2008/04/10

Сергей Васильевич Рахманинов





Sergei Vasilievich Rachmaninoff (em russo: Сергей Васильевич Рахманинов, viveu até 1943. Foi um compositor e pianista russo. Aprendi que foi um compositor romântico. Independentemente de tudo o que ainda não sei, sei que lhe devo parte do meu gosto pela música clássica e toda a minha atracção pelo piano.

2008/04/07

QUE A CHINA SE LIBERTE




Temos tido os dias animamos pela fuga da chama olímpica até Beijing. As imagens são degradantes, cidadãos tentam desesperadamente interromper os percurso da tocha que percorre as maiores cidades do mundo. Fazem-no por protesto contra a soberania da China sobre o território do Tibete. Os manifestantes acusam a ditadura chinesa de oprimir o povo tibetano e de violar e reprimir a sua herança cultural específica. Por cá deu mesmo entrada uma Petição sobre o tema na Assembleia da República.

Claro que falar hoje de herança cultural, não significará para ninguém o retorno ao Tibete de 1950. Nem sequer alguém se lança sobre a chama olímpica exigindo que no Tibete se restaure um Estado Feudal, onde a população se dividia entre servos, escravos e uma elite clerical ociosa e cruel. Nenhum dos manifestantes defende a reintrodução das punições tradicionais, que passavam pela amputação de membros e pelo cegamento. Talvez sejam poucos os manifestantes a reivindicar a restauração de uma Teocracia. Aquando da ocupação do território pelo exército popular chinês, o Tibete não tinha um estatuto internacionalmente reconhecido.A difusão das filosofias e religiões orientais no ocidente ajudaram a criar no imaginário ocidental a imagem de uma sociedade, de um povo e um tempo edílico, perfeito e harmonioso. Nada disso existia no Tibete.
Efectivamente, a soberania da China sobre o Tibete a partir de 1949 resultou numa extraordinária melhoria das condições materiais do povo tibetano. Essa melhoria implicou o desmantelamento de uma estrutura tradicional de poder exercido pelos monges organizados em mosteiros, que funcionavam à imagem das estruturas religiosas medievais da alta idade média na Europa. Cerca de 2% da população do Tibete pertencia a essa classe alta e mais 3% eram seus funcionários, encarregados, mordomos, gerentes das propriedades e oficiais dos exércitos privados. A ger-ba, uma minúscula elite de cerca de 200 famílias, governava no topo do sistema. Han Suyin escreveu: “Apenas 626 pessoas possuíam 93% de toda a terra e riqueza e 70% de todos os iaques do Tibete. Entre essas 626 pessoas estavam 333 dirigentes de mosteiros e responsáveis religiosos e 287 autoridades laicas (incluindo nobres do exército tibetano) e seis ministros do governo”.
Curiosamente, hoje a agenda em torno do Tibete faz-se com o recurso a conceitos completamente desconhecidos dos Tibetanos há 50 anos! Democracia, Direitos Humanos, Autodeterminação e Auto-governo conseguem ter eco no Tibete como resultado de 50 anos de secularização e consequente diminuição da influência das elites monásticas, modernização das estruturas socio-económicas e abertura ao ocidente por via da soberania chinesa. Talvez a China tenha já cumprido o seu papel histórico no Tibete. Seja qual for o futuro do Tibete, já não será o arcaico Tibete.
Neste ponto, a questão tibetana é acessória. Espanta-me que os protestos contra a China se tenham reduzido ao estatuto do Tibete. O próprio Dalai Lama não coloca a independência do Tibete em cima da mesa. Aflora o problema na sua dimensão cultural. Exige o respeito pelas tradições religiosas e culturais dos Budistas tibetanos. Essa mesma reivindicação pode ser alargada a muitas outras minorias culturais, religiosas e étnicas em toda a China. Mas espanta-me sobretudo porque a questão de fundo na China é o seu actual modelo de desenvolvimento económico e político. A China, malgrado a sua especificidade cultural, é hoje uma potência económica, que se organiza num modelo de Capitalismo de Estado num sistema político ademocrático. Os trabalhadores chineses não têm direitos sindicais, nem políticos. A economia chinesa não observa quaisquer padrões ambientais, sociais e políticos no seu modelo de desenvolvimento.
Esse modelo funesto, que muito tem aproveitado aos interesses económicos de “respeitadas e consideradas” multinacionais e de muitos Estados Ocidentais é que deveria ser alvo de contestação por parte dos cidadãos europeus. O trabalho feito pelos trabalhadores chineses, sem quaisquer garantias sociais e materiais, não aproveita a esses trabalhadores, nem aos trabalhadores das sociedades socialmente mais justas. Sobre estes recai a constante pressão da concorrência desleal e das deslocalizações de empresas e actividades produtivas.Se se pode ter tempo de antena sobre a China, que se aproveite esse espaço para exigir reformas socais e económicas, não as capitalistas, que mais não visam que uma porta aberta na China para a exploração de mão-de-obra barata, mas as que assegurem uma elevação dos padrões sociais e económicos dos trabalhadores chineses e a conquista de direitos cívicos, políticos e sindicais.Relevante seria que a China se libertasse e logo se libertaria o Tibete!
Actualização

