2007/08/21

MILHO REI


Imagem retirada daqui.
O país anda a meio gás. Nas grandes cidades as línguas estrangeiras ombreiam com o português no burburinho de rua. Até o Governo anda a banhos como se pode verificar pela ausência de representação condigna em Coimbra na homenagem a Torga. Os que ficaram andam aborrecidos por ainda não ter chegado a sua vez do ócio, os que já regressaram andam maldispostos com o regresso. No meio deste marasmo a acção da Associação Eufémia Verde no Algarve tornou-se o acontecimento estival. Um grupo de moços imbuídos, ao que parece, de um espirito ecologista, marcharam em protesto até uma propriedade agrícola no Algarve e perante a impassividade da GNR destruiu uns poucos de pés de milho transgénico. As televisões fizeram grande cobertura do sucedido, a GNR identificou meia dúzia dos meliantes e a partir daí, à falta do que fazer, os especialistas em comentário viram na acção uma porta aberta para o juízo final. À direita a histeria atingiu raias de insanidade. Ataque à propriedade privada, desautorização do estado de direito, inoperância do governo, um novo PREC à porta, o terrorismo na sala de estar, tudo e mais alguma coisa em torno de uma acção que não merece tamanho espalhafato.
Hoje, no Público, Vasco Graça Moura, depois de quase identificar o jovens que perpetraram esta acção no Algarve com os quatro Cavaleiros do Apocalipse, exige a demissão do responsável da Guarda Nacional Republicana, a demissão do Ministro da Administração Interna e a demissão do Governo. Só não reivindica um novo sisma religioso, porque de resto não lhe escapa ninguém. Mas pior, compara o momento com outros eventos da história política recente, dizendo que por muito menos, Cavaco havia demitido um ministro que troçou das mortes provocadas no Alentejo por excesso de alumínio na água utilizada no tratamento de hemodiálizados, que por menos Sampaio demitira o governo de Santana. Sobre estas comparações não há muito a dizer, a não ser aconselhar Vasco Graça Moura a evitar a incidência directa do sol nos dias mais quentes.
Os moços fizeram mal, a sua acção, independentemente da agenda que lhe está adstrita e do facto de com ela se concordar, foi contraproducente. O agricultor que legalmente desenvolveu esta cultura deve ser ressarcido por quem lhe causou prejuízos. O assunto resumir-se-ia a isto, não fosse o desespero da direita em conseguir atacar o governo. Têm dificuldade em fazê-lo recorrendo à critica às opções económicas e sociais, que no fundamental são as suas, logo têm de o fazer recorrendo a pormenores despiciendos.
Em visita ao local, o Ministro Jaime Silva calculou os prejuízos em 3900 euros, pouco menos de 800 contos, para que nos entendamos. A sua visita e a do seu séquito deverá ter custado ao erário público uma parte considerável deste valor, o esforço que o governo está a fazer para conter o coro de críticas à sua actuação neste caso deverá custar bem mais do que o estrago apurado.

Tenho um amigo cuja mãe, perante um tal circo, resumiria o assunto a um “Isto é tudo um bando de atrasados mentais”.

Sem comentários: