percebi tratar-se de uma pessoa séria, com vontade de alterar o estado das coisas e que dificilmente embarcaria em fogachos ou em actividades para “inglês ver”. Talvez por isso não apareceu no fogo de vista. Fez bem, mais uma vez.

Será que, apesar dos pesares, o Senhor Presidente da CML, ao invés de se rodear de técnicos da Rede Social que, qual pescadinha de rabo na boca, trabalham para que a referida rede se reúna, se reúna, se reúna, não perceberá que é urgente, urgentíssimo traçar um plano de intervenção para estes bairros, contando com a gente boa que estes possuem, com os técnicos das instituições locais e talvez colocar ao serviço desse plano as técnicas contratadas para a Rede Social.
Projecte-se um futuro para aqueles jovens.
Prendam-se os bandidos.
Para evitar mais tiros.

A despropósito:
Têm sido colocados alguns comentários sobre a minha identidade. Não, não sou a senhora Vereadora Anabela Feliciano.
Sou mais velha… um bocadinho.
Sou mais alta … um bocadinho.
Sou mais forte … um bocadinho.
E penso que mais faladora (apesar de não a conhecer para além da sua intervenção pública).

O ESTADO DA NAÇÃO




MEMÓRIA FRAQUINHA


NÃO É POR AÍ.




Depois dos eventos na Quinta da Fonte, Apelação, era com grande expectativa que se esperam declarações do Presidente da Câmara, sobre um problema que sistematicamente tem desvalorizado.

Não se esperavam grandes inovações de discurso, apenas que o Presidente da Câmara, condenasse, em primeiro lugar os actos cometidos, para de seguida anunciar medidas e acções de combate a este flagelo.

Em vez disso, fomos brindados com um conjunto de declarações dignas de um balcão de taberna, não só profundamente desconchavadas, como ofensivas, e impróprias de um Presidente de Câmara.

As comunidades que habitam aquele bairro foram o elo mais fraco de uma cadeia de interesses, visando a resolução de uma questão mais “nobre”, a construção da Expo 98 e dos acessos envolventes. Nesse processo, a planificação, estudo e avaliação dos impactos daquele realojamento em concreto, foram profundamente negligenciados, para não dizer inexistentes. O Estado criou as condições objectivas que hoje propiciam este tipo de acontecimentos nas Quintas da Fonte deste país. Existe uma responsabilidade pública inquestionável naquela situação.

Ignorando tudo isto, o Presidente da Câmara Municipal dispara “Já têm a sorte de lhes ter sido atribuída há alguns anos uma casa, onde pagam uma renda social muito baixa, e alguns até não a pagam...” Os habitantes daquele bairro de realojamento, ou de outro qualquer bairro de realojamento neste país, não “têm a sorte” de lhes ter sido atribuída uma casa. A casa não lhes saiu numa rifa! Os habitantes destes bairros de realojamento foram beneficiários de acções que resultam de políticas de habitação social definidas pelo governo em cumprimento do desiderato constitucional. O que se pode dizer é que as políticas de habitação social estão profundamente erradas, como facilmente se constata, mas elas são responsabilidade pública.

Mas estas declarações encerram também a marca do racismo social. Os habitantes pagarão uma “renda social muito baixa, e alguns até não a pagam”, afirma Carlos Teixeira. Não sei se as rendas são altas ou baixas, sei que variam de acordo com critérios que não foram os próprios que fixaram, subordinadas a regras de fiscalização que os próprios também não definiram. Se essas regras estão erradas ou não são justas, debatam-se democraticamente e alterem-se, mas não se faça recair o ónus desses erros sobre aqueles que mais são prejudicados por eles. O anátema lançado pelo Presidente da Câmara sobre os moradores dos bairros sociais é condenável. Mas há uma responsabilidade que pode ser assacada a muitos dos moradores destes bairros. É responsabilidade de se deixarem ludibriar por políticos desonestos e sem escrúpulos, que não hesitam em percorrer estes bairros nos períodos eleitorais, distribuindo rosas e tecendo loas, para mais à frente os tratarem com tamanho desdém.

Na Quinta da Fonte foi criada uma situação insustentável, perigosa para os seus habitantes. Foi criado um ambiente socialmente impróprio, onde ninguém de bom-senso gostaria de viver e criar os seus filhos. Muitos dos que têm condições para tal, têm abandonado o bairro, em especial as famílias que haviam adquirido as suas casas no modo cooperativo. Estes foram os primeiros “despejados” da Quinta da Fonte, aqueles que viram o seu sonho de uma casa condigna ser transformado num pesadelo, resultado de uma politica de habitação desastrada. Não recorreram a nenhum tribunal pedindo responsabilidades, mas deveriam ter tido a possibilidade de o fazer. Outros se seguirão se a situação se for agravando, muitas chaves o Presidente passará a ter de um bairro onde ninguém quer viver.

