2007/07/11

SÃO TIAGO E AOS MOUROS



São Tiago (maior), também designado, após várias corruptelas e aliterações, por Santiago, foi um dos apóstolos de Cristo e terá morrido na primeira metade do Século I. Este santo tornou-se particularmente popular entre os povos cristão na Península Ibérica, estando associado às batalhas da reconquista cristã mediante múltiplas lendas, que remetem para uma intervenção sobrenatural deste santo.
Durante os primeiros séculos, São Tiago foi o padroeiro dos exércitos português e castelhano, sendo substituído em Portugal por São Jorge após a crise de 1383/85. Apesar do Castelo de Lisboa ter tomado o nome de São Jorge, a Freguesia do Castelo continua ainda a ostentar o nome de Santiago.
Pequena introdução para umas breves palavras sobre um dos frequentadores do meu Palácio, entenda-se o dos Marqueses, eleito do PS, porta-voz do grupo de eleitos na Assembleia Municipal, ou como o próprio gosta de designar, Grupo Parlamentar (!), Tiago Abade. Santinho por nome próprio e apelido. Este eleito é um rapaz novo, seguramente com um futuro promissor na já consagrada carreira política. Terá passado pelas fileiras da JS, local onde aprendeu os valores da tolerância e adquiriu bom-senso, património comum a todas as Juventudes Partidárias, refira-se em abono do rigor. Neste mandato, recaiu-lhe sobre os ombros ser o “líder” dos eleitos do seu partido nesta casa. Também não era necessária grande escolha, uma vez que a maioria absoluta de que dispõe, assegura-lhe a rede necessária à sua actuação. Pode pendurar-se no trapézio, saltar de liana em liana, ensaiar o engolimento de fogo, espadas, pregos ou outras substâncias ou objectos potencialmente agressivos para si, para entretenimento dos presentes, que no fim tudo se compõe. Não era necessário alguém com especiais capacidades de liderança, oratória ou de mediação, porque o amorfismo do PS e a sua absoluta maioria tornam estes atributos dispensáveis.
À primeira vista não parece caso de maior. Pois não seria, não tivesse este jovem imbuído de um espírito de cruzada, que faz com que toda a sua intervenção na Assembleia Municipal se revista de uma arrogância descabida. Mas pior, é o que resulta de, nas actuais circunstâncias, o meio que o envolve não lhe permitir desenvolver a noção do ridículo, nem a virtude da autocrítica.
Por mais despropositadas que sejam as suas intervenções, elas tendem a ganhar mais elogios dos seus pares, quanto mais forem acintosas, ofensivas ou demagógicas. Este jovem aprendiz de feiticeiro teve azar, no momento fundamental para o desenvolvimento e consolidação das suas qualidades e virtudes, quis o destino, que se visse envolto num meio muito pouco propício a tal. Apesar de as suas intervenções provocarem frequentemente reacções de júbilo entre os seus, se atentarmos ao conteúdo das mesmas, percebemos que esse júbilo se aproxima mais do Coliseu romano do que da Ágora ateniense. Junto dos adversários provoca frequentemente o sorriso. Não que se riam com ele, mas sim, quase sempre, se riem dele. Disto devia ser avisado.
O seu espírito de cruzada não se justifica. A falta de respeito pelas ideias e posições dos outros denotam pouca clarividência e menor inteligência.
Atrevo-me a propor-lhe a leitura de um livro, que parecendo ser para crianças é uma leitura que faz falta a muitos adultos; O Principezinho de Saint-Exupéry. Lá pelo menos aprenderá que o prazer que se pode retirar da contemplação de uma simples flor, é mais perene do que o gozo do exercício de um poder, que será sempre efémero.

1 comentário:

Maria disse...

De facto o desempenho do referido rapazote na reunião da Assembleia de ontem que tive a oportunidade de assistir, é de muito difícil classificação. Durante o dia de hoje, em vários momentos tentei adjectivar a actuação do pequeno. Confesso que me foi quase impossível. Concluí que só com um Programa Educativo Individual poderá haver alguma esperança. Defendo a inclusão das crianças e jovens com NEE na vida da comunidade e só por isso admito a presença deste jovem na Assembleia. Deverá é ser devidamente acompanhado por um professor do Ensino Especial, de preferencia titular. Muito antes da leitura do Principezinho, deverá ser lida, interpretada e quiçá dramatizada a história infantil "O Rei vai Nú". Se necessário chegar formalmente à moral da história e copiá-la 100 vezes em caderno de duas linhas.
Se não resultar que se lixe a inclusão. (Há casos perdidos)
Grave, grave, é o apoio dos totós que deveriam respeitar quem votou neles e quem não foi tão tolo.
Melhores dias virão. Aproveitemos para reler a obra inigualável que muito bem nos indica o senhor Marquês.
Um abraço
Maria CC