“Vários membros do Comité Olímpico Internacional (COI) estão insatisfeitos com os recentes acontecimentos relacionados com a passagem da tocha por Londres e Paris. Dizem que a imagem do movimento olímpico saiu prejudicada, podendo acabar por decidir a suspensão da estafeta internacional da tocha.”
Independentemente das razões dos manifestantes e das questões relativas à China, o JO são uma manifestação desportiva mundial, não se reduzindo ao país que os acolhe. Se o COI decidir no sentido indicado pela notícia, contribuirá para a redução do espírito olímpico à política no pior que ela tem. Os protestos não são contra os JO. Os protestos são contra a política chinesa no Tibete, facto em si bastante redutor do problema chinês. Com tanto ruído, no fim não ganhará nada o Tibete, perderá o espírito olímpico, perderão os chineses e continuarão a ganhar as multinacionais e os seus estados associados. O endurecimento da política chinesa aproveitará aos mesmos de sempre. O Comité Olímpico Internacional dever-se-ia colocar acima dos protestos, valorizando os JO e os seus objectivos enquanto momento de concórdia, diálogo e paz.

FLASH GORDON



ACENDEI UMA VELA


2008/04/04

DEPOIS DAS CHEIAS, ABATEM-SE SOBRE LOURES MAIS NOVE PRAGAS






















Mais uma vez os pequenos espíritos dedicaram-se ao comentário da superficialidade das palavras, não conseguindo ver mais além. Desculpe-me Marquês, mas nem você, que tem relações com o lado de lá da existência, percebeu o messianismo das palavras do Presidente da Câmara na última reunião da Assembleia Municipal.

A liminar frase “As cheias não se podem evitar” encerra um sentido mais profundo, teológico, messiânico e, direi mesmo, apocalíptico.

As cheias são apenas a uma das 10 pragas que se abaterão sobre Loures e que serão impossíveis de contrariar. Ao descodificar o sentido profundo das cheias, o Presidente da Câmara, assumiu o seu papel de profeta. Difíceis são os tempos que se aproximam. Não tentem em vão contrariar os desígnios do senhor. Se ele nos envia a provação, só nos resta aceitá-la com humildade, resignação e agradecimento. Só temos de aceitar aquilo que nos é enviado, se não percebermos o porquê, a falha só pode ser nossa. Palavra do Senhor!

1. As águas do Trancão tingir-se-ão de uma cor ainda por definir, porque tudo depende do tipo de ração fornecida nas suiniculturas de Mafra.

2. Rãs cobrirão a terra, abandonando de vez a intoxicação das águas do Trancão e dos seus afluentes, espalhando-se por todo o Concelho.

3. Mosquitos multiplicam-se, em especial o temível assessore otiosu.

4. Moscas, bicho que se dá bem com o aumento das substâncias fecais, proliferam, esperando que qualquer mudança deixe tudo na mesma.

5. Uma peste atingirá os animais, acabando de vez com a promessa da propagação de hipódromos no Concelho.

6. Pústulas cobrirão os homens. O cada vez maior incómodo causado pelo aumento dos mosquitos e das moscas aumentará a irritação dos habitantes de Loures.

7. Nuvem de Gafanhotos abater-se-á sobre a zona rural de Loures. Os gafanhotos, também conhecidos por Patos Bravos, esperam a alteração do PDM para mostrarem a sua voracidade.

8. A escuridão encobrirá algumas zonas por três gerações, onde os habitantes passarão a viver à sombra de imponentes edifícios.

9. Os primogénitos começam a não ter lugar na Administração Municipal, o que provocará lutas fratricidas nas quais muitos perderão a vida.

2008/04/03

OU ISSO, OU FOI MESMO AVISTADA UMA VACA DO ESPAÇO




Luís Filipe Menezes visitou esta manhã a Quinta do Mocho. Acalentado pela recepção dos locais, que recebem sempre bem, entusiasmou-se e começou a divagar sobre as metas políticas do PSD para o Concelho de Loures. Ganhar em 2009! Não é reforçar, não é tornar-se a segunda força política em Loures, é mesmo ganhar. Mas não é só Loures. É Loures, Odivelas, Amadora e creio que Olivença.
Durante a visita criticou a política do betão desenfreado deste Governo, coragem de quem foi financiado pela Somague e condenado por isso. Falou numa coisa que é a «Cidade solidária!», mas que espremido deve ser um daqueles conceitos ocos que só servem para dar alguma consistência ao reportório do artista.
Não sei qual foi o PSD de Loures a acompanhar a visita, e fico também sem saber qual dos dois é que vai ganhar as eleições.
Em boa verdade, creio que estas declarações resultam da manhã inesperadamente quente.

NA CASA DO VIZINHO VII


Informação ou desinformação?

A imagem acima é da capa de um "livrinho" que a Câmara de Loures anda a distribuir, supostamente para informar que num futuro (incerto) em Sacavém se viverá melhor. Sugere-nos o Sr. Presidente da Câmara no seu artigo de abertura que estaremos perante "Sacavém, uma nova cidade a (re) nascer". À parte o confuso trocadilho, releva a ideia que a brochura pretende transmitir que as obras da Avenida Estado da Índia farão "(re) nascer" a Cidade.

Se o Sr. Presidente pensa francamente o que diz, cabe-me adverti-lo de que está a forjar e a cair no seu próprio logro. Bem sabemos que não morre de amores por Sacavém, pela zona oriental do Concelho e muito pouco conhece desta zona do Município que dirige, mas talvez por isso devesse ser mais rigoroso e contido.

Se o que está é a fazer de conta para convencer eleitor, então compreender-se-á melhor que queira fingir que uma mera obra - com muitos meses de sacrifícios para muitos sacavenenses e outros utentes da Cidade e excessivamente cara - mudará a face de Sacavém e lhe dará por si só uma nova dinâmica e vida melhor.

Creio que o que Sacavém precisa para uma vida melhor, é, infelizmente, bem mais do que uma catastrófica obra pública. A obra qualificará a zona, não duvido, mas está longe, muito longe de trazer uma nova vida.

Note-se que até a própria obra - para além do "alindamento" e algum benefício para o estacionamento - resultará muito pouco em termos viários e de acessibilidade de e para a Cidade. Em termos gráficos, diria que esta obra, feita assim, transforma a Avenida Estado da Índia numa "chouriça": um percurso curvo e largo, atado nas pontas. Numa ponta a ponte sobre o Rio Trancão que faz um "atilho" e na outra ponta, o atilho é garantido pela entrada na Portela junto aos "ferros-velhos".

Acabem lá a obra, é bem vinda, mas não nos digam que é para trazer uma vida nova. Uma vida nova poderia vir, conjugando outras acções com a obra. Por exemplo, evitar a urbanização do antigo quartel e dar espaço e respiração à Cidade, abrir o acesso à 2ª circular, dinamizar um projecto de urbanismo comercial, retomar o Plano de Salvaguarda de Sacavém, definir e desenvolver uma política cultural e de salvaguarda do património, conferir dimensão desportiva à Cidade. São apenas alguns aspectos que, estes sim, mudariam a face de Sacavém.



A propósito de acabar a obra, conviria que o "livrinho" - que curiosamente não tem data de edição (coisa que nunca tinha visto em publicações da Câmara Municipal de Loures) - tivesse sido uma fonte fidedigna de informação e não uma comprovada fonte de desinformação. Para além do que já referi, veja-se o que nos é dito a propósito do Quartel dos Bombeiros. Reproduzo as imagens e as datas, para que cada um o confirme:

Eis pois que o instrumento de comunicação que vimos referenciando, distribuído no início do ano e se calhar para distribuir por bem mais tempo (até às eleições, já que não tem data?), nos garante a conclusão do Quartel dos Bombeiros no primeiro trimestre de 2008. O primeiro trimestre esgotou-se com o dia 31 de Março e não há ainda a mais pálida ideia de quando estará concluída a infra-estrutura.
É provavelmente mais um exemplo documentado, da ténue fronteira entre a obrigação de informar - que as autarquias têm - e a propaganda em que insistem dos seus supostos "grandes feitos".
E a questão é: informação ou desinformação?

Texto retirado de Lingua de Perguntador

2008/04/02

JÁ NÃO É MAU. É MESMO DO PIOR!



“Há uma directiva comunitária que diz que as cheias não se podem evitar.” Carlos Teixeira, Presidente da Câmara Municipal de Loures.

Poder-se-á resumir a esta frase toda a contribuição do Presidente da Câmara Municipal de Loures no debate sobre as cheias, que se realizou ontem neste Palácio. Não teve uma ideia, não apresentou um único projecto. Apenas informou, que qualquer bem que um lesado tivesse perdido nas cheias, só poderia entrar em contas de prejuízo se tivesse sido comprado pelo próprio. Bens oferecidos, não são propriedade de quem os recebe, logo não são perdas. Não obstante o delírio do Presidente da Câmara ter provocado sorrisos constantes e uma ou outra gargalhada. A maioria que o apoia continua a louvá-lo e a incentivá-lo. Pelo caminho enviou os comerciantes de Sacavém bater à porta do QREN.

- Força Carlos. Estás à beira do abismo. Dá-lhes que em frente é que é o caminho!

2008/03/31

O ÚLTIMO A SABER



O mais interessante nesta notícia é o facto de a mesma indicar que as restrições incidem sobre os municípios por onde passará o TGV e onde já existe uma boa definição dos corredores a utilizar. Neste grupo está incluído o Município de Loures. Isto torna ainda mais caricato o facto de o Presidente da Câmara continuar a dizer que não tem a mais pequena ideia do ou dos traçados possíveis. Será, como sempre, o último a saber, ou a procurar saber!

Governo decreta medidas restritivas ao uso do solo em 24 concelhos

"O governo considera, segundo o Diário da República publicado quinta-feira, “absolutamente necessário” aplicar as medidas restritivas ao traçado “entre Lisboa e Vila Franca de Xira, Alenquer e Pombal, e Oliveira do Bairro e Porto”, justificando o “risco real de ocorrência de alteração do uso do território” e a possibilidade de “torná-la mais difícil e onerosa”.
O decreto restringe o uso do solo, no corredor projectado no traçado preliminar para o TGV, em 24 concelhos - Porto, Vila Nova de Gaia, Espinho, Santa Maria da Feira, Ovar, Oliveira de Azeméis, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Oliveira do Bairro, Pombal, Leiria, Marinha Grande, Alcobaça, Porto de Mós, Caldas da Rainha, Rio Maior, Azambuja, Cadaval, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Vila Franca de Xira, Loures e Lisboa. Excluído das medidas fica “o traçado compreendido entre Vila Franca de Xira e Alenquer, e Pombal e Oliveira do Bairro, já que o estado dos trabalhos em curso ainda não permite, com o necessário grau de detalhe, proceder à delimitação das áreas a abranger”, refere o Diário da República. De acordo com o decreto, que hoje entra em vigor, a “criação de novos núcleos populacionais, incluindo operações de loteamento”, a “construção, reconstrução ou ampliação de edifícios ou outras instalações” e a “instalação de explorações ou ampliação das já existentes” ficam sujeitas a “parecer prévio vinculativo da Rede Ferroviária Nacional” (REFER). À semelhança de “alterações importantes, por meio de aterros ou escavações, à configuração geral do terreno”, ao “derrube de árvores em maciço” e a “destruição do solo vivo e do coberto vegetal”. Segundo o governo, “os prejuízos resultantes da prática dos actos (…) referidos são social e economicamente mais relevantes do que os danos que das medidas preventivas ora estabelecidas poderão, eventualmente, resultar”.
Do decreto consta ainda a identificação das áreas afectadas pelas medidas preventivas, definidas nos “traçados preliminares da ligação entre Lisboa e Porto da rede ferroviária de alta velocidade”, e que podem ser consultados pelos interessados na REFER, Comissões de Coordenação do Desenvolvimento Regional (CCDR) e municípios abrangidos. As medidas restritivas para a construção do TGV devem “ser tidas em consideração na elaboração, alteração ou revisão de todos os instrumentos de gestão territorial com incidência nas áreas delimitadas”, prossegue o documento. A REFER e as CCDR ficam responsáveis pela fiscalização das medidas restritivas decretadas, o Governo indica que “as obras e os trabalhos efectuados com inobservância” das mesmas “podem ser embargados ou demolidos”, para repor a situação actual e “imputando-se os respectivos encargos ao infractor”. “Sem prejuízo dos poderes de tutela da legalidade urbanística legalmente atribuídos ao presidente da câmara municipal, a competência para ordenar o embargo, a demolição ou a reposição da configuração do terreno cabe à REFER, EP, e à comissão de coordenação e desenvolvimento regional territorialmente competente, podendo cada uma das referidas entidades exercê-la isoladamente”, salienta o decreto. "

