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2008/09/27

AS CADEIRAS DO PODER




O Vice-Presidente da Secção de Loures do PSD não tem a confiança técnica e política do Vereador João Galhardas, vereador eleito pelas listas do PSD, e rapaz de fretes à maioria socialista em Loures. Assim, o Vereador do PSD entende razoável o afastamento do seu companheiro de partido da Administração dos SMAS, onde havia chegado, exactamente do mesmo modo como o Vereador Galhardas chegou à assunção de responsabilidades executivas em Loures, através de um acordo de gestão feito com o PS.

A substituição de Armando Curado far-se-á mediante a entrada de António Teixeira, também militante do PSD, e conhecido por ser da confiança da maioria socialista, a quem fez razoáveis jeitinhos no anterior mandato, no qual foi Vereador eleito nas listas do PSD.

Resta saber o que acha o PSD, ou os PSD`s, desta dança de cadeiras em que participam militantes seus, mas que me parece que acontece por decisão e conveniência do PS.

O PS, desde que chegou ao poder em Loures, sabe que tudo na vida tem um preço, até as pessoas que se dão a esse papel. No PSD, o PS encontrou vários transaccionáveis, dispondo hoje de uma carteira simpática de activos laranjas, que entre a lealdade a convicções e o conforto do encosto ao poder, não têm grandes dificuldades de decisão.

No meio da confusão instalada, o Vereador João Galhardas, exemplo de verticalidade, já foi avisando que “as acções desenvolvidas justificam-se pelo facto de o meu compromisso com o eleitorado ser inabalável”. Para os menos dados a interpretar o politiquês, no actual contexto, esta afirmação significa, que o Vereador João Galhardas se está positivamente nas tintas para aquilo que o seu partido venha a decidir em relação ao entendimento com o PS em Loures, porque no que lhe diz respeito ele está a entender-se muito bem com a malta e está bastante satisfeito com o seu lugarzinho de Vereador. Aliás, sente-se irremovível da cadeira do poder...

2008/09/23

EM LOURES HÁ LIXO POR TODO O LADO... E CADA VEZ HÁ MAIS!




"Os Serviços Municipalizados de Loures, devido a uma série de circunstancias, por vezes recorre aos préstimos de empresas privadas para colmatarem um serviço que deveria ser prestado por si, um serviço publico, e de qualidade.

A Factura dos Serviços Municipalizados tem o metro Cúbico de Agua mais caro, e das taxas mais altas do país, compreendemos agora onde é gasto o dinheiro dos consumidores.
Em varias ocasiões, quando os camiões da frota avariam, ou por falta de pessoal, ou por outras circunstancias, recorre aos serviços da IPPODEC e ECOAMBIEMTE ,e em cada vez que isso acontece está a pagar entre 120, a 150 euros por Hora.

Tal situação, constitui um acto de má Gestão denunciado pelo STAL de Loures, o sindicato no seu comunicado, ao qual se anexa o extracto, vem em defesa do Serviço Publico, e do interesse público. Este Sindicato representa 1800 associados entre Câmara e SMAS de Loures, este Sindicato é o legitimo representante dos trabalhadores.

Mesmo recorrendo a este serviço, de duas empresas privadas, não se nota uma melhoria na recolha de lixo no concelho de Loures e Odivelas, que continua a degradar-se a olhos vistos, com muitos dias de atraso na recolha de Resíduos Sólidos, com amontoados de lixo, a acumularem se por Loures e Odivelas pondo em causa a Saúde Publica. A situação ainda esta pior que em 1994, data em que o Concelho de Loures, ainda com as freguesias do concelho de Odivelas, transferiu da Câmara Municipal, para os SMAS de Loures a recolha de Resíduos Sólidos.

Uma Empresa como os SMAS que já foi considerada uma das maiores Frotas Automóveis do Pais, vive agora na Penumbra de ter que recorrer a empresas privadas, que estes SMAS de Loures tinha uma das maiores frotas automóveis do país, em Sete anos da Gestão de Carlos Teixeira, deixaram cair os SMAS e, neste momento andam pelas ruas da amargura, sintoma disto é esta situação. Se tivessem uma frota capaz, jamais recorreriam a IPODEC e ECOAMBIENTE

Os SMAS de Loures, tem estado numa curva descendente, rumo a destruição ou falência. Desde que o Partido Socialista, tomou conta da Câmara Municipal de Loures e passou a administrar os SMAS, ainda não foi capaz de inverter esta tendência.
Os SMAS só ainda não foram privatizados ou divididos porque os Autarcas do Partido Socialista de Loures e Odivelas, nunca conseguiram chegar a um acordo. A situação tem se arrastado devido esse desentendimento entre autarcas do concelhos de Loures e Odivelas."

(autor identificado)

Obrigado pelo seu contributo.