Queixa-se o Presidente da Câmara que “quando procuramos fazer algumas acções de despejo, temos os juízes a condenar a Câmara” e que quem “se quiserem ir embora, está disponíveis para se ir embora...”, mas os cidadãos deste país é que deviam pedir responsabilidades pela ineficácia das politicas de integração social, de habitação social e de segurança. Se existem acções de despejo que são contrariadas pelo tribunal é porque as leis existentes assim o determinam, mas o legislador não mora na Quinta da Fonte!

Os autores das cenas vistas por todos devem ser punidos e o apoio àqueles que só pretender ter uma vida tranquila e em paz, deve ser redobrado. O estado deve-lhes isso.

À Administração Central devem ser exigidas responsabilidades e acções concretas, que vão muito para lá da segurança. Nenhum dos moradores escolheu ser alojado em regime concentracionário. O erro deve ser reparado, porque não existe paliativo que o resolva, ou sequer minimize. Nenhum morador daquele bairro teve uma palavra a dizer sobre o futuro que lhe foi destinado. A Câmara Municipal deveria estar na linha da frente dessa exigência.

Neste momento é necessário bom-senso, clarividência, firmeza e decisão, mas não conversa de taberna para consumo populista. Não é por aí.

2008/07/11

VOX POPULI





"Tal como o presidente da Câmara disse um dia destes, as crianças da Quinta da Fonte são felizes. Para esse bairro não se torna, portanto, necessário levar os honestos palhaços para lhes elevar a felicidade. (Alguém duvidou da honestidade do trabalho dos palhaços?). As crianças são felizes não só porque o Sr. Silva lá foi visitá-las mas também porque têm filmes de gangs ao vivo, a cores, em alta definição, com sangue verdadeiro. Tudo isto sem ter que pagar TV por Cabo ou jogar jogos Playstation violentos. Para ser feliz alguém precisa de mais? Precisa concerteza. O sr. presidente (neste caso o da Câmara) é que não sabe. Do que, seguramente, não precisa é das atitudes a roçar a xenófobia que autarcas do seu partido têm manifestado e um assobiar para o lado. O sr. presidente gostava mesmo era de se ver livre deles não era? Vá lá, confesse."
Comentário deixado no Palácio, imagem retirada do sítio do Público

PROJECÇÃO MEDIÁTICA DE LOURES



- É pá, ouviste aquela notícia sobre Loures?
- Ouvi. Parece que gamaram o multibanco do Tribunal!
- Não pá. Aquela do festival…
- Pois é… Ouvi sim. Houve lá um festival de pancadaria e tiros na Quinta da Fonte.
- Pois foi pá. Aquilo está bera.

SOBRE A INSEGURANÇA, HÁ PROPOSTAS CONCRETAS HÁ MAIS DE UM ANO




O clima de insegurança em algumas zonas do concelho de Loures é uma constante. A desvalorização deste fenómeno feita pela Câmara, em especial pelo seu Presidente, tem sido um entrave à tomada de medidas concretas, que obviem o problema.
Recentemente, com grande pompa e circunstância, o Presidente da Câmara e o Ministro da Administração Interna, organizaram uma cerimónia de lançamento da primeira pedra da Esquadra de Camarate. Meses depois, em entrevista à Loures TV, o Presidente da Câmara Municipal foi surpreendido pelo entrevistador que lhe disse que a única pedra da esquadra continuava a ser a primeira e que a obra estava abandonada. Este facto é revelador de dois aspectos; quer o Governo, quer a Câmara, governam para o fogacho mediático e a Câmara possui um acompanhamento nulo em relação aos problemas mais sérios.


Os recentes acontecimentos na Quinta da Fonte, dão de novo visibilidade à questão. Seguir-se-ão as declarações do costume, mas o que realmente falta são acções concretas e imediatas.

Repesco para a primeira página um texto sobre este assunto, escrito em Março deste ano, que ajuda a enquadrar e a perceber o contexto da inacção referida.