2008/03/29

IR PRÓ MANETA


Nem durante as Invasões Francesas este Palácio conheceu tamanha destruição. Lembrei-me das invasões, porque ao olhar para o estado em que as cheias de Fevereiro me deixaram o Palácio, estado registado pela objectiva de um passante, exclamei um “Foi mesmo tudo para o maneta”.
É uma curiosa expressão que se conserva na tradição oral portuguesa. Quantos já se terão questionado sobre a sua origem? Como a maioria das expressões idiomáticas, também esta sobrevive por si mesma, há muito desligada da sua origem.

Não foi só o Palácio que foi para o maneta, também muitas das pessoas afectadas pelas cheias viram a sua vida ir para o respectivo. As medidas de apoio anunciadas revelam-se pensos diminutos face a tão grandes chagas. Muitos dos estabelecimentos afectados estão ainda encerrados por impossibilidade dos seus proprietários. A linha de apoio criada pelo Município terá um impacto residual perante a dimensão dos prejuízos. O governo demonstrou um desprezo extraordinário pelas populações afectadas ao não decretar medidas de excepção para as zonas efectadas. A Câmara Municipal revela-se totalmente incapaz de ouvir e reavaliar as suas acções, sobretudo no que respeita à urgência das medidas preventivas. Não sendo profeta da desgraça, digo, ainda muito irá para o maneta, se se mantiver a actual ocupação!

O tal Maneta já morreu há muito tempo. Na primeira campanha francesa em Portugal, o General Andoche Junot veio acompanhado de um outro General, cuja marca cruel vive hoje nesta expressão. Louis-Henri Loison, General francês de apenas 36 anos, chega a Portugal trazendo um currículo preenchido pela participação nas mais importantes campanhas francesas por toda a Europa.

Um ano antes de chegar a Lisboa, Loison foi vítima de um acidente de caça que resultou na mutilação do seu braço esquerdo. Essa mutilação retira-lhe o comando da sua divisão, mas acaba por chegar a portugal integrado no contingente liderado por Junot.

Por todo o país se instalaram focos de resistência e guerrilha à ocupação francesa. Foi no combate a essa resistência, em especial na sua brutalidade, que o jovem General francês granjeou a fama que o adágio popular conservou até hoje. Os levantamentos populares incendiaram o país e destabilizaram o esforço de ocupação. Neste contexto, Loison destacou-se pelo seu papel repressivo. O ódio gerado pela figura era de tal ordem, que os restantes oficiais franceses temiam ser confundidos com ele, receando a reacção popular.

Ascende ao cargo de chefe da “polícia política” francesa em Lisboa e espalha o terror entre as populações lisboetas e dos arredores. Os seus métodos implicavam a tortura, a pilhagem, as execuções sumárias e os roubos. Os seus homens dispunham de total liberdade para a prática de todas as arbitrariedades. O país odiava-o e temia-o. A sua passagem por quaisquer vila, cidade ou lugar era sinónimo de destruição e humilhação.