O Marquês

2008/09/15

CANÇÕES DE EMBALAR





"A nova Discoteca” In Bacco”, situada no parque da Cidade está a criar Polémica, tudo por causa do funcionamento, e do ruído que provoca até as 5 da manhã. Esta discoteca situada no parque da cidade fica perto de um núcleo de habitação na localidade de “Mealhada”, um aglomerado de prédios, na “entrada” da Cidade de Loures.
Na Mealhada os moradores descontentes com esta situação e afectados com o barulho juntaram-se num “Grupo de Cidadãos da Mealhada”, porque juntos poderiam protestar com mais veemência. Este Grupo apresentou um requerimento a Câmara já depois de 20 de Agosto, para protestar, mas o espaço continua a funcionar desde a sua inauguração, no dia 27 de Julho, durante as festas do concelho de Loures.
De facto aquele espaço não se destinava inicialmente para ser uma Discoteca, mas sim para ser um bar, e ser uma coisa agradável, e não algo que provocasse distúrbios e mau estar das populações, que não conseguem dormir, e sentem-se deprimidos, e que, no outro dia vão trabalhar e, esta situação esta a afectar habitantes da Mealhada, os que moram na proximidade desta discoteca.
Os moradores telefonam para a Policia por causa do barulho, mas a Policia diz que nada pode fazer, afinal de contas, este projecto do suposto Bar, foi aprovado pela Câmara Municipal de Loures e, sendo um projecto da própria Câmara Municipal que aprovou a construção daquele espaço.
Tudo o que os Moradores da Mealhada pedem, é que pare o ruído, e que possam descansar, e agora a Câmara vai ter que emendar, uma situação que ela própria criou, ao aprovar como zonas de cafetaria e restauração, e que deu origem a esta situação.
Claro que a criação destes bares e restaurantes no parque da Cidade, foi um erro como se pode analisar pelos resultados, porque o Parque da Cidade era suposto ser uma zona de descompressão, da Cidade, em vez disso pode trazer problemas de segurança, ou de estacionamento. Começa a vir ao de cima os problemas deste projecto, neste caso, o ruído de uma discoteca, num espaço de Restauração aprovado pela Câmara Municipal de Loures. E a Câmara Municipal de Loures aparece agora como bom samaritano a tentar resolver este problema, mas esquece-se que foi a própria que esta na Génese deste problema. "

(autor identificado)

Obrigado pela missiva.
Como pode imaginar, conheço perfeitamente o espaço. Tenho uma vista privilegiada para o bar/discoteca que desde Junho funciona no piso superior do complexo construído pela Câmara Municipal. Direi mesmo, janelas meias com a Sala de Sessões da Assembleia Municipal. Já o visitei. É um espaço muito agradável. Porém, se o seu funcionamento lesa os interesses dos moradores circundantes, atentando contra o seu direito ao descanso, devem ser aferidas as condições de funcionamento do mesmo. Deve ser esclarecido o termo do licenciamento, assim como as condições objectivas da estrutura construída para albergar este tipo de actividade. Existem mecanismos legais para fazer essas aferições, nomeadamente regras concernentes a isolamentos acústicos e limites de som.
A Câmara Municipal tem o dever redobrado no acautelamento destes aspectos, na medida em que foi a principal impulsionadora deste projecto.
Com os melhores cumprimentos,
O Marquês

2008/09/01

FENÓMENOS DO ENTRONCAMENTO




Estou de regresso de uma longa campanha além-mar. Longe de notícias, jornais, telefonias ou televisões, o retorno ganha outra intensidade. As primeiras notícias do país, obtidas ainda fora de fronteira, anunciavam o caos. O país estaria a saque! A primeira expressão ouvida foi “onda de criminalidade”, comentários do Presidente da República e notícias de mega-operações policiais um pouco por todo o lado, onde as populações foram transportadas para o papel de figurantes em acções de propaganda securitária, pensara eu, e confirmei depois. Afinal, continuava tudo mais ou menos na mesma!
Abri hoje a porta do Palácio e a caixa do correio, ao fim de um mês de ausência, levará algum tempo a dar resposta a todas as missivas, mas comprometo-me a não passar por nenhuma sem de dedicar a atenção necessária.

Das que já li, publico esta, que não só é oportuna, como vem ilustrada. Obrigado à visitante.




Caríssimo Marquês,

Moro na sossegada localidade da Mealhada com vista privilegiadíssima para a Várzea de Loures. Abri as persianas e vi um OVNI. Isso mesmo, um OVNI. Veja, meu caro Marquês a foto que lhe envio em anexo. Da minha janela, vê-se muita coisa. Por exemplo Frielas. Por trás das colinas adivinham-se as nossas Beverly Hills: Quintas da Fonte e do Mocho.
O que andaria um OVNI a fazer ali naqueles sítios? Logo alí! Confesso nunca fui (como os americanos) muito crente nestas coisas de OVNIs e discos voadores. Até ver um. Tal e qual como nos filmes dos tais americanos.
Ainda ponho a hipótese de não ter sido OVNI mas sim uma estrela que guia reis montados em camelos até às manjedouras onde nascem salvadores filhos de deuses. Mas quanto a estes assuntos sou ainda mais descrente embora toda a gente saiba que os salvadores nascem no meio dos pobres.

Caro Marquês, este Concelho está na moda. O Entroncamento que se cuide porque os fenómenos agora transferiram-se para cá.
--
Apresento os meus cumprimentos

2008/07/28

PARA QUANDO O METRO ATÉ LOURES?




"Hoje acordei, saí de casa, apanhei o autocarro e fui até Lisboa... Durante o meu percurso, dei por mim a olhar várias vezes para o relógio, a ver o tempo passar e a pensar que nunca mais chegava ao Campo Grande.
Depois de muitos olhares pelo vidro da frente, pelo esquerdo e pelo direito, lá pus o pé fora do autocarro, verificando que, de Loures até à estação terminal, tinha demorado nada mais, nada menos do que 45 minutos...
Efectivamente, sou uma pessoa que valoriza imenso os transportes públicos, não só porque não posso usufruir de um carro, a tempo inteiro, mas também porque, a meu ver, se todas as pessoas deixassem os seus carrinhos à porta de casa (ou, simplesmente, passasse a existir apenas um carro por família) o ambiente tornar-se-ia muito menos poluído e, por conseguinte, mais agradável.
Por isso, na minha opinião, não é razoável que Loures seja o único corredor de acesso à capital que não tem um meio de transporte de ferrocarril. Da mesma forma, não é aceitável que o aeroporto da Portela ainda não tenha ligação directa ao metropolitano. Mas, ao que parece, já estão a ser dados os primeiros passos para resolver esta segunda situação... por outro lado, no que toca ao nosso concelho, a situação parece-me estar, ainda, estagnada.
De facto, a construção de uma linha ferroviária, em Loures, só nos traria benefícios. Vejamos: se juntarmos as mais-valias advindas da requalificação urbana subsequente a esta obra, aos impactos positivos ao nível do ambiente (o metro utiliza energias "limpas"), da economia da economia (preservação da rede viária) e da sociedade (diminuição do tempo de deslocação entre Loures e Lisboa), fácil se torna apreender a urgência deste projecto.
Dos estudos até agora realizados, regista-se que são efectuados 4,9 milhões de viagens diárias na Associação Metropolitana de Lisboa (AML), das quais 18% são originárias do corredor de Loures.Se este projecto for, como dizem, para a frente, o percurso entre Loures e Odivelas durará entre 10 a 15 minutos (mesmo em hora de ponta) e só mais uns poucos minutos até Lisboa. Tudo isto, claro, utilizando somente transportes públicos: a melhor garantia de qualidade e rapidez para utentes e moradores das/nas áreas de intenso tráfego rodoviário, que só assim reduziria a intensidade."