"Em Março de 2007, fez ontem um ano, os vereadores da CDU apresentaram uma proposta na reunião da Câmara de Loures que, face ao preocupante aumento da criminalidade naquele concelho e particularmente na Freguesia da Apelação, visava a cedência de instalações para um destacamento da PSP no Bairro da Quinta da Fonte, sem prejuízo da construção da prevista esquadra de Camarate, o pedido de uma reunião com o ministro da Administração Interna, para que aquele destacamento fosse dotado dos necessários meios humanos e ainda para que fosse constituído um grupo de trabalho multidisciplinar, para avaliar a situação e apresentar um plano de intervenção capaz de responder aos problemas de integração social de grande parte dos moradores do já referido Bairro da Quinta da Fonte, local onde os problemas de insegurança eram mais sentidos. A maioria socialista rejeitou, sem apelo nem agravo, esta proposta. Em Junho, e perante um crime em que um jovem foi assassinado, a Comissão Concelhia do PCP lançou um apelo às populações do concelho, particularmente daquela freguesia, e de Camarate para que se mobilizassem em defesa da sua Segurança. Não era, como não podia ser, nenhum apelo à autodefesa, mas antes um alerta para a necessidade de, face à intolerância do Governo e do Município de Loures, as populações exigirem medidas de facto para enfrentar decididamente este problema. Em Maio, o deputado do PCP António Filipe chamava a atenção para o facto de o Relatório de Segurança Interna de 2006 apresentar, não só um aumento da criminalidade, contrariando os dois anos anteriores, mas também para o facto de esse aumento ter, nas áreas urbanas de Lisboa, Porto e Setúbal, valores superiores à média nacional. Estamos hoje, de novo, confrontados com notícias de violência. Casos pontuais mas que, pelo seu impacto mediévico, preocupam e alarmam as populações. Importará portanto assinalar dois aspectos. O primeiro é o de que estes índices de criminalidade não estão desligados do aumento das dificuldades das populações, do desemprego, das injustiças sociais, das bolsas de pobreza, que contrastam com a opulência dos lucros do capital financeiro e, em particular da banca. Eles são um dos sintomas do fracasso desta política que empurra para o desespero largas camadas da população. Eles são um cabal desmentido do fausto com que o PS tentou comemorar os seus três anos de governo. O segundo é o de que estes problemas não se resolvem sem mais meios e mais agentes na rua, próximos das populações, em contacto com as diversas realidades. Estamos hoje a pagar o preço das superesquadras, da concentração de efectivos, em que o PS insiste, do desinvestimento e da falta de meios. É necessário que o Governo e o Município de Loures escutem as propostas apresentadas. Ali e em inúmeras outras localidades do país. Enquanto é tempo."

João Frazão , Dirigente do PCP, o texto fora originalmente publicado no Jornal de Notícias

2008/07/10

O PRESIDENTE DA CÂMARA NÃO ACREDITA NA EXISTÊNCIA DE PEDINTES, MAS QUE OS HÁ, HÁ!




Na reunião da Assembleia Municipal de Loures, que se realizou ontem cá no Palácio, o Presidente Carlos Teixeira afirmou que não havia pedintes em Loures. A afirmação foi feita no contexto do debate sobre o estudo sobre a pobreza infantil no concelho. Deste modo, tentou o Presidente desvalorizar os sinais de alerta sobre o empobrecimento generalizado da população de Loures, como do resto do país, percebendo-se que Carlos Teixeira só reconhecerá o problema quando estivermos todos a pedir nos passeios da cidade.

Mas a afirmação revela ainda outra coisa. Revela que o Presidente tem andado demasiado distraído, porque no seio do seu executivo já existem vários pedintes.

A situação mais grave é a do Vereador João Galhardas, que tem pedido a todos os santinhos e ao Deus que lhe valha, para que o deixem continuar a ser vereador, que a Distrital do PSD continue a gostar dele, que o Teixeira se lembre dele na formação das próximas listas do PS, nem que para isso tenha de arranjar uma peruca loura e entrar pela quota das mulheres. Voltar a uma vida de contagem de trocos numa qualquer dependência bancária é que não.

Os Vereadores, João Pedro Domingues e Borges Neves pedem em desespero, que o Presidente da Câmara fale o menos possível sobre o que quer que seja. As reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal estão a tornar-se mais perigosas que uma ida ao consultório do professor Bambo. Nesta última, a sodomização é uma possibilidade, nas primeiras, tem sido uma constante.

O Vereador Ricardo Leão pede que lhe ofereçam todos os livros do Peter Pan, para perceber como se pode manter para sempre jovem, porque esta foi a única vantagem competitiva que lhe garantiu um lugar nas listas do PS e no Executivo Municipal, mas o tempo tem estado a resolvê-la e outras qualidades não se revelaram.

O Vereador António Pereira também pede, pede muito e esforça-se a pedir, mas sem sucesso, porque nunca se percebeu nada do que ele pede.

2008/07/09

ASSALTARAM O TRIBUNAL DE LOURES?!


Assaltaram o Tribunal de Loures esta madrugada e roubaram a Caixa Multibanco que se encontrava no átrio. Para o Presidente da Câmara tal não deve querer dizer que exista um problema de segurança em Loures, porque provavelmente os larápios eram de fora!