O Maneta, como o povo o tratava, deixou marcas profundas num país humilhado, sem rei nem governo, e que viria a ver o governo militar francês ser substituido pelo governo militar inglês. Entre nós, ficaria para a posteridade a memória do general “Maneta”, o vilão francês sem escrúpulos, para o qual tudo ia e tudo se perdia. Daí que, ainda hoje, “vá tudo prò Maneta”, na gíria nacional está claro.

A sua fama chegou à poesia popular:
.
"Entre os títeres generais
entrou um génio altivo
que ou era o Diabo vivo
ou tinha os mesmos sinais...
.
Aos alheios cabedais
lançava-se como seta,
namorava branca ou preta,
toda a idade lhe convinha.
Consigo três Emes tinha:
Manhoso, Mau e Maneta."
#
"Que generais é que devem
morrer ao som da trombeta?
Os três meninos da ordem:
Jinot, Laborde e Maneta.
.
O Jinot mai-lo Maneta
julgam Portugal já seu:
É do demo que os carregue
e também a quem lho deu."

2008/03/27

THE FLYING CLUB CUP


Por conselho de um visitante e para satisfação do Secretário, partilha-se a The Flying Club Cup.

2008/03/25

ASSIM, SIM!


Clicar na imagem para ampliar.

UM APELO À AUTO MOTRIZ




A edição de hoje do Diário de Notícias incluía uma publicação sobre o Poder Local, uma espécie de guia elementar, que como todas as publicações especiais, também esta é em parte suportada pela venda de espaços publicitários a anunciantes. Entre os muitos anúncios publicados a minha atenção recaiu sobre o anúncio de página inteira da AUTO MOTRIZ, uma empresa que se dedica ao comércio e manutenção automóvel em Sacavém.

Sob o título “A Auto Motriz faz o seguinte apelo", a empresa faz publicar seis parágrafos, que desdobram o apelo anunciado em seis, onde se fala de tudo menos da venda de viaturas, novas ou usadas. Neste anúncio, os responsáveis da empresa entendem dissertar sobre vários assuntos de interesse político e social. Jamais comentaria um anúncio de venda de automóveis se ele não fosse sobre tudo menos isso mesmo.

O primeiro apelo é dirigido aos Media, para que se abstenham de destacar “notícias negativas", que “não enaltecem a população portuguesa nem contribuem para o seu orgulho”. Este primeiro apelo recorda-me o conceito marcelista de direito à informação. Marcelo Caetano também entendia que só deveria ser levado ao conhecimento do público aquilo que fosse do seu interesse, sendo claro que alguém deveria velar pelo cumprimento desse interesse. A liberdade de imprensa é um valor democrático inquestionável, que enquadrado por normas legais e éticas, presta um serviço insubstituível à democracia. Sempre que se tentou domesticar a liberdade de imprensa em nome de interesses “superiores” da nação acabou-se invariavelmente na arbitrariedade e na negação dessa mesma liberdade.


Noutro parágrafo, os proprietários da Auto Motriz apelam aos laboratórios que apoiem as “famílias carenciadas que não têm condições de comprar os medicamentos (...)”. O direito à saúde dos cidadãos deve depender de um sistema nacional de saúde público, que assegure em condições de igualdade o acesso de todos os cidadãos aos cuidados médicos. Esse direito, consagrado constitucionalmente, não deve estar dependente da vontade caritativa de entidade nenhuma, mesmo os laboratórios. Se as práticas laboratoriais forem lesivas do interesse público e dos cidadãos, deve ser exigido ao Estado uma intervenção no âmbito das suas competências reguladoras.

A Auto Motriz (lembra) “aos portugueses que é extremamente difícil governar uma nação com dez milhões de habitantes, onde cerca de três milhões são estudantes não contribuintes, três milhões sãos reformados não contribuintes e um milhão são imigrantes em que parte do seu salários são enviados para os seus países de origem.” Mais uma vez os responsáveis da Auto Motriz recuperam uma máxima salazarista, “Se todos soubessem como é difícil governar, todos gostariam de obedecer.” Difícil é viver num país onde os direitos ganhos durante uma vida de trabalho vão sendo retirados aos pensionistas por sucessivos governos que teimam em fazer perigar o sistema nacional de segurança social, empurrando os pensionistas para as caridades acima referidas. Difícil é viver num país onde o sistema de educação serve para cumprir estatísticas e não para formar cidadãos. Difícil é viver num país onde os imigrantes são utilizados por empresários sem ética.