Via Loures Criativa, por Catarina Duarte

2008/07/24

A CULPA NÃO É MINHA, NÃO VOTEI TEIXEIRA!



A CERCIPÓVOA é uma instituição que desenvolve trabalho de “educação, reabilitação e inserção do cidadão portador de deficiência. Promove projectos de sensibilização e mobilização da Sociedade, para os objectivos da Instituição e para a problemática da deficiência em geral”. O seu objectivo final e a “promoção da autonomia pessoal e social do cidadão portador de deficiência.”

Esta instituição atravessa neste momento graves problemas financeiros, decorrentes dos encargos com a melhoria de instalações, que qualifiquem o serviço prestado aos utentes, e, sendo uma actividade convencionada com a segurança social, que presta serviço independente da capacidade financeira das famílias, ajustando a participação financeiras destas às suas possibilidades, tem vindo a ver diminuída parte das suas receitas. Porque é inevitável que estas instituições sejam as primeiras a sentir a degradação das condições económicas das famílias.

Dada a importância da instituição e a relevância social dos serviços que presta, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e o Governo, encetaram contactos no sentido de se encontrar uma solução para este problema. Nesse esforço, convocaram o Presidente da Câmara Municipal de Loures. Não porque os vizinhos sejam para as ocasiões, a instituição está sedeada na Póvoa de Santa Iria, mas porque uma parte significativa dos utentes é oriunda de Loures, mormente da sua zona oriental. Assim, era avisado convocar ao esforço a Câmara Municipal de Loures.


Erro! Perante a solicitação, Carlos Teixeira, abriu a torneira do despropósito, como se pode ler da notícia do “Jornal Triângulo”. Mesmo ontem, em plena reunião de Câmara, o Presidente repetiu as mesmas declarações.

Em suma, revelou-se insensível à importância que esta instituição tem, seja para os cerca de 50 utentes de Loures, seja para as suas famílias.

Espera-se que reveja a sua posição, dedicando-lhe algum tempo de serena reflexão. Carlos Teixeira afirma que não temos culpa de que a vida esteja a correr mal a esta instituição, mas do que aquelas famílias não têm culpa é da insensatez do Presidente da Câmara.

E O FUTURO PÁ?!


Vi com toda a atenção a entrevista dada pelo Presidente da Câmara Municipal de Loures, Carlos Teixeira, ontem à noite à SIC Notícias. Não foram grandes as novidades. O Presidente da Câmara aproveitou para repetir o conjunto de declarações que foi proferindo nos últimos dias sobre a situação na Quinta da Fonte, explorando um pouco mais os sentimentos de rejeição face á comunidade cigana que se foram desenvolvendo no decorrer do processo. Não se pode deixar de assinalar que a entrevista de ontem foi o culminar de uma viragem de posição do Presidente da Câmara face a este assunto. Comentei aqui as declarações iniciais de Carlos Teixeira, onde ele se referia à comunidade cigana como as vítimas deste problema! Felizmente alguém conseguiu alterar-lhe o guião, porque se antevia o disparate. Ontem, a bitola era outra.

Mas mais interessante do que ouvir a súmula das respostas que foi dando sobre este assunto, importava que fossem dadas pistas para a solução do problema. Não a solução do problema das famílias que ainda teimam em exigir uma habitação em local alternativo, mas as soluções que previnam a repetição de situações como as que temos vivido. Sobre este aspecto não avançou uma única ideia. Optou por falar em exigência, e muito bem, pena que só a tenha descoberto agora. Aliás, continua a ser para mim uma incógnita como pode uma família acumular uma dívida de 17 000 euros em água, e como pode dize-lo o Presidente da Câmara sem se sentir envergonhado com tal situação! As situações de incumprimento não são de agora, mas até há pouco tempo elas não preocupavam sobremaneira a Câmara Municipal.
Na entrevista aproveitou ainda para alfinetar a oposição, não se escusando à referência a Demétrio Alves. Este facto também não deixa de ser estranho. O bairro existe à cerca de 10 anos, Carlos Teixeira governa o município à 7 anos, os problemas de segurança e de desarticulação social do bairro intensificaram-se nos últimos 5 anos, mas da responsabilidade não lhe toca nada!
O que é necessário perceber são os planos que tem para o futuro. Na reunião de Câmara realizada ontem, a maioria socialista voltou a recusar a proposta de instalação de um Posto das Forças de Segurança no Bairro, do que se percebe que a implementação de um sistema de policiamento de proximidade, que monitorize as actividades ilícitas que lá ocorrem, que se integre na comunidade, conhecendo-a, que dissuada e previna pela sua presença, não é um caminho que a Câmara queira fazer. Em vez disso, continuar-se-á a assistir a uma presença episódica de grandes contingentes repressivos, que de vez em quando militarizam o bairro. Como estratégia de segurança, sem dúvida que a primeira opção me parece a mais adequada. Carlos Teixeira não acha e chumbou uma proposta da CDU, que ia nesse sentido.

Em todas as reflexões e reacções que se foram conhecendo, seja do Governo Civil, seja do Governo, seja da própria Câmara Municipal, parece unânime que o futuro passa pelo bairro. Passa pela sua recuperação social e física, mas passa também pelo esforço de envolvimento dos habitantes nesse processo. Como pretende a Câmara fazê-lo? Pretenderá mesmo fazê-lo, ou apenas o afirmou, porque fica bem afirmá-lo? Nessa mesma reunião de Câmara, Carlos Teixeira e a sua maioria, chumbaram a possibilidade da constituição de uma Comissão de Administração do Bairro, onde participassem os moradores, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia da Apelação. O objectivo desta proposta é óbvio, envolver os habitantes e os seus representantes, responsabilizá-los, torná-los parceiros nos ganhos futuros e com isso tê-los como os primeiros defensores desses ganhos. Mas a Câmara não quer ir por aí. Então irá por onde?

O discurso dos malandros que não pagam renda, não pagam água, não pagam impostos, nem mais coisa nenhuma tem um prazo de validade, e qualquer dia não sobreviverá à pergunta sobre quem é que os deveria fazer pagar e não o fez, mas sobretudo não resolve nenhum dos problemas de fundo que urge resolver.

2008/07/23

À SOMBRA DO VIADUTO








O Palácio recebeu através do serviço de malaposta o texto que se publica de seguida. Obrigado à autora pela sua visita e pelo contributo.


A confeitaria Rebuçado, de há muito instalada na localidade de Botica, é uma nota muito positiva nestas redondezas, porque é uma confeitaria tradicional e com qualidade. Bom ambiente também.
Difícil, porém, era o acesso e o parqueamento. Os moradores na Fonte Santa costumavam brincar: então quando se mudam lá para o nosso bairro?Tal não aconteceu e inesperadamente e horrivelmente construíram, de raiz, um edifício para as instalações da confeitaria na pior localização possível e sequer imaginária: paredes meias com o viaduto que atravessa a estrada antiga para a Malveira e à entrada do Pinheiro de Loures!O mais curioso é que no projecto estava prevista uma esplanada que dá para o referido viaduto num troço em que os pilares que são muito pouco estéticos. Já nem falo na remota hipótese de se levar com um carro ou um tampão em cima...!
Não sou das engenharias nem dos planos urbanísticos, mas não teria permitido.É revelada uma falta de sensibilidade e de bom gosto a toda a prova. Por este andar Sintra e Cascais, Mafra e Ericeira vão continuar a ser lugares de eleição naquilo que se pode chamar "o turismo de bairro".

DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE JORNALISMO




DEMÉTRIO ALVES PONDERA CANDIDATURA À FREGUESIA DE FRIELAS


Em texto difundido em vários blogues da especialidade, o ex-presidente da Câmara Municipal de Loures afirma “…É por estas e por outras que sou obrigado a ponderar a hipótese de, aceitando convites que me têm vindo a ser insistentemente dirigidos, candidatar-me para voltar ao activo político, de forma a poder ter a hipótese de clarificar, por uma vez, as várias insinuações caluniosas…” Demétrio Alves escrevia à margem de umas declarações sobre a situação na Quinta da Fonte.

Tentámos contactar o candidato mais bem posicionado para comentar esta disponibilidade do Eng.º Demétrio Alves para se candidatar à Junta de Freguesia de Frielas, mas parece que está de férias na terra da mulher, pelo que não nos foi possível obter quaisquer reacções. Este silêncio pode bem significar o mal-estar que esta disponibilidade está a causar no seio da família do candidato mais bem posicionado, cuja mulher, tanto quanto se sabe, sempre achou o Demétrio Alves muito charmoso.

Vamos continuar a acompanhar a situação e as implicações da mesma no aumento da cotação dos combustíveis no mercado negro de Bissau.
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Estes três parágrafos têm tanto rigor jornalístico como a notícia divulgada pela Loures TV. De concreto e substantivo, verificável e verdadeiro, sobre o conteúdo das declarações de Demétrio Alves, apenas a citação que se faz do texto do próprio. Aliás, como o texto foi publicado aqui no Palácio, foi lido, pelo menos duas vezes. Depois de ler a notícia na Loures TV. O texto voltou a ser lido mais uma vez e ainda outra, mas de trás para a frente, para perceber se existia outro sentido nas palavras. Mas não! Em lado nenhum do texto se lê que Demétrio Alves equaciona uma candidatura à Presidência da Câmara Municipal de Loures. Lê-se que tem recebido convites para se candidatar, não diz onde, nem sequer se os convites são todos para a mesma candidatura. Mas a Loures TV conseguiu ler uma candidatura como cabeça de lista da CDU em Loures! Assim, lançou-se na busca de reacções de terceiros, muito antes de ter conseguido sequer chegar à fala com o próprio para os devidos esclarecimentos. Creio mesmo que quando esta notícia lhe chegar aos ouvidos, desabafará um sonoro "bando de loucos".

Declara-se oficialmente aberta a Silly Season!

2008/07/22

DEMÉTRIO ALVES PÕE OS PONTOS NOS IIS !




A (des) propósito do caso da Quinta da Fonte, o blogue Tomar Partido reproduziu um comentário bolçado por um tal Barão das Neves, pelos vistos amigo do autor do referido blogue, que, devido ao seu cariz difamatório, me merece o mais vivo repúdio.

O citado indivíduo, num estilo que tem sido habitual em determinados meios, veio invocar factos não verídicos pretendendo atingir-me, como se eu tivesse sido alguma vez acusado ou condenado judicialmente por esses factos.