Mas mais enigmático é o apelo que aparece destacado no anúncio pago pela Auto Motriz, “Apelamos a todos os partidos políticos que trabalhem em conjunto, não separados e que não debatam publicamente sobre determinadas questões quando estas devem ser discutidas dentro de um gabinete. Visto os políticos sãos os pais dos portugueses, os pais exemplares não discutem em frente dos seus filhos.” De todos os apelos que os responsáveis desta empresa entenderam por bem fazer, este é o mais bolorento de todos. Os partidos políticos corporizam projectos diferentes de sociedade, defendem caminhos específicos para ultrapassar problemas concretos e têm estratégias diferentes para alcançar o bem comum. A essência da democracia é o debate público dessas diferenças. Aos cidadãos, depois do conhecimento dessas diferenças, é dada a palavra final. Nenhum cidadão deve encarar os políticos como “pais dos portugueses”. Esse paternalismo bacoco imperou durante quase 50 anos de ditadura com os resultados conhecidos. Ao contrário dos pais, os políticos devem ser aferidos, criticados, avaliados, e por fim, confirmados ou removidos. É a democracia! Por outro lado é cada vez mais necessário que as decisões políticas, em especial os processos que as sustentam, sejam públicas e publicitadas. É fundamental que os cidadãos, não só conheçam, como tenham oportunidade de intervir a cada momento nesses processos. Por essa razão já existem múltiplos mecanismos de consulta e debate, desde a Assembleia da República até às autarquias locais.

Por fim, faço um apelo aos responsáveis da Auto Motriz, que só conheço destas linhas. Acredito que a decisão de publicar estes apelos tenha sido a melhor e que ela possa traduzir uma real preocupação com a situação actual do país e também uma preocupação com as dificuldades que muitos cidadãos têm hoje. Porém, nem a forma nem o conteúdo foram os melhores. Seria interessante poder aferir a prosa com a realidade. A Auto Motriz tem, enquanto empresa, um vasto campo de responsabilidades sociais próprias. Publique, quando entender oportuno, um anúncio que dê a conhecer o seu bom exemplo. Diga que emprega não sei quantos trabalhadores, aos quais são garantidos todos os direitos laborais. Diga que tem uma política de empresa que garante aos seus trabalhadores uma condição material acima da média. Diga que os seus trabalhadores beneficiam de acções de formação e valorização profissional. Diga que os trabalhadores têm todos os seus direitos assegurados, nomeadamente os sindicais. Diga que essa empresa desenvolve práticas activas de conciliação da vida familiar com a vida profissional. Diga que essa empresa emprega imigrantes em pé de igualdade com os cidadãos nacionais e que esses não são utilizados como mão-de-obra barata. Diga que essa empresa tem uma prática solidária através do apoio a instituições de solidariedade na zona onde desenvolve a sua actividade. Se disser tudo isto, mas sobretudo se o fizer, já está a contribuir muito para a melhoria da sociedade portuguesa, muito mais do que aquilo que fez com a publicação deste inenarrável texto.

2008/03/22

CPCJ LOURES




A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Loures tem apresentado o seu relatório periódico à Assembleia Municipal?



Ou o Carlos Teixeira tem-se esquecido desse assunto?



Será porque em Loures não existem crianças e jovens em risco?

CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO




O CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE LOURES, presidido por Carlos Teixeira, não reúne desde a Primavera de 2007.
Esta ausência de reuniões dever-se-á ao facto da Educação não ser um tema de interesse nos dias que correm e talvez porque em Loures está tudo a correr bem.

Ou será porque o Presidente da Câmara Municipal de Loures, eng. Carlos Teixeira, não pesca nada do assunto?

E será que na Assembleia Municipal não haverá ninguém que pergunte ao Presidente da Câmara Municipal de Loures, eng. Carlos Teixeira, porque não cumpre a lei ao não convocar o Conselho Municipal de Educação, pelo menos uma vez por período escolar? ( Já falharam 3).

ONDES ANDAS TU MARILU?

Há 123 parágrafos, 467 linhas, 3 377 palavras, 17 621 caracteres sem espaços e 20 957 caracteres incluindo espaços que os palacianos não escrevem sobre o Carlos Teixeira.