De facto, apenas fui acusado por gente anónima que, cobardemente, pôs a circular algumas atoardas, pretendendo prejudicar-me em tempos eleitorais, o que não conseguiram. Já depois de ter saído de funções, em 1999, por minha exclusiva vontade, e em protesto pela forma como foi criado o concelho de Odivelas, puseram a circular que eu teria ido para Moçambique onde supostamente teria acumulado uma grande fortuna.

Não emigrei nem desapareci, como diz o Barão. Estou e sempre estive em Portugal, trabalhando e estudando, porque não vivo de rendimentos ou de negócios.

É por estas e por outras que sou obrigado a ponderar a hipótese de, aceitando convites que me têm vindo a ser insistentemente dirigidos, candidatar-me para voltar ao activo político, de forma a poder ter a hipótese de clarificar, por uma vez, as várias insinuações caluniosas.

Tudo tem limites, tanto as atoardas, como o silêncio inesperado.

Quero, aliás, deixar bem claro que, caso este blogue, ou outro qualquer pasquim, insista em dar voz a caluniadores que me agridam, participarei judicialmente nos sítios adequados.

Quanto à questão relacionada com a Quinta da Fonte, tendo em conta que o presidente da câmara tentou responsabilizar a gestão realizada há doze anos, quando eu estava em funções, dizer:

a) É frequente ver e ouvir alguns "iluminados", como sejam os políticos que "nunca erram" ou os académicos "sobredotados", virem dizer, em situações semelhantes, que tudo foi mal feito, e que eram previsíveis os maus resultados. Gostava de saber, o que, de facto, fizeram uns, e o que fariam os teóricos se, por acaso, algum dia tivessem que responsabilidades executivas fora do mundo da universidade. Bem pregam estes Frei Tomás!

b) Sabia-se, há já mais de vinte anos, que as operações de realojamento das famílias moradoras em barracas e situações similares são muito complexas, assim como eram discutíveis as possibilidades alternativas de realização prática. Em geral os municípios não ambicionaram a tarefa, e eu próprio só por obrigação irrecusável a aceitei, que agora não posso explicar. Nunca tive a ilusão de que fosse obra que motivasse grandes agradecimentos, e, muito menos, votos. Aliás, é conhecida a referência feita há mais de 150 anos por Engels numa das suas primeiras obras "os problemas sociais não se ultrapassam através da resolução dos problemas habitacionais, mas é exactamente pela via inversa que se terá que actuar".

c) Também não é de estranhar que gente do género daquela que actualmente é poder em Loures, e que, aliás, também é useiro na alimentação de boatos difamatórios, viesse, no meio de um manifesto desnorte, desculpar-se com a gestão de há doze anos atrás! Afinal é perfeitamente visível que alguma coisa está a falhar naquela gestão municipal: Como se pode entender que o presidente da câmara venha dizer que foi "surpreendido" por um problema, que ele próprio afirmou, pouco depois, existir há mais de dez anos? Por outro lado, vir dizer que aquele realojamento está "relacionado com a Expo 98" e que foi feito "à pressa", revela, além de mau carácter, uma profundíssima ignorância.

d) Será que é para não "cometer erros" a câmara de Loures não fez mais realojamentos dignos desse nome nos últimos anos? Então e as "nódoas" urbanísticas e sociais que subsistem por exemplo no Prior Velho e na Portela? Vão manter-se mais quantas décadas há espera de que última teoria sociológica e urbanística?

e) Se a câmara de Loures acha errado o modelo utilizado, "à pressa", na Quinta da Fonte, porque razão a Quinta da Mós, realizada com "muito tempo de reflexão", se desenvolve segundo um padrão equivalente ao da Quinta da Fonte?

f) Foi lamentável o triste espectáculo dado por um poder municipal que se movimentou aos tropeções, claramente ultrapassado pelos acontecimentos, que, segundo dizem responsáveis da administração central, são, no fundamental, casos de polícia. Um poder que deu, num determinado momento, sinais de querer por em prática a segregação habitacional de grupos étnicos diferentes, só para não ter problemas de imagem! Valeu-lhe o apoio "amigo" das entidades da administração central, designadamente o Governo Civil.

g) Infelizmente, o problema não é somente um caso de polícia. Tem-se escondido que estas explosões de violência não podem deixar de estar relacionadas com o apodrecimento da situação social verificado no país.

Não só a carestia de vida e o desemprego, mas, também, o contínuo desinvestimento na justiça e segurança, estão a contribuir para estas situações.

Demétrio Alves

O SALDANHA ESTÁ BEM POSICIONADO!


Estátua do Saldanha em Lisboa, porque não encontrei nenhuma do nosso de Loures.


Deambulando pela Internet, fui visitar o inactivo Buloures, e reparei numa consulta de opinião, ainda activa, sobre quem deveria ser o parceiro de acordo político do PS para a governação do município. Apresentação dos resultados lá recolhidos até hoje.

Com quem deve o PS entrar em acordo pós-eleitoral para assegurar a governação da Câmara Municipal?

CDU 5% - 3 votos
PSD 24% - 15 votos
BE 5% - 3 votos
Com o Saldanha 32% - 20 votos
Com o resto da Família dos Vereadores 35% - 22 votos

Apesar da amostra não ser grande espingarda, há conclusões, bastante abusivas, que se podem extrair desta consulta.

A primeira é óbvia; a forte presença da família na Administração Municipal consegue o lobbying suficiente para liderar a consulta.
O Vereador Galhardas conseguiu convencer, pelo menos 15 pessoas nos últimos três anos, que é vantajosa a sua presença no Executivo Municipal.
A CDU e o BE só fazem coligações com a esquerda.
O mais enigmático é o bom resultado alcançado pelo Saldanha, mas conhecido pelo banhista do Rio de Loures. Porém, alguma dose de especulação teórica, mas não muita, permite concluir, que todos os votos no Saldanha são votos repetidos do Assessor António Canhão, que pensou que a referência ao Saldanha era metafórica, e que no fundo se referiam a ele.
Esta interpretação dos dados, permite ainda uma outra extrapolação. Em Loures, os mal-entendidos podem levar ao poder as personagens mais inusitadas.


O estudo resulta de uma parceria entre a Universidade Sénior, uns tipos que estavam na mesa do canto nos Periquitos e a Câmara Municipal de Loures / Aprovisionamentos (que ficou de enviar uns clips, mas parece que não há e estão à espera que alguém os mande comprar).

2008/07/18

DIZIA O PRESIDENTE




Já o momento permitia alguma ponderação e reserva nas declarações, dizia o Presidente da Câmara que “Há uma minoria que actua ao cair da noite”, dizendo ainda “tenho a indicação que naturalmente será a outra comunidade “africana” a atacar, porque é a outra comunidade, a cigana, que está a ser atacada”.

Uma “operação de fiscalização feita às viaturas das famílias ciganas, que pernoitaram à frente da Câmara de Loures, acabou na detenção de uma pessoa e na apreensão de três caçadeiras e uma espingarda, todas ilegais. Segundo o comandante da PSP de Loures, trata-se de uma "operação especial de prevenção criminal" relacionada com a nova lei das armas e que foi coordenada com o Ministério Público”.

O Presidente, Carlos Teixeira, tem muitas dificuldades em compreender que o mundo não possui uma simplicidade dual e maniqueísta. A cada curva lá comete sempre os mesmos erros.

FESTAS EM LOURES


Foto de espectáculo nas Festas em 2001

"Em tempos que já lá vão, por esta altura Loures fervilhava de actividade cultural. As Festas do Concelho, longe de serem um evento isolado no ano, eram o reflexo da política cultural no Município. As Festas eram realmente do Concelho, pelo envolvimento de todas a estruturas municipais, desde a sua concepção, construção e funcionamento, passando pela participação das colectividades e associações locais. Para quem as viveu, Julho é um mês de saudade e nostalgia.Ao longo dos últimos anos, sempre ensaiando novos modelos, porque o que encontraram lhes causava urticária, o PS chegou a 2007 com uma coisa tipo Festas desconexas, sem fio condutor, assentes como sempre em dois ou três concertos e mais qualquer coisa pelo meio para dar alguma consistência. Talvez não saibam fazer melhor, mas Loures continua a merecer melhor."
Este texto foi publicado em Julho do ano passado, mas a análise continua tão actual como então. Apesar disso ele é omisso. Não diz que as Festas do Concelho eram um momento de afirmação do Concelho, um momento de orgulho para os seus habitantes que muitas vezes faziam delas a sua sala de visitas, convidando amigos a juntar-se às Festas. Mas era também um momento de orgulho para os trabalhadores do Município, que tinham nas Festas um corolário de um ano de trabalho. Também por isso elas eram especiais.

2008/07/17

PERGUNTAS DE UMA TARDE QUENTE




O Presidente da Junta de Freguesia de Loures, João Nunes, é comentador residente da Loures TV. Não está em causa a qualidade dos seus comentários. São muitos bons! A Junta de Freguesia de Loures é uma das patrocinadoras da Loures TV, pelo menos ocupa espaço de publicidade. Será essa publicidade gratuita? Existirá algum problema nesta duplicidade de relacionamentos? Não sei, apenas me apeteceu perguntar?

AFINAL HÁ MAIS!




Então não querem lá ver que os autores do estudo sobre a pobreza infantil continuam a afirmar que o realizaram em parceria com a Câmara Municipal e até apresentaram provas desse relacionamento. Maria João Malho, que responde e apresenta documentos comprovativos da preparação do trabalho de campo em colaboração com a Câmara de Loures, fax’s e e-mail’s trocados com o secretariado do Vereador Ricardo Leão. Pode tudo ser visto na Loures TV. Se eventualmente tudo aquilo é mentira, entraremos no campo da falsificação de documentos. Mas o mais certo é ainda não termos saído do campo da mentira política.

O PRÍNCIPE



O Palácio recebeu através do serviço de Malaposta a seguinte missiva, que se publica. Obrigado ao autor pelo seu contributo.

As escolas de Loures acabam de ser distinguidas no conjunto das “forças vivas” do Concelho.

Por decisão ao mais alto nível, a representação do poder autárquico vai passar a ser feita nas escolas de Loures pelo Sr. Vereador da Educação Ricardo Leão, pelo seu assessor Dr. Alexandre Sargento e pelo Dr. Luís Filipe Melo.

Até agora, nas Assembleias de Escola (secundárias) e de Agrupamento (agrupadas do pré-escolar, 1º, 2º e 3º ciclos) a representação autárquica cabia, por delegação, às Juntas de Freguesia, que mais ou menos cumpriam o seu dever de presença e participação nas reuniões dos órgãos, mandando um representante seu.
Já agora diga-se que sempre foram as Juntas de Freguesia quem mais apoiou as escolas desde que a Câmara do Eng.º Carlos Teixeira é Presidente de Câmara.
A partir de agora, com a saída da nova legislação escolar, passam a ser três os lugares que a lei prevê para a representação autárquica nos “novos” Conselhos Gerais e não um.
E não é que a Câmara fechou a torneira da participação às Juntas, chamando a si essa representação daqui em diante!

Várias curiosidades são dignas de destaque nesta decisão.
Primeiro, o Sr. Vereador não tinha tempo para a ir a uma reunião destas que fosse, nem ninguém para mandar por ele. Agora promete que vai estar presente em todas elas, ele e a sua equipa em peso. Representação mais alta só se fosse do próprio Presidente da Câmara. Diz-se é por aí que o Sr. Vereador já faltou a pelo menos duas destas reuniões e ainda os órgãos estão agora a arrancar!

Outra curiosidade é que o Sr. Vereador acha que vai tirar protagonismo deste número, mas não sabe no que se está a meter. As escolas estão mortinhas para o apanhar lá sentado e tê-lo à sua frente, olhos nos olhos. Professores, empregados, alunos, pais, etc., esperam-no ansiosamente para o entalar com a falta de cumprimento de promessas e obrigações da Câmara, que até agora eram as Juntas ter de ouvir como “representantes do poder autárquico”. Ou o Sr. Vereador tem uma série de doces na manga para dar ou vai ser crucificado na primeira reunião e talvez já não vai às outras.

Outra curiosidade, é que a Câmara de maneira vergonhosa tirou o tapete às Juntas de Freguesia. Eram elas que mais ajudavam as escolas, até por estarem mais próximas e mais por dentro dos seus problemas, as Juntas faziam parte das Assembleias, tudo fazia sentido. Agora, as Juntas continuam com os mesmos protocolos de delegações de competências ou não, ajudando as escolas mas arredadas de estar no órgão em que se decidem o mais importante do seu funcionamento.

O Sr. Vereador, um príncipe que acha que pode vir a ser rei, parece que começa a acusar o aproximar das eleições. Precisa de aparecer e de mostrar que está vivo porque muitos desconfiam que não. Nem que para isso tenha de atropelar toda a gente pelo caminho.

Mas como é seu hábito, é capaz de sair o tiro pela culatra porque nem as escolas ou os munícipes são parvos e percebem quem é que faz e quem é que quer aparecer à mesa, nem as Juntas vão ficar mais afastadas das escolas e do protagonismo que têm agora.

Daqui por uns tempos o Sr. Vereador vai ter só mais uns toros de lenha para se queimar. A sua agenda preenchida em três turnos não o vai deixar estar presente como já prometeu nas reuniões de 7 escolas secundárias e de 13 agrupamentos, que arriscam a uma bonita conta como 100 reuniões por ano. Os munícipes cada vez mais representados nestas reuniões vão ficar com uma imagem mais nítida de quem ele é e do que vale (e se calhar mais lhe vale para a imagem faltar às reuniões que intervir nelas). E o seu sonho de trono pode ficar comprometido para sempre.

Resta saber como vão reagir as Juntas de Freguesia a esta invasão camarária das escolas e como vão mostrar à Câmara quem é que realmente trabalha nas escolas do Concelho.

Para o Sr. Vereador Leão não, mas se calhar para as escolas até acaba por ser bom.

PRETOS E CIGANOS, UMA PERSPECTIVA.


O texto que se segue foi publicado ontem no jornal Público, pelo interesse do seu conteúdo, edita-se aqui, via 5 Dias.

17 Julho 2008 por Rui Tavares


Surge em cada Verão interpolado uma história de violência e crime na Grande Lisboa que é suposto ter grandes leituras politicamente incorrectas. Num Verão,, foi Durão Barroso, à procura de um caminho para São Bento, que decretou que havia graves problemas com os imigrantes de “segunda geração” (ou seja, os que não são imigrantes).
Paulo Portas também está sempre à espera de um arrastão, falso ou verdadeiro, que faça o milagre de o extrair dos três por cento que tem nas sondagens. E uma série de comentadores considera-se vítima da “ditadura do politicamente correcto”, se a etnia dos implicados não for proclamada como explicação fundamental de todo o problema.Durante o ano inteiro, há notícias de violência noutras cidades do país, ou até no campo. Quando há assassinatos na noite portuense, ninguém exige que se fale dos “problemas de integração dos portuenses”. Quando há um roubo numa estação de gasolina ou pancadaria numa discoteca de província, ninguém reclama por um debate sobre “inimizades entre gangs rurais”. E não se exige nem reclama esse debate porque ele seria desproporcionado. Toda a gente sabe que crime é crime, para ser tratado com a implacabilidade necessária, e que o Porto é o Porto e a província é a província. Um crime entre portuenses deve fazer-nos pensar sobre o crime mais do que sobre os portuenses.
Mas um crime em Lisboa quer dizer, em código, “pretos e imigrantes”. E isso é uma festa - para quem pretende falar, não do crime em si, mas de imigração e “politicamente correcto” e do falhanço das políticas sociais.
Toda a gente tem noção, num país como Portugal, de que a violência é a excepção e não a regra. Há mais violência doméstica do que violência urbana neste país: é porque os maridos são violentos e detestam as mulheres? Não: a excepção não é a regra.
Um jovem delinquente pode ser a prova de que a política de integração falhou para ele, mas não é a prova de que a integração falha sempre. À volta dele existem milhares de outros jovens que são nossos alunos, que são nossos colegas e nossos vizinhos, e que levam as suas vidas.
Se quiserem piorar as coisas, cedam à demagogia e declarem a falência do rendimento mínimo, dos assistentes sociais e da igualdade de oportunidades que serviram para esses. Se quiserem melhorar as coisas, reservem um pouco de espaço mental para as experiências que dão certo e apoiem a sua multiplicação - sabendo que elas jamais irão resolver todos os problemas.
Acima de tudo, não misturem o que não é para ser misturado. Crime trata-se como crime, armas ilegais como armas ilegais, integração como integração, imigração como imigração. Os ciganos da Quinta da Fonte, dependendo de que ciganos são, nem sequer são imigrantes: podem estar aqui neste país há quinhentos anos. Os negros da Quinta da Fonte, dependendo de que negros são, provavelmente nem são imigrantes: podem ter nascido aqui, ou ser oriundos de países onde nós andámos quinhentos anos.
Cada aspecto da realidade - o crime, as armas ilegais, o bairro social, o racismo e preconceito interétnico, as comunidades fechadas - pede uma discussão que merece ir longe. Mas o que nos propõe quem se queixa do “politicamente correcto” não só não vai muito longe como fica ridiculamente perto. Na sua ingenuidade, acham que basta poder dizer as palavras “pretos e ciganos” para as coisas se resolverem.
Pretos e ciganos. Pretos e ciganos. Pretos e ciganos. Já está resolvido?


16.07.2008, Rui Tavares

PODE SER UMA COINCIDÊNCIA, MAS PODE NÃO SER.








"Esta madrugada, quatro indivíduos encapuzados dispararam do interior de uma viatura vários tiros na Quinta das Sapateiras em Loures, sem causar feridos, segundo fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP. A PSP de Loures não ligou este incidente aos confrontos registados na sexta-feira e sábado passados no bairro da Quinta da Fonte, também em Loures, adiantou a mesma fonte. Os disparos com arma de fogo ocorreram às 00h50 de hoje, tendo diversas testemunhas contado à polícia, que se dirigiu ao local, que no interior da viatura estavam quatro pessoas encapuzadas. Depois dos disparos, a viatura dirigiu-se em "fuga" em direcção a Santo António de Cavaleiros, disse a mesma fonte, adiantando que o automóvel apresentava "alterações tipo modelo de tunning", nomeadamente frente e pára-choques rebaixados e jantes especiais. Este incidente não causou feridos e os elementos do automóvel ainda não foram identificados, adiantou ainda o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa."


É neste momento inegável que começa a ser visível um sério problema com o controlo de armas ilegais, ou pelo menos com o seu uso ilegal.

2008/07/16

A ILITERACIA É UM GRAVE PROBLEMA NACIONAL




A propósito do realojamento temporário de famílias da Quinta da Fonte, foram deixados dois comentários aqui no Palácio, que se reproduzem na íntegra, sobre uma eventual tomada de posição da CDU ou do PCP, sobre o assunto. Os comentários referem um suposto cariz xenófobo e racista no referido texto. Para não falar de cor, tentei encontrar o tal comunicado da CDU ou do PCP sobre o tema. Não encontrei. Existe apenas uma informação da Junta de Freguesia de São João da Talha, mas a mesma não contém nenhum dos pendores referidos. Para esclarecimento do comentador, reproduz-se esse texto na íntegra.


Comentários
"Falso. A câmara não vai dar casas novas a ninguém. Quem ouviu o presidente não pode fazer uma afirmação dessas. Ele foi peremptório. Já agora, o que o PCP tem contra as minorias? Nada? Então leiam o comunicado da CDU de são João da Talha e vejam, são mais racistas e xenófobos que o Paulo Portas e o gajo do pnd." 16 de Julho de 2008 0:54

"Sinceramente não esperava tanta xenofobia de um partido de esquerda como o PCP. Mas eu sei porquê: é que os ciganos não votam e por isso eles que se lixem. Se fossem os bumbos então a conversa da CDU seria outra." 16 de Julho de 2008 0:56


[15-07-2008]

Câmara de Loures instala famílias no Pavilhão Municipal José Gouveia Junta de Freguesia contra decisão indigna.

"A Junta de Freguesia de S. João da Talha foi informada pelo senhor presidente da Câmara Municipal de Loures, ontem, dia 14 de Julho, pelas 21h00, da intenção desta autarquia proceder ao alojamento temporário no Pavilhão Municipal José Gouveia de várias famílias que, na sequência dos recentes incidentes ocorridos na Quinta da Fonte, optaram por abandonar este bairro situado na Apelação.
Esta decisão do senhor presidente da Câmara Municipal de Loures foi tomada após reunião com o Governo Civil e com representantes das largas dezenas de pessoas que se concentraram, no mesmo dia, segunda-feira, frente aos Paços do Concelho.
Embora compreendendo a necessidade imperiosa de encontrar uma solução para o problema - o que passa seguramente pela cooperação e diálogo entre várias entidades, incluindo as que no terreno desenvolvem de forma mais directa um trabalho de proximidade e inclusão com as diferentes comunidades -, a Junta de Freguesia não pode deixar de manifestar a sua total discordância com uma tal decisão.
Isso mesmo foi desde logo afirmado ao senhor presidente da Câmara Municipal de Loures, Carlos Teixeira, a quem foram expostos os vários problemas e inconvenientes originados por esta decisão, que a Junta de Freguesia considera absolutamente inaceitável, nomeadamente pelo carácter precário das condições oferecidas por um equipamento e um local sem condições nem vocação para tal fim, o que comporta uma situação de indignidade quer para as pessoas envolvidas quer para S. João da Talha.
A verdade é que não podem repetir-se os mesmos erros nem a mesma incapacidade reveladas pelo Governo e pela Câmara Municipal de Loures neste lamentável processo, do qual são os únicos responsáveis, já que não souberam agir a tempo e horas no local de modo a prever e a evitar fenómenos como os que infelizmente vieram a acontecer.
Por isso a Junta de Freguesia afirma que devem ser evitados novos factos que acrescentem incompetência à incompetência de que já foram tantas provas dadas.
Não é assim que se pensam, gerem e resolvem os problemas do território e das populações. Para além de sensatez, ponderação, capacidade de decisão, são necessárias medidas acertadas, que sirvam os interesses da comunidade, o que não foi manifestamente até agora o caso.
Lamentando a decisão da Câmara Municipal de Loures, a Junta de Freguesia reitera à população de S. João da Talha o seu compromisso de tudo fazer para que esta situação tenha rapidamente o desfecho digno e correcto que merece."


O Presidente
Paulo Rui